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09/05/2012

Decidido rito para julgamento do Mensalão

Nesta quarta, dia 09, o plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu em Questão de Ordem levantada pelo ministro Joaquim Barbosa acerca do rito processual que o julgamento da ação penal 470 terá no dia do seu julgamento em plenário.

O relator Joaquim Barbosa estimou que o tribunal levará “pelo menos três semanas” para julgar os 38 réus acusados de integrar aquilo que o Ministério Público Federal chamou de “quadrilha”.

Decidiu-se que o procurador-geral da República Roberto Gurgel vai dispor de cinco horas para fazer a acusação. Cada advogado de defesa ocupará a tribuna por uma hora –38 horas no total. Ficou combinado, de resto, que Barbosa será econômico na apresentação do seu voto vez que o texto do Relatório já se encontra disponível digitalmente a todos os ministros da Suprema Corte, ao procurador-geral da República e aos réus. Esse processo foi o primeiro a ser inteiramente digitalizado.


Em uma passagem de seu relatório, Joaquim Barbosa transcreve famosa definição do então Procurador-Geral da República sobre o caso do mensalão: “sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude”.

A denúncia foi oferecida em 2006 e a expectativa é de que o processo seja julgado ou ao menos iniciado o julgamento ainda nesse ano de 2012.

Com informações do blog do Josias e sítio oficial do STF.

07/05/2012

Filme: Os Vingadores

Quando subiram os créditos finais de Hulk (2008), ainda interpretado por Edward Norton, Tony Stark aparece no bar e fala ao Comandante Ross que estão formando uma equipe, a parcela nerd de minha alma exultou. À época ainda faltavam Capitão América e Thor para completar a trupe de heróis da Marvel. Completado o ciclo de aparições (com tempo suficiente para um segundo Homem de Ferro), finalmente chegou a vez de Os Vingadores salvarem o mundo juntos.
O enredo principia com Loki (Tom Hiddleston) voltando do seu exílio, após ser derrotado por seu irmão Thor, para resgatar o “Tesseract” (cubo azul do filme do Capitão América e Thor) que está em poder da S.H.I.E.L.D. Neste momento, o asgardiano empunha seu cetro, cujo poder controla o cubo, para eliminar os soldados e angariar aqueles (incluindo o Gavião Arqueiro) que lhe servirão na criação de uma passagem entre mundos, a fim de trazer seu exército alienígena para a Terra. Explosões e algumas cenas de ação depois, o agente Nick Fury começa seu recrutamento. Uma vez reunidos logo começa a bagunça.

Bagunça no bom sentido, pois o choque de personalidades, trocas de farpas e socos, e, principalmente, as piadas de Tony Stark ridicularizando seus companheiros, fazem os momentos mais hilários do longa. É divertidíssimo, apesar dos clichês inerentes a todo blockbuster, reafirmando a marca humorística dos enlatados da Marvel. 

Mantém-se a coerência com as histórias anteriores, formando no conjunto quase um folhetim cada filme. Isto concede a Os Vingadores agilidade e coesão, ainda mais porque, exceto Mark Ruffalo – o Hulk, todos os demais atores retornam aos papéis anteriores evitando que o espectador busque referências a todo tempo. Outro ponto importante e acertado são as cenas de ação e os efeitos visuais usados com muito equilíbrio, coisa rara no gênero.

O diretor Joss Whedon conseguiu transformar em harmonia o que temíamos se tornar uma batalha de egos. Cada personagem exerce uma função na equipe, destacando-se a Viúva Negra (da sublime e bela Scarlett Johanson), crucial em meio a tanta presença masculina. Claro que o egocentrismo do milionário Stark sobressai-se muitas vezes, mas sempre aparece alguém para rebater-lhe. Advindos de películas meio insossas, Thor e Capitão América surpreendem, embora o primeiro apareça mais em cenas de ação e “contenção”, o outro faz o aparato logístico do grupo. Já o Gavião e o Hulk fazem o que é esperado, enquanto aquele acerta seus alvos, este os esmaga! Ademais, Ruffalo está perfeito como o Dr. Banner.

Arriscamos dizer que tecnicamente só peritos em sétima arte poderiam assinalar os prováveis erros, uma vez cumprido o dever de entreter e contar o início desta saga. Não à toa vem recebendo os mais altos elogios da crítica. É o tipo de filme despretensioso que “vale o ingresso”, o melhor da Marvel até agora. 

