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23 de set de 2008

Minha terra, com Barriga e tudo!

Era tudo mata... os fugitivos viam naquele lugar uma fortaleza natural. Ali eles podiam sonhar, viver em paz e quem sabe prosperar. O sonho acabou um dia, os ricos e dominantes venceram. Restou a esperança, que um dia aquele lugar tão belo, tão acolhedor, seria novamente um lar para seu povo: Brancos, negros, índios... todos tinham espaço na República Livre dos Palmares.

Hoje quase quatro séculos depois, continua tudo na mesma. Os sonhos acabam um dia, com a vitória dos dominantes. A esperança teima em ficar, ela resiste bravamente como aqueles guerreiros que um dia queriam apenas liberdade! Somos enganados, cospem em nossos sonhos, zombam da nossa cara, desafiam a matemática. Certos que não iremos notar, que pouco iremos nos importar. Nos vêem como fracos, ignorantes que estudaram naquelas escolas de baixa qualidade. Mas eles ignoram ser a vida e o ser humano tão fascinante, ignoram ser nas maiores adversidades que nascem e crescem os grandes. Cada garoto de rua maltratado, ignorado, humilhado. Cada pai que ao sair de casa cedo, mostra o quanto a dignidade e o trabalho é importante. Cada pessoa que sobrevive com um salário mínimo, um bolsa-família (sem fraude) é a chama que faz acreditar ser possível, que o sonho de liberdade e de prosperidade não acabou.

"Aqui não há cangos, nem troncos, nem banzos/ Aqui é Zumbi!/ Barriga da África! Serra da Minha Terra!". Ah Jorge de Lima, o que diria agora sobre nossa Terra?

Seremos sempre guerreiros, não desistiremos dos nossos sonhos, por mais absurdos e impossíveis, eles nunca nos matarão, nunca nos calarão. A luta está no nosso sangue, na nossa história e isso por mais que eles queiram, não conseguirão apagar!

Bruno Monteiro,
palmarino com muito orgulho.

Apesar do texto ser um pouco antigo, ainda continua atual, até mais do que quando escrevi! Que o futuro nos reserve algo melhor, pelo menos aos nossos bisnetos.

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