Igualmente ao que houve no último Hulk, segure um pouco a vontade de ir ao banheiro após os créditos finais, pois a ponta de um fio salta do tecido. Sim, eles voltarão, nerds!


[The Avengers], 2012.
Direção: Joss Whedon
Elenco principal:  Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América), Chris Hemsworth (Thor), Jeremy Renner  (Gavião Arqueiro), Mark Ruffalo (Hulk), Scarlett Johanson (Viúva Negra) e Samuel L. Jackson (Nick Fury).
Duração: 136min


por José Minervino Neto (@zehminervino)

Dica 2: Se você já viu o filme, recomendamos a leitura desta crítica (com spoilers) aqui.

04/05/2012

Série Especial: Filosofia - P.10

X
- Santo Agostinho [Agostinho de Hipona] 354 a 430 a. C.

Desde a decadência da escola aristotélica com a incorporação do Estado Grego ao Império Romano, o que se viu [ou melhor, o que não se viu] na filosofia foi uma ascensão das teorias religiosas das mais diversas em detrimento do entendimento das coisas universais, das dúvidas que auxiliavam o homem a deixar cada vez mais o lado selvagem em segundo plano e enraizar o ser pensante adormecido em nós.  Com o início da queda do Império Romano, mais precisamente no ano 400 d. C.  e com a invasão dos visigodos no ano de 410 a. C. a única coisa que mantinha o mosaico que formava o Império Romano unido era a tão renegada religião cristã. E é justamente nesta época que a filosofia reaparece como sendo ciência de alto conceito perante os governantes, uma vez que tudo desde então era baseado na Religião, o Papado carecia de teorias para alicerçar sua Doutrina e perpertuar seu domínio no início da Alta idade Média, estendendo seus tentáculos a cada novo reinado europeu que surgia. Com vocês Santo Agostinho, o filósofo que municiou a igreja:

Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, província de Souk Ahras, na época uma província romana no norte da África, na atual Argélia, filho de pai pagão, chamado Patrício e mãe católica, Mônica. Foi educado no norte da África e resistiu aos ensinamentos de sua mãe para se tornar cristão. Agostinho era de ascendência berbere. Com onze anos de idade, foi enviado para a escola em Madaura, uma pequena cidade da Numídia. Lá ele tornou-se familiarizado com a literatura latina, bem como práticas e crenças do paganismo. Em 369 e 370, ele permaneceu em casa. Durante esse período ele leu o diálogo Hortensius de Cícero (hoje perdido), que deixou uma impressão duradoura sobre ele e despertou-lhe o interesse pela filosofia e passou a ser um seguidor do maniqueísmo. Com dezessete anos, graças à generosidade de um concidadão, chamado Romaniano, o pai de Agostinho pode enviá-lo para Cartago para continuar sua educação na retórica. Vivendo como um pagão intelectual, ele tomou uma concubina; numa tenra idade, ele desenvolveu uma relação estável com uma jovem em Cartago, com a qual teve um filho, Adeodato. Durante os anos 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No ano seguinte, mudou-se para Cartago a fim de ocupar o cargo de professor da cadeira municipal de retórica, e permanecerá lá durante os próximos nove anos. Desiludido pelo comportamento indisciplinado dos alunos em Cartago, em 383, mudou-se para estabelecer uma escola em Roma, onde ele acreditava que os melhores e mais brilhantes retóricos ensinaram. No entanto, Agostinho ficou desapontado com as escolas romanas, que ele encontrou apática. Quando chegou o momento para os seus alunos para pagar os seus honorários eles simplesmente fugiram. Amigos maniqueístas apresentaram-lhe o prefeito da cidade de Roma, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica imperial para o tribunal provincial em Milão. Agostinho ganhou o emprego e ocupou o cargo no final de 384.

Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago, começou a abandonar o maniqueísmo, em parte devido a um decepcionante encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto. Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o neoplatonismo também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho. A mãe de Agostinho havia-o seguido para Milão e insistiu para que abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina. No verão de 386, após ter lido um relato da vida de António do Deserto, de Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão, desistir de qualquer ideia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio. A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, "Tolle, lege"; "tolle, lege" ("toma e lê"; "toma e ler"). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde lê-se: "Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites". Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa Confissões (Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura mundial. Ambrósio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na vigília da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África. Em seu caminho de volta à África sua mãe morreu, e logo após também seu filho, deixando-o sozinho, sem família.

Após o regresso ao Norte da África, vendeu seu patrimônio e deu o dinheiro aos pobres. A única coisa com que ele ficou foi a casa da família, que se converteu em uma fundação monástica para si e um grupo de amigos. Em 391, ele foi ordenado sacerdote em Hipona (atual Annaba, na Argélia). Em 396, foi eleito bispo coadjutor de Hipona (auxiliar, com o direito de sucessão depois da morte do bispo corrente) e pouco depois bispo principal. Ele permaneceu nessa posição em Hipona até sua morte em 430. Ele deixou o seu mosteiro, mas continuou a levar uma vida monástica na residência episcopal. Ele deixou uma regra (latim, regulamentos) para seu mosteiro que o levou ser designado o "santo padroeiro do clero regular", isto é, sacerdotes que vivem por uma regra monástica. Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo São Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini vita. Descreveu-o como homem de poderoso intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica contra todos seus inimigos. Possídio também descreveu traços pessoais de Agostinho com detalhe, desenhando um retrato de um homem que comia com parcimónia, trabalhou incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitando as tentações da carne, e que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo. Sua vida não é tranquila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família…), atende aos pobres e órfãos, etc. Pouco antes da morte de Agostinho, a África romana foi invadida pelos vândalos, uma tribo guerreira que estava aderindo ao arianismo. Pouco depois de Hipona ser cercada pelos bárbaros Agostinho adoeceu; Possídio relata que ele gastou seus últimos dias em oração e penitência, pedindo para que os salmos penitenciais de Davi fossem pendurados em sua parede para que ele pudesse ler. Pouco tempo após sua morte, os vândalos levantaram o cerco de Hipona, mas não muito tempo depois eles voltaram e queimaram a cidade. Eles destruíram tudo, mas a catedral de Agostinho e a biblioteca ficaram inalteradas.
Agostinho foi canonizado por reconhecimento popular e reconhecido como um Doutor da Igreja. Na Igreja Católica, o seu dia é 28 de agosto, o dia no qual ele supostamente morreu. Ele é considerado o santo padroeiro dos cervejeiros, impressores, teólogos e de um grande número de cidades e dioceses. Para os protestantes ou evangélicos, Agostinho é referencial na história eclesiástica, pois foi um valoroso líder da Igreja primitiva e deixou suas marcas como verdadeiro discípulo de Cristo.
   
Pensamento

O problema do mal:
Em seu livro Sobre o livre arbítrio (em latim: De libero arbitrio) Agostinho responde de ao problema filosofico do mal de forma filosófica, demonstrando também filosoficamente que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser benevolente, pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho tem do mal, tem como base teoria platônica e a desenvolve. Assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto o mal não seria oriundo da criação divina, mas seu antagonista por excelência, na condição de fruto do seu afastamento. No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho explica-lhe que a origem do mal está no livre-arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária, um ser conciente. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente de Deus em uma criação perfeita) e algo mau (a prevalência da vontades humanas inperfeitas e que afetam negativamente a criação da perfeição idealizada por Deus). Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem. Esse argumento também implica que o ser humano tem direito de escolha sobre sua propria vida, não é apenas um ser programado. E se, segundo Agostinho, o bem é apreciada por Deus e a prática perfeita, todas as ações por ele inspiradas se tornam virtuosas e louvaveis. Sendo que em um universo de seres não conciêntes e que não portem livre arbitreo, as praticas do bem e do mal seriam programadas e não poderiam ser classificadas como boas ou ruins.

 Tempo e Criação:
No Livro XI das Confissões (em latim: Confessiones) Agostinho põe-se a cargo de versar acerca da criação do mundo por meio do Verbo, que podemos entender como "palavra criadora". Com efeito, o filósofo compreende que o mundo só poderia ter duas origens 1) do nada (em latim: ex-nihilo) e 2) a partir de parte da sua substância. No entanto, a última suposição é falsa pois teria de se admitir um Deus imutável, algo não condizente com o pensamento do Doutor Africano. A fim de responder a asserção: “Do que faria Deus antes de criar o mundo?” o filósofo tece sua crítica aos maniqueus e expõe seu pensamento a respeito do tempo e da criação. A evidente resposta de Agostinho à tal pergunta é a de que Deus não estaria a fazer nada, pois não havia tempo antes deste ter sido criado por Deus, ficando expresso que o tempo nada mais é do que uma criatura assim como o mundo e todas as coisas. Para o pensador, o tempo e o universo foram criado em conjuto, e Deus estaria fora deste contexto pois ele é eterno e a eternidade não entra no tempo. Para o filósofo medieval, o tempo não tem existência per se e só pode ser apreendido por nossa alma por meio de uma atividade chamada de "distensão da alma" (em latim: distentio animi). A distensão da alma, grosso modo, nada mais é do que a compreensão dos três tempos; pretérito, presente e futuro na alma, de modo que seja possível lembrar do passado, viver o presente e prever o futuro. Agostinho afirma que a alma é quem pode medir o tempo e essa "medição" atesta a existência do tempo apenas em caráter psicológico.

Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o "baptismo" do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Albert Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho). É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no "presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado. O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação da Bíblia deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, como o que chamaríamos hoje de um "texto alegórico", iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados. Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Otto Jansenius.


26/04/2012

EMAIL: Ela E Seus Devaneios


Era só mais uma tarde como outra qualquer, uma tarde de cansaço e calor, mais um dia de rotina, ela acabara de sair de dentro de um livro, sim, de dentro de um livro, ficava tão fascinada com o universo ficcional dos livros, que a cada livro que abria, era como se fosse sugada para dentro deles, para viver aquelas historias como se fosse uma de suas personagem, sentia-se parte do enredo. Era como se estivesse tomada por uma onda gigante de inspiração, ainda não sabia o que escrever, para quem escrever, mas precisava escrever alguma coisa, botar pra fora aquela vontade incontrolável de brincar com as palavras, assim como faziam os autores dos livros que lia. Sabia que não conseguiria escrever grade coisa, era humilde o suficiente para não ousar se comparar a algum dos autores a quem admirava, mas por que não tentar escrever alguma coisa? Já havia escrito alguns pequenos textos antes, não eram tão ruins assim, não sabia por onde começar, decidiu então deixar que as palavras lhe fossem guiando e elas mesmas criando o texto. Sentia-se mais confortável no mundo dos sonhos e da fantasia, o mundo real não lhe instigava, um mundo pessoas vivendo só por viver, escondendo suas emoções, era por demais sentimental, sentia a necessidade de dizer as coisas que vinham de seu coração, de certo isso não lhe era um defeito, tão pouco qualidade, era seu jeito de ser.  O mundo real para ela era duro demais, as pessoas sempre se escondendo dentro de seu próprios mundos, ninguém confiando em ninguém, um mundo de desilusões e decepções, recusava-se a viver nesse mundo, no seu mundo irreal também existiam coisas ruins e tristes, mas o final sempre era feliz, era isso que queria, um final feliz. Para ela, tudo que tinha que fazer era aproveitar tudo de bom que a vida tinha para lhe oferecer, não nascera com prazo de validade já determinado, então não entendia do que iria adiantar se matar de trabalhar, estudar, preocupar-se se poderia morrer a qualquer momento. Nem sempre quem leva tudo a sério demais, faz tudo certinho, chega sempre na hora, é feliz, pensava ela. Era feliz do seu jeito, desorganizado, atrapalhado, deixando coisas pra lá de vez em quando, isso não queria dizer que era irresponsável, mas que preferia viver a só estar viva. Corria atrás dos meus objetivos sim, mas tudo no seu tempo, não iria mais se descabelar, roer unha, manicura e cabeleireiro estavam “pela hora da morte”, dizia com seu jeito sempre quase sempre bem humorado. Acreditava que o que tivesse de ser meu uma hora seria e precisava estar viva quando isso acontecesse.

 Valorizava muito suas relações afetivas, ficava extremamente irritada com a forma com que os sentimentos eram transformados em coisas tão corriqueiras, via as pessoas amando eternamente a cada três semanas, amizades ditas eternas, mas que só duravam até o primeiro obstáculo. Coisas simples do cotidiano lhe faziam refletir, certo dia almoçando em casa sozinha como era de costume, já que seus pais trabalhavam o dia todo, achou a comida um pouco insossa, depois de colocar uma pitada de sal, foi surpreendida pela forma com que o sabor da comida havia melhorado. Percebeu então que poderia comparar a vida aquela comida, assim como algumas comidas perdem o sabor sem uma boa pitada de sal, a vida às vezes precisa de pitadas de carinho, compreensão, atenção, pitadas de sentimentos bons, no entanto, sal demais põe a comida a perder, é preciso saber a dose certa para que não haja perdas, nem excesso, quando colocamos “sal” demais em algumas pessoas, acabamos botando-as a perder, elas esquecem o que as fez ter aquele “sabor”, e por vezes deixamos de lado outras que também precisam ser cuidadas. Tinha medo que sua sinceridade pudesse magoar alguém, então se sentia na obrigação de guardar sua opinião pra si mesma. Também não gostava de preocupar ninguém com seus problemas, então às vezes quando lhe perguntavam como estava, mesmo tendo vontade de responder que estava péssima, tudo dando errado, não sabia o que fazer. Então apenas respondia um estou bem e você? Recebendo como resposta um também, se indagava se esse também seria um: também estou fingindo estar bem! As pessoas perguntam se você está bem, mas você precisa entender que na maioria das vezes elas nem querem saber mesmo, é só uma forma de dizer oi!
Então nem adiantaria você enche-las de lamentações porque elas não iriam resolver seus problemas, algumas iriam fingir se preocupar, apenas por educação, no final das contas as pessoas querem que você seja forte, que esteja bem, mesmo que não esteja, repetia isso pra si mesma sempre que sentia necessidade de desabafar. Sempre fantasiando um mundo além do qual vivia, quando criança, queria ser uma flor, para que todos a admirassem, tivessem delicadeza ao toca-la, para que desfrutassem do seu perfume e beleza, queria ter toda a atenção. Quando cresceu um pouco mais, percebeu que com o tempo as flores murcham, secam, perdem seu perfume e sua beleza.

Foi então que resolveu que queira ser uma árvore, grande e forte, para que todos pudessem descansar em seus pés, embaixo de sua sombra, queria sentir o vento sobre meus galhos. No entanto, se deu conta de que precisava ser podada pouco a pouco, e que a maldade humana não a deixaria viver por muito tempo. Chegou à adolescência e decidiu que queria ser um pássaro, para poder voar livremente com as próprias asas, sentindo a brisa toca-la, sentir o vento a levando para descobrir novos horizontes. Mas, não demorou muito para cair em si e lembrar que liberdade no mundo real não é tão simples assim. Agora ainda não sabia muito bem o queria ser, porque já aprendera que não podia ter a atenção de todos, nem fazer bem a todos, alguém sempre seria desagradado, muito menos usufruir de liberdade, pois o mundo real era um mundo onde as pessoas eram julgadas a cada passo dado, a cada atitude tomada. Ela sabia que era uma tolice de criança acreditar nisso, mas o maior dos seus desejos era ser estrela, não uma pessoa famosa, uma estrela mesmo, dessas que enfeitam as noites, com o propósito de que mesmo longe pudesse iluminar a vida daqueles que amou aqui na terra, queria ser lembrada como um ser iluminado, motivo de admiração e alegria, que não gosta de ver o céu estrelado? De tão desastrada que era, poderia acabar sendo uma estrela cadente e voltar para o lugar de onde nunca quis sair, perto daqueles que amava.  Mas e você? É! Você! Você acredita em que? Você também tem seus devaneios? O que você quer ser? Vai dizer que nunca teve um sonho maluco, uma decepção por não conseguir realizá-lo? Quis ter a atenção de todos e para conseguir isso acabou afastando-os sem querer? Quis voar, mas quebrou a asa e caiu de cara na realidade? Nunca quis dizer as pessoas o quando significam pra você, mas não teve coragem?  Viveu um grande amor que logo se transformou em uma desilusão? Ficou amigo de um inimigo, ou inimigo de um amigo? Ouviu uma palavra dura de alguém que ama? Teve que acordar cedo quando queria passar o resto do dia dormindo? Levou um tombo e se machucou feio?  Nunca teve medo? Chorou de alegria? Magoou alguém se ter a intenção? Ouviu um EU TE AMO? Também nunca disse um? Nunca amou eternamente por alguns meses, semanas, ou até mesmo dias? Ouviu um milhão de vezes aquela música que foi a sua preferida por alguns instantes?
Quem nunca pagou aquele mico e teve vontade de nunca mais sair de casa? Quem nunca sentiu pena? Gratidão? Raiva? Alegria? Ela já! E foi com tudo isso e um pouco mais que aprendeu a viver, a superar os obstáculos, encarar a realidade, ouvir palavras duras, levar tombos e esperar cicatrizar as feridas, ir à luta se queria algo, dizer às pessoas o que sentia e ouvir o que elas tinham a lhe dizer. E o mais importante: NÃO DESISTIR! É! Não desistir daquilo que para os outros era uma bobagem, mas que para ela era importante, não aceitar ouvir um: você não vai conseguir! Porque se ela realmente queria e acreditava, ela conseguiria. Quem define o que é bom e ruim, o que faz bem ou não, somos nós, somos responsáveis pelos caminhos que seguimos, não e fácil ninguém disse que seria, mas tudo depende da nossa força de vontade. Quem é ela? Eu também não sei ainda, quem sabe ela se revele em um próximo surto de inspiração, ou mais um devaneio...
 
 Jaiane Silva de Lima  
26 de março de 2012

Encontrar pessoas que gostam de ler hoje em dia é algo cada vez mais raro. Encontrar então pessoas que gostam de escrever e ainda o fazem bem, é mais raro ainda. Nessa mundão cada dia mais veloz e descartável, onde o duradouro não resiste a 5 minutos de atualizações no Facebook/Twitter, tive o regozijo de ler um texto bem elaborado, com conteúdo realista, croniciando em poucas páginas nosso eu do dia a dia forjado com as digitais de uma conterrânea acadêmica de Letras [UNEAL] que faz jus à verve literário de nosso sofrido povo e que brilhantemente vai buscar os mais intimistas detalhes que fazem esse mundo moderno parar por alguns minutos. Muito bom. Parabéns Jaiane!

PS.: Caro leitor que curte escrever: basta enviar pra nosso email [tempo_moderno@hotmail.com ou wjr_stoner@hotmail.com] seus escritos para que publiquemos no nosso espaço.  

EquipeTM

29/03/2012

Últimas: ROMBO NA PREVIDÊNCIA CRESCE QUASE 50% EM UM ANO

A Previdência Social registrou um déficit de R$ 5,143 bilhões em fevereiro, segundo dados divulgados nessa quinta-feira, 29, pelo Ministério da Previdência Social. O valor é resultado de uma arrecadação líquida de R$ 18,802 bilhões e uma despesa com pagamentos de benefícios previdenciários de R$ 23,945 bilhões, no período. Em fevereiro de 2011, o déficit da Previdência havia sido de R$ 3,497 bilhões (valor corrigido pelo INPC). Ou seja, o saldo negativo da Previdência cresceu 47,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado e 70,5% sobre janeiro.

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, disse que o resultado da Previdência de fevereiro está distorcido. Segundo ele, o repasse das contribuições do Simples Nacional no mês de janeiro foi da ordem de R$ 2,1 bilhões e, no mês passado, de R$ 132 milhões. 'Ou seja, temos uma diferença de R$ 2 bilhões', calculou. Esse episódio foi causado porque houve prorrogação do pagamento de tributos do Simples Nacional e dos Microempreendedores Individuais (MEI). O prazo havia vencimento em janeiro, mas foi prorrogado para 12 de março. 'Com isso, a normalidade das contas da Previdência deve ocorrer em março', previu o ministro.

No acumulado do primeiro bimestre deste ano, o déficit da Previdência foi de R$ 8,160 bilhões ante resultado negativo registrado no mesmo período do ano passado, de R$ 6,701 bilhões - um aumento de 21,8% em relação ao primeiro bimestre de 2011. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, a Previdência arrecadou R$ 38,476 bilhões e teve despesas com benefícios previdenciários de R$ 46,637 bilhões. Os valores acumulados também são corrigidos pelo INPC.

Fonte: Estadão

Enquanto o senhor ministro tenta enrolar a nação com suas desculpas esfarrapadas sobre o gogantesco rombo, é de conhecimento popular que a Previdência Nacional transformou-se a muito tempo em meio de vida para vigaristas de todos os tipo de advogados à peritos médicos que recebem dinheiro para aposentar e/ou adiquirir pensões de forma ilegal. Aqui em nossa cidade, quantos advogados e seus intermediadores vivem de fraudar o INSS? Agora imagine quantos existem em todo o Brasil? Sinceramente, um rombo de 50% em um ano, é pouco pro tamanho da roubalheira. Fala mais ministro, que eu engulo é comida, e não conversa [pra boi dormir].

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM

21/03/2012

Filme: Contra o Tempo

[Source Code], 2011.
Dir.: Duncan Jones
Elenco: Jake Gyllenhaal,Michelle Monaghan, Vera Farmiga, Jeffrey Wright...
Dur.: 93min.

Viagens no tempo, universos paralelos, teorias modernas da Física Quântica, SuperCordas, Multiverso etc. São inúmeros os filmes e séries de ficção científica que tratam desses temas densos que poucos humanos se interessam em entender...

Não me agrada os exageros ficcionais do estilo de Star Wars e Jornada nas Estrelas. Sempre preferi os temas mais palpáveis, que podiam ao menos se transformarem numa hipótese; nesse sentido filmes como 13° Andar [The 13th Floor], a trilogia Matrix [apesar de deturpada por Hollywood nas 2 últimas partes] e a série Fringe [traduzida no Brasil como Fronteiras e exibida irregularmente no SBT] faziam mais sentido para minha ignóbil imaginação uma vez que, filmados como suspense, focavam na relação de nós para com o mundo e de nós para com os nossos semelhantes, estão em primeiro plano ao invés da ação desenfreada e suas enxurradas de efeitos especiais.

Contra o Tempo [Source Code] trata muito bem das relações interpessoais tendo como pano de fundo a história do cap. Colter Stevens [Gyllenhaal], um veterano de guerra que faz parte de um projeto secreto do governo norte-americano chamado do Source Code [um complexo sistema de programação virtual] que é capaz de transportar o cap. Stevens para dentro da consciência de outro homem durante os 8min. finais de sua vida. O objetivo do projeto Source Code é evitar um gigantesco ataque terrorista nos trens de Chicago.

Em meio a esse caos eminente, o cap. Stevens conhece Christina [Monaghan] e começa a questionar as premissas do projeto frente a seus superiores, daí se densrola toda a trama do filme, com um desfecho surpreendente. A afirmativa do cartaz "Faça Valer Cada Segundo" martela algumas vezes na cabeça após o desfecho. Não percam, vale a pena assitir.


Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM no twiiter

20/03/2012

MÚSICA: ALPHA BLONDY

-Alpha Blondy
- The Best Of Alpha Blondy, 2002.

Minha vertente musical preferida sempre foi o bom e velho rock and roll. Tomemos nosso HDModerno como um belo exemplo da dominação do rock e suas vertentes na preferência mundial da boa música... O respeito pelo estilo patenteado e disseminado pelo mundo através do saudoso Bob Marley sempre existiu, mas era raridade eu chegar em casa e ouvir um reggae; apenas em festas eu ouvia apesar de ter alguns amigos que já eram fãs; porém, ao ouvir Masada do Alpha Blondy tocando no celular de uma amigo, resolvi conhecer um pouco mais desse estilo tão controverso e marginalizado em nosso País e a primeira banda a ganhar meu respeito foi Alpha.

Pedi o cartão de memória desse meu amigo e bati em retirada com o sentimento de estar perdido no tempo... "Como é possível eu não ter ouvido ainda isso!" lamentava-me com meus botões. Enquanto as músicas eram transferidas consultei o Grande Olho Que Tudo Vê, leia-se Goggle, e imergi na história da banda; não era só a música em si que chamava a atenção: as letras evocavam temáticas religiosas [ouça Jerusalem, God Is One] e políticas [ouça Politiqui, Guerre Civile]. O vocalista e dono da banda, Seydou Koné, nasceu na Costa do Marfim e, seguindo o caminho inverso dos "reggaeiros" da nossa terrinha não prega o niilismo, o amor de carnaval, o misticismo natureba exarcebado, muito menos a apologia gratuita e sem base à ganja. Engajado politicamente, canta a maioria das músicas em Dioula [dialeto africano], Francês, Inglês [essas duas últimas por culpa da colonização européia], Árabe e Hebraico [já que a África é um grande reduto mulçumano].

Com 20 álbuns lançados desde 1982, Alpha Blondy é, literalmente, uma lenda viva do verdadeiro reggae raiz. Separei um The Best Of... golinha, que abrange todas as fase do banda e inclui por conta própria um maravilhoso cover de Wish You Where Here do Pink Floyd. Clique Aqui e aproveitem a música de Jah direto de nosso HDModerno.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM