Blogroll

27 de jun de 2014

MÚSICA: SMASHING PUMPKINS


Definhando junto com o final dos anos 80 e enveredando no inicio dos 90, a indústria musical norte-americana encontrou num grupo de garotos desiludidos com a vida uma grande fonte de lucro. O nome que a imprensa à época cunhou para aquelas bandas de rock alternativo, vindo das sombras das garagens empoeiradas de Seatle foi grunge. Um termo que em livre tradução significaria algo com grude, sujo, graças não só ao teor das canções mas também ao estio de vida irresponsável e desregrada de alguns músicos, tendo-se como expoente mais popular Kurt Cobain vocalista do Nirvana - banda de maior sucesso desse estilo - morto em 1994.

Correndo por fora desse circuito incendiário em todos os sentidos, em Chicago capital de estado do Illinois, em 1987 surgia o Smashing Pumpkins que diferentemente do grunge, tinha menos influência punk em sua música.Seu segundo disco intitulado Siamense Dream conseguiram alcançar o sucesso inicial. Fazendo um som variado mesclando linhas de influências gótica, heavy metal, pop, psicodélico progressivo. Dessas variantes musicais surge um grupo que amplifica um som poderoso, pesado, ao mesmo tempo suave, agressivo porém persuasivo.

Liderado pelo guitarrista e vocalista Billy Corgan que assume a maioria das composições, a banda alcançou o sucesso comercial em 1995 com o lançamento desse magnífico colosso sonoro que vos indico, Mellon Collie and the Infinite Sadness. Imprimindo mais sentimento e esmero técnico sem esquecer as doses sinceras de dor e raiva, a banda alcançou a marca de 18,5 milhões de discos oficiais vendidos, sendo grande parte das vendas puxadas por esse disco que estreou em primeiro lugar na lista Billboard.

Letras nostálgicas, angustiantes que exalam um áureo sentimento de decepção com o amor e com certos aspectos da vida. Esse é o mote principal de músicas clássicas com guitarras distorcidas e vocais gritados em suas essências como Bullet with Butterfly Wings, Zero, Here Is No Why, Take Me Down, Tonight Tonight, Jellybelly que habitam o primeiro disco do álbum duplo. Destinado de Dawn To Dusk, o disco oferece também em volto em sua ecleticidade, momentos de percepções mais amenas, amenizando as vibrações para flutuar em melodias mais densas e calmas como na canção título, além de To Forgive, Love, Cupid The Locke [esta com ótimas linhas de piano], Galapogos, etc.

No segundo disco de alcunha Twilight To Starlight, o disco abre com as efervescentes Where Boys Fear To Tread, as clássicas Bodies, Thirty-Three, In The Arms Of Sleep e a épica e premiada 1979. Naturalmente mais  cadenciado que Dawn To Dusk, o disco entrava em ótimas baladas com lampejos de raiva contidos; temas  como Tales Of a Scorched EarthThru The Eyes Of RubyX.Y.U.We Only Come Out At Night, caminhando vagarosamente que maneira não menos vigorosa, as letras estranhamente introspectiva de Billy Corgan e sua trupe em rodízio, encontram naturalmente a frequência do fim com cuidadosas músicas de performance precisa como Beautiful, Lily (My One And Only), By Starlight e Farewell And Goodnight.

Um álbum coeso, que faz jus ao diversas indicações e prêmios recebidos por essa peculiar banda que sobreviveu em meio aos tubarões do mainstream que dominaram o mar do grunge.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / facebook.com/walterblogTM

20 de jun de 2014

HORMÔNIOS PODEM SER CULPADOS PELA FEMINILIZAÇÃO DOS HOMENS

Um desequilíbrio nos hormônios sexuais femininos nos homens pode estar contribuindo para os altos níveis de obesidade masculina em países ocidentais, de acordo com uma nova pesquisa publicada na versão on-line do periódico PLoS ONE.
Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, sugerem que o aumento no número de homens obesos poderia estar ligado à exposição a substâncias – usadas na indústria e presentes na soja, no plástico e no PVC, por exemplo – que imitam os efeitos do estrogênio, o hormônio sexual feminino. Esses produtos são cada vez mais consumidos em países desenvolvidos.
Os autores do estudo compararam as taxas de obesidade entre homens e mulheres de todo o mundo, além de levar em conta o PIB (Produto Interno Bruto), para determinar o impacto da riqueza sobre a obesidade.
Eles descobriram que, embora no mundo em desenvolvimento a obesidade seja mais frequente entre as mulheres, no mundo desenvolvido o cenário é completamente diferente.
Em países da Europa, assim como nos Estados Unidos e na Austrália, as taxas de obesidade entre homens e mulheres são muito mais próximas. E, em alguns deles, o excesso de peso chega a ser mais frequente para o sexo masculino.
Para os pesquisadores, essa diferença vai além do simples aumento da ingestão de calorias. Os hormônios presentes em certos produtos são conhecidos por causar ganho de peso, especialmente por causarem alterações na tiroide e no hipotálamo.
A exposição a esses componentes estaria contribuindo para uma espécie de “feminilização'' dos homens no mundo ocidental, o que explicaria a crescente obesidade entre homens e também o aumento da infertilidade masculina.
Mas os pesquisadores avisam que são necessários mais estudos para entender melhor como fatores ambientais têm interferido nos hormônios e comprovar a tese.
Fonte: Blog do Dr. Jairo Bouer

ÚLTIMAS: DITADURA GAY SE ALASTRA ATÉ A FIFA

A Fifa confirmou que está examinando casos de gritos de homofobia em jogos da Copa-2014, entre eles, as duas partidas do México contra Camarões e o Brasil.  A estreia mexicana já é motivo de procedimento de investigação, e pode render uma punição, provavelmente uma advertência.  No caso da partida brasileira, por enquanto, a federação internacional prometeu analisar todas as informações que chegaram a ela, visto que o jogo foi nesta terça-feira.

O problema são os gritos das torcidas quando os goleiros cobravam um tiro de meta. Os mexicanos, em bom número no Castelão, começaram a gritar "Puto!" contra Júlio Cesar, como acontece em alguns jogos de futebol no país. A torcida brasileira devolvia quando o goleiro Ochoa era o responsável pela reposição de bola.

O caso foi revelado pelo jornal "Daily Telegraph", e confirmado pela Fifa.
Esse termo, no México, é usado pejorativamente contra homossexuais. O caso foi revelado pelo jornal "Daily Telegraph", e confirmado pela Fifa. Segundo a reportagem, Brasil e México devem escapar apenas com uma advertência, por se tratar de um primeiro problema. A situação dos mexicanos, porém, pode ser mais complicada.
Além de Brasil e México, os torcedores de Rússia e Croácia também estão na mira da Fifa. A entidade recebeu denúncias de conteúdo racista e antissemitas em cartazes exibidos por russos e croatas nos primeiros jogos de suas equipes na Copa do Mundo.
Piara Powar, membro da Força-Tarefa antirracismo da Fifa, disse ao jornal inglês que as imagens precisam ser investigadas, e atitudes rígidas deverão ser tomadas caso se confirmem as acusações sobre racismo e homofobia.
"O nível de homofobia em alguns jogos é também totalmente inaceitável. Precisamos de uma educação rápida antes que isso saia de controle", afirmou o executivo ao The Telegraph. A conduta dos torcedores russos é motivo ainda maior de preocupação, porque a próxima Copa do Mundo será disputada na Rússia, em 2018.
Fonte: UOL
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Que fique bem claro: nem eu, nem o blog e creio que nenhum de nossos colaboradores tem nada contra o hábito de dar manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, apenas não aceitamos existir aberrações jurídicas como essas que defendem duplamente um micro segmento da sociedade em detrimento de muitos. Tomemos como exemplo essa escabrosa notícia: um grande aparato institucional será acionado para apurar denuncias de homofobia direcionadas a... ninguém. Pois as ofensas e gritos de guerra em estádios de futebol são parte da cultura nacional, não só daqui mas de diversos outros países.

Portanto, se querem apurar a torcida do Brasil e de Mexico por gritarem mutuamente palavras como "viado" e "puto" (no caso dos mexicanos) que apurem também todas as torcidas do Brasil e do mundo por xingarem a senhora mãe de todos os juízes... Outra dúvida que surge é o porque de o Estado agir de ofício quando se xinga alguem ou algo de bicha mas nada faz quando os cofres públicos são vilipendiados?

EMAIL: O PODER SOBRENATURAL DO CRACK

enviado por: Archimedes Marques 
(Delegado de Policia no Estado 
de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão
 Estratégica de Segurança Pública 
pela Universidade Federal de Sergipe)
 – archimedes-marques@bol.com.br 


Há algum tempo atrás um cidadão aparentando ter pouco mais de trinta anos, vagava pelas ruas centrais de Aracaju, como de costume, pois noutra vez eu já tinha observado os seus passos nas mesmas cercanias. Mostrava estar triste e deprimido como nunca, talvez como sempre. O dia de sábado era como outro qualquer na sua vida e na vida da cidade, pois o vento que soprava quente era o mesmo, o sol abrasante e causticante a tudo esquentar era o mesmo, as pessoas indiferentes, passando de um lado para o outro das ruas e nas calçadas, afastando-se do citado cidadão em misto de medo e asco eram as mesmas, a agencia bancaria a qual ele entrara era também a mesma.


Entretanto, aquele carrancudo cidadão, barbudo, cabeludo, sujo, maltrapilho, esquelético, parecendo seriamente doente me lembrava de alguém, alguém conhecido, alguém que um dia já mantivera algum tipo de contato verbal comigo, mas, por mais que eu tentasse me lembrar de quem seria aquela misteriosa pessoa não conseguia. Demasiadamente curioso, dessa vez olhei mais demoradamente para aquele estranho e intrigante cidadão enquanto ele tirava dinheiro no cash do banco no mesmo instante em que as outras pessoas que ali estavam presentes trataram de fugir do recinto pensando ser ele um assaltante, um bandido ou delinquente qualquer, talvez um maluco andarilho. 



Ele não demostrou surpresa pelo fato das pessoas assim agirem, parecia acostumado com isso, com essa humilhação, sabia que a sua aparência era assustadora apesar de saber que não era um marginal, parecia não estar ali naquele momento, noutro mundo, não ligar para o que acontecia a sua volta, parecia nada temer, talvez se a Terra explodisse para ele seria normal. Temia somente um novo ataque de bronquite que se avolumava no seu pulmão devido a tosse grossa e pesada que insistia na sua garganta a fazer tremer a sua longa e imunda barba que carregava em igual modo com o seu cabelo escarafunchado e embuchado tal qual uma casa de cupim.



As suas perspectivas eram as piores possíveis. Certamente mergulhado em pensamentos pessimistas, nem sequer notou que eu sem disfarçar tanto olhava para ele querendo me lembrar de onde o conhecia, até que o guarda do banco chegou de um possível cafezinho e me falou: - Tá vendo o que o crack faz? ... Ele era um Advogado!... 



Foi aí que tudo emergiu, veio à tona; foi ai que tudo me chegou à mente; foi ai que o mistério foi revelado; foi ai que pude decifrar todos seus segredos; foi ai que vi o quanto o destino das pessoas pode ser cruel para uns e bondoso para outros; foi aí que eu vi aquele cidadão, antes promissor Advogado conversando comigo em algumas oportunidades nos corredores do Tribunal de Justiça e em determinada Delegacia que trabalhei, assuntos relacionados a Processos criminais ou Inquéritos policiais; foi aí que me lembrei de uma reportagem que um jornal sergipano fez sobre uma mãe em desespero querendo libertar o seu querido filho, estudioso, carinhoso, alegre e feliz com a vida, então Advogado preso nas garras do crack; foi ai que soube que os familiares desse cidadão tentavam interna-lo em clinica apropriada, mas ele se recusava tal tratamento por conta do poder avassalador e sobrenatural do crack que o arrastava cada vez mais para o fundo do poço;



foi ai que lembrei que aquele Advogado entrou no imundo mundo do crack por conta de ter se envolvido com um traficante após conseguir sua liberdade na Justiça; foi ai que lembrei da citada matéria jornalística dizendo que  aquele Advogado se desfez do seu escritório, do seu carro, dos seus bens, vendendo ou trocando tudo pelo crack ou para pagar dívidas com traficantes; foi ai que eu senti que aquele cidadão abandonou a sua casa e passou a morar no submundo da sociedade de Aracaju, nas ruas, no mercado central, nas marquises dos prédios ou em pensões baratas junto à prostituição rasteira, com seus iguais, pelo crack e para o crack;


foi ai que eu imaginei que aquele cidadão então sobrevivia de algum dinheiro que ainda restava da venda dos seus bens, ou quem sabe, de depósitos efetuados por familiares na sua conta bancaria; foi ai que eu vi que um cidadão bem vestido, alinhado, com terno, paletó e gravata impecáveis pode se transformar num mendigo, num zumbi, num morto-vivo; foi ai que eu vi que a vida daquele cidadão era somente o crack.

Certamente sentindo-se arrasado, desesperado, impotente para resolver o seu próprio infortúnio, o seu calvário, lançando um olhar no passado esse cidadão, antes feliz Advogado, viu o rumo errado que tomou, mas não teve forças para voltar atrás, não queria se curar, não admitia tratamento porque o crack era mais forte do que a sua vontade, o crack era mais forte do que ele. O seu presente era só o crack, o crack como o senhor do seu viver, o crack como seu dominador, o crack como destruidor da sua família, o crack como aniquilador da sua vida. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas.

O crack é o grande mal do século, o mal dos males, a pior de todas as drogas, que se não for um mal que todos nós estejamos esclarecidos, irá nos afetar em qualquer momento de nossa vida ou na vida de quem mais amamos, como de fato aconteceu com esse cidadão e sua família, um jovem que estudou nos melhores colégios, que teve boas amizades, que se formou em Direito, que se tornou um Advogado, que tinha um bom escritório, que pretendia ser juiz por isso adormecia em cima de livros de tanto estudar, que tinha um bom futuro pela frente, mas que por ironia do destino, pelo poder sobrenatural dessa droga, tudo trocou pelo crack.

Rodeado e instado pelos sentimentos humanitários de enternecimento, compaixão, piedade até porque sempre fui dos maiores combatentes do crack, tanto na área repressiva quanto preventiva, com prisão de grandes traficantes na minha careira policial e inúmeros artigos de minha autoria pertinentes ao tema publicados em centenas de sites do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, logo pensei em falar com ele, oferecer algum tipo de ajuda moral, espiritual, mas seu olhar sisudo e com possibilidade de algum tipo de agressão me afastaram, me reprimiram até porque ele também não me reconheceu.

Entretanto, todas as vezes que caminho pela citada área de Aracaju, procuro em vão e insistentemente com os meus curiosos olhos pelo triste cidadão entre os inchadinhos de cachaça ou barbudinhos zumbis do crack em muitos espalhados pela redondeza. Se o cidadão aceitou fazer tratamento, se fez ou faz tratamento em clinica de recuperação não sei, só sei que o poder de imensa e infinita bondade do nosso Criador pode sobrepor e derrotar o poder sobrenatural do crack como assim já fez com muitos. Assim, um dia espero ver aquele alegre Advogado de volta aos corredores do Tribunal de Justiça ou em Delegacias defendendo os seus clientes, menos os traficantes.

17 de jun de 2014

ÚLTIMAS: IMPRENSA ESTRANGEIRA CLASSIFICA ABERTURA DE R$ 18 MILHÕES DA COPA DE "CLANDESTINA"

Show de abertura da Copa do Mundo não agradou a todos. Parte da imprensa estrangeira criticou a apresentação, nesta quinta-feira, na Arena Corinthians. As principais reclamações foram sobre o tempo de duração e boa parte das arquibancadas vazias. Os únicos elogios foram para as atuações de Claudia Leitte e Jennifer Lopez.

O jornal espanhol As foi o mais duro. A publicação classificou a cerimônia como "clandestina" e que o espetáculo teria sido feito pensando apenas na transmissão da televisão. Os espanhóis ainda ressaltaram que o evento teve apenas 25 minutos e que "felizmente, a festa acabou rápido e as arquibancadas começaram encher".
O argentino Olé, conhecido por suas provocações aos brasileiros, destacou as vaias e insultos à presidente Dilma Rousseff. Para eles, Jennifer Lopez e Claudia Leitte "salvaram a festa de um papelão", com uma bela exibição, acompanhadas pelo americano Pitbull.
O Marca, também espanhol, criticou a "discreta" apresentação e disse que essa talvez tenha sido a mais curta de todas as Copas do Mundo.
Fonte: Terra
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Claro desvio de verbas. Fantasias mal feitas, coreografias ridículas, temas mais que batidos... Enfim, um esdrúxulo espetáculo tipico de circo mambembe de ponta de rua... E o custo que quase nenhum jornal se prontifica divulgar? 18 milhões de reais. Daria para construir quantas escolas, hospitais e quartéis de polícia? É, copa é mais importante...  

ÚLTIMAS: JORNALISTAS AFIRMAM QUE DILMA INSTAUROU DITADURA ATRAVÉS DE DECRETOS

O editorial de hoje do jornal O Estado de S. Paulo acusou a presidente Dilma de deteriorar a democracia e "reprisar o engodo totalitário, vendendo um mundo romântico, mas entregando o mais frio e cinzento dos mundos, onde uns poucos pretendem dominar muitos" por meio de decreto datado de 23 de maio. Ademais, o colunista Reinaldo Azevedo, de Veja e da Folha de S. Paulo, publicou crítica alinhada.

Editorial - O Estado de S. Paulo

A presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo. Desistiu da Assembleia Constituinte para a reforma política - ideia nascida de supetão ante as manifestações de junho passado e que felizmente nem chegou a sair do casulo - e agora tenta por decreto mudar a ordem constitucional. O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas. Na realidade é o mais puro oportunismo, aproveitando os ventos do momento para impor velhas pretensões do PT, sempre rejeitadas pela Nação, a respeito do que membros desse partido entendem que deva ser uma democracia.

A fórmula não é muito original. O decreto cria um sistema para que a "sociedade civil" participe diretamente em "todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta", e também nas agências reguladoras, através de conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, etc. Tudo isso tem, segundo o decreto, o objetivo de "consolidar a participação social como método de governo". Ora, a participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos. O que se vê é que a companheira Dilma não concorda com o sistema representativo brasileiro, definido pela Assembleia Constituinte de 1988, e quer, por decreto, instituir outra fonte de poder: a "participação direta".

Não se trata de um ato ingênuo, como se a Presidência da República tivesse descoberto uma nova forma de fazer democracia, mais aberta e menos "burocrática". O Decreto 8.243, apesar das suas palavras de efeito, tem - isso sim - um efeito profundamente antidemocrático. Ele fere o princípio básico da igualdade democrática ("uma pessoa, um voto") ao propiciar que alguns determinados cidadãos, aqueles que são politicamente alinhados a uma ideia, sejam mais ouvidos.

A participação em movimentos sociais, em si legítima, não pode significar um aumento do poder político institucional, que é o que em outras palavras estabelece o tal decreto. Institucionaliza-se assim a desigualdade, especialmente quando o Partido (leia-se, o Governo) subvenciona e controla esses "movimentos sociais".

O grande desafio da democracia - e, ao mesmo tempo, o grande mérito da democracia representativa - é dar voz a todos os cidadãos, com independência da sua atuação e do seu grau de conscientização. Não há cidadãos de primeira e de segunda categoria, discriminação que por decreto a presidente Dilma Rousseff pretende instituir, ao criar canais específicos para que uns sejam mais ouvidos do que outros. Ou ela acha que a maioria dos brasileiros, que trabalha a semana inteira, terá tempo para participar de todas essas audiências, comissões, conselhos e mesas de diálogo?

Ao longo do decreto fica explícito o sofisma que o sustenta: a ideia de que os "movimentos sociais" são a mais pura manifestação da democracia. A História mostra o contrário. Onde não há a institucionalização do poder, há a institucionalização da lei do mais forte. Por isso, o Estado Democrático de Direito significou um enorme passo civilizatório, ao institucionalizar no voto individual e secreto a origem do poder estatal. Quando se criam canais paralelos de poder, não legitimados pelas urnas, inverte-se a lógica do sistema. No mínimo, a companheira Dilma e os seus amigos precisariam para esse novo arranjo de uma nova Constituição, que já não seria democrática. No entanto, tiveram o descaramento de fazê-lo por decreto.

Querem reprisar o engodo totalitário, vendendo um mundo romântico, mas entregando o mais frio e cinzento dos mundos, onde uns poucos pretendem dominar muitos. Em resumo: é mais um ato inconstitucional da presidente Dilma. Que o Congresso esteja atento - não apenas o STF, para declarar a inconstitucionalidade do decreto -, já que a mensagem subliminar em toda essa história é a de que o Poder Legislativo é dispensável. 

Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe! (Reinaldo Azevedo) 

Atenção, leitores! 

Seus direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados, diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão política.

De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do decreto 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial a respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos sociais”.

O que faz o decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é “sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Pronto! Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o governo de turno decidir que é… sociedade civil

Todos os órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo, estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto, sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua participação na administração pública, os petistas querem se eternizar no poder, ganhem ou percam as eleições.

Isso que a presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida púbica e os que não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político.

A Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por dentro o regime democrático.

O PT está tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via aparentemente legal.

Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.

FONTE:
COFEMAC / Folha Política

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Nós aqui do TM já vinhamos afirmando isso a algum tempo, assim como estudiosos independentes e apartidários. Só agora, quando a tirania comemora seu triunfo é que a mídia corrompida vem chutar cachorro morto. Agora é tarde pessoal. QUem sabe se você resolverem mostrar o Foro de São Paulo o Brasil possa acordar... Enquanto isso, caminhemos para mais 4 anos de petismo corrompedor.

14 de jun de 2014

ÚLTIMAS: NOVA REDUÇÃO DO FPM CAUSA DESESPERO EM PREFEITOS ALAGOANOS


Enquanto os prefeitos alagoanos correm para Brasília para pedir aumento na verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o governo federal voltou a fazer uma redução considerável no valor enviado para as prefeituras. Neste dia 10 de junho, os gestores encontraram as contas das prefeituras com 40% a menos no repasse do FPM.

A situação afeta quase 100% dos municípios alagoanos, que amargam a redução do FPM com limitação de despesas no município. O prefeito de Quebrangulo, Manoel Tenório, afirmou que a redução inesperada traz um reflexo preocupante e negativo para as cidades que dependem financeiramente da verba do governo federal.

A esperança de ter uma recompensa financeira ainda este mês é a única medida para garantir o pagamento das contas e o funcionamento dos serviços. “Tem muitas prefeituras aqui em Alagoas que somente irão conseguir pagar a folha dos servidores. Mas e os outros serviços básicos do município”, ressaltou Tenório.

De acordo com o prefeito, somente na cidade de Quebrangulo já houve aumento salarial do magistério em 8% e está sendo discutido ganho salarial dos agentes de saúde na Câmara Municipal dos Vereadores.  “O governo federal não está tendo o respeito de ouvir e atender as reivindicações dos municípios. Infelizmente só quem sofre com isso é a população”, pontuou, Tenório acrescentando que mais de 80% dos municípios brasileiros estão na mesma situação, conforme informações da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Associação dos Municípios Alagoas (AMA) informou que a redução aguardada era de 16%. O presidente da AMA, o prefeito Jorge Dantas, garante que essa redução inviabiliza todo planejamento financeiro existente nas cidades. “Desde a Marcha a Brasília, até agora só tivemos promessas. O Governo Federal acenou com o aumento de 1% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sendo 0,5% em 2015 e mais 0,5% (acumulando em 1%) em 2016”, completou Dantas.

Fonte: Cada Minuto

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Continuo me impressionando com a desgraçada capacidade desses supostos gestores municipais serem caras-de-pau. Um município é um ente estatal que além de receber as verbas federais (que são essas reclamadas pelos nobre prefeitos) tem a sua disposição inúmeras outras verbas como o tão bom e velho recolhimentos de impostos, lucros com empresas públicas (ex: SAAE), além do acesso a muito dinheiro do governo federal advindas de projetos que, apesar do povo não ver, estão lá nos papéis e o dinheiro nas contas bancarias.

É como se você morasse numa casa e além de trabalhar, receber ajuda de seus pais ricos ainda tivesse uma extensa linha de crédito disponível. Como um empreendimento desses pode fracassar ao ponto tenebroso de deixar de pagar seus funcionários? A explicação é óbvia, porém de difícil materialidade probatória devido às benesses de ser o governo, em qualquer âmbito: roubo do dinheiro do povo.

Agora, depois que a ignóbil presidenta da república resolve cortar mais um pouco das verbas fixas municipais para suprir sua própria máquina corrompida e corrompedora, esses senhores que são mais nocivos para o erário que enxame de gafanhotos em plantação de milho, vem agruparem-si em uma associação que nada mais faz que cobrar aumentos de verbas para os municípios visando não melhorias sociais, mais sim mais verbas para serem desviadas.

Sinceramente, prefeitos gabirus eu acho é pouco já que os nobres senhores venderam a muito suas porcas almas ao diabo através de seus pecados capitais. Contudo, temo pelo povo ignorante que elegeu, é açoitado na dignidade durante 4 anos enquanto eles sempre se reelegem e vivem luxando.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / facebook.com/walterblogTM



LIVRO "O LADO SUJO DO FUTEBOL" REVELA A CORRUPÇÃO COSTUMEIRA DOS SENHORES RICARDO TEIXEIRA E JOÃO HAVELANGE



A Editora Planeta lançara ainda neste mês o livro dos repórteres que, na TV Record, fizeram uma série de reportagens sobre as peripécias de Ricardo Teixeira e sua turma.
O blog antecipa o primeiro capítulo de mais um livro explosivo sobre os bastidores do futebol antes da Copa do Mundo.

Amigos íntimos

“Esse carro teve um desastre nos Estados Unidos. E faleceu uma pessoa que era muito querida minha.”
Ricardo Teixeira

O caminho que nos leva até a fonte do mistério corta os pântanos da Flórida, nos Estados Unidos. Nossa viagem vai de norte a sul, de Orlando a Miami. Paramos para abastecer. O bando de corvos que cerca a lanchonete anexa ao posto de gasolina dá um ar surreal à nossa missão, que faz lembrar os contos cavernosos de Edgar Allan Poe. Mas o nosso objetivo é justamente separar ficção de realidade. Estamos atrás da verdade escondida no acidente que pode ter muda‐ do a história do futebol mundial.


Na saída 193, fazemos o retorno na Florida Turnpike e ajustamos o contador de quilometragem. Após 26 quilômetros, paramos no acostamento, no ponto exato indicado por um boletim de ocorrência em nossas mãos. Um carro da polícia rodoviária para em seguida. Educado, o policial nos adverte que só se pode estacionar ali em casos de emergência. Explicamos o motivo de nossa presença. “Façam o que for preciso e saiam depressa.”

Um de nós já está dentro da mata. Seus gritos fazem mais barulho que o motor da viatura policial que arrancava dali. No meio da lama, peças antigas de um automóvel – um friso de plástico, um pedaço de para‐choque. Coincidência ou não, aqueles pedaços de carro nos enfiam num túnel do tempo. Voltamos a outubro de 1995, uma sexta‐feira 13.


O acidente que transformou em abóbora o mundo de Adriane ocorreu aos seis minutos da madrugada. Na história infantil, o sapato de cristal perdido por Cinderela ao descer correndo a escadaria do palácio do baile real leva até a moça o príncipe do final feliz. Na história de Adriane, o conversível puxa o fio da meada deste livro‐reportagem: o veículo estava em nome de Ricardo Teixeira – à época, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dono do futebol brasileiro então tetracampeão mundial e casado com Lúcia Havelange, filha do na época todo‐poderoso presidente da Fifa, João Havelange.

Um eventual relacionamento de Ricardo Teixeira com Adriane, 35 anos mais nova que ele, seria uma questão privada se não houvesse no caso detalhes intrigantes. Lorice Sad Abuzaid, a amiga de Adriane, era na data do acidente empregada de Wagner José Abrahão, empresário de turismo, parceiro de negócios de Ricardo Teixeira e beneficiário de contratos suspeitos com a CBF. Desde 1995, as contas bancárias de Lorice, Wagner e Ricardo Teixeira só aumentaram. E, pelas revelações a serem feitas neste livro, vão crescer ainda mais com a Copa do Mundo do Brasil em 2014.


Adriane é apontada como pivô da separação do cartola e Lúcia Havelange e do estremecimento com o sogro que o havia lançado e protegido no futebol. O objetivo desta reportagem é separar boatos da realidade e responder perguntas que o episódio levanta. São questões de interesse público e não de vida privada. A investigação, como se verá, traz à luz uma rede de conexões, irregularidades e indícios que, embora tenham ocorrido na paisagem ensolarada de Miami, são de fato bastante sombrios.

“Isso é um assunto pessoal. Vocês não têm autorização para falar sobre isso. Minha mãe e doutor Ricardo Teixeira estão afinados para processar vocês”, ameaçou por telefone, aos gritos, a advogada Yolanda, filha de Lorice, ao ser questionada por nós.

No final de 2013, documentos disponíveis na Junta Comercial do Rio de Janeiro, em repartições e cartórios públicos provavam que Yolanda está equivocada. O acidente não é assunto meramente pessoal. Ao contrário: desvenda o envolvimento do ex‐presidente da CBF com Wagner José Abrahão, um dos principais beneficiários dos negócios envolvendo CBF e Fifa em torno da Copa do Mundo no Brasil.
Os documentos mostram que, na época do acidente, Lorice, a sobrevivente, já era funcionária de Abrahão. Foi ela também quem arranjou trabalhos esporádicos para Adriane na agência de viagens contratada pela CBF. Esses primeiros contatos foram fundamentais para que a jovem frequentasse o mundo de Teixeira em Miami.

Com exceção da família de Adriane, que vive ainda no mesmo apartamento humilde na zona norte do Rio, as demais pessoas ligadas ao acidente enriqueceram, e muito, nas últimas duas décadas. Lorice era uma simples funcionária de uma das empresas de Abrahão, dono da agência contratada para organizar as viagens da seleção brasileira e dos dirigentes da CBF (inclusive na Copa de 1994, que acontecera no ano anterior, nos Estados Unidos). Na ocasião, aos 40 anos, morava com o marido, um advogado trabalhista. Os dois dividiam um apartamento de classe média no centro de Niterói.

No ano da Copa no Brasil, Lorice – vítima e testemunha do acidente – é ex‐sócia de Abrahão, que, por sua vez, tem negócios nem sempre claros com Ricardo Teixeira. Abrahão, dono do Grupo Águia, dividiu com outra empresa, a Traffic (de J. Hawilla, amigo pessoal do cartola), o direito de comercialização dos pacotes de “hospitality” (os ingressos VIPs) da Copa de 2014, uma das partes mais lucrativas do evento. A previsão era de que o negócio chegaria a quase R$ 1 bilhão somente com a venda dos 210 mil pacotes para o mercado brasileiro. Não é difícil adivinhar quem ajudou Abrahão na jogada: Ricardo Teixeira.

Divorciada, a hoje gerente de viagens Lorice deixou o apartamento de Niterói e vive com a filha Yolanda em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Investe em imóveis no bairro. É fã de Ronaldo Fenômeno, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Admiradora da seleção brasileira, tornou‐se vizinha de artistas e jogadores de futebol. Como o círculo de amizades, também a aparência mudou substancialmente. Aos 60 anos, em lugar da pele pálida da época do acidente, Lorice exibe corpo bronzeado e vestidos de grife. Apesar dos quase 20 anos decorridos da tragédia, aparenta estar mais jovem. “Em terra em que leoa reina, cachorra nenhuma põe a pata”, postou recentemente na rede social Facebook. Ilustra a frase a foto de um sapato de salto alto vermelho e preto, cores do Flamengo – time de seu coração, assim como de Ricardo Teixeira.

O momento que fez Lorice se sentir a rainha da floresta aconteceu em 12 de maio de 1999. Três anos e sete meses após o acidente, ela se tornou sócia e gerente em uma das empresas de turismo de Abrahão no Rio, a RM Freire Viagens e Turismo Ltda. De acordo com a Junta Comercial do Rio de Janeiro, o empresário recorreu a um artifício para camuflar a sociedade com a ex‐funcionária. Em vez de entrar na companhia como pessoa física, usou duas firmas de sua propriedade para ingressar no quadro societário da RM: a Iron Tour Operadora Turística Ltda. e a Thathithas Empreendimentos e Participações Ltda. Lorice deixou o quadro da empresa em outubro de 2000. A agência passou a ser administrada pelo próprio Abrahão. Mas a agente de viagens continua no Grupo Águia. Despacha diariamente na Barra da Tijuca, onde se tornou uma das principais executivas da empresa.

Quanto a Wagner Abrahão, patrão e ex‐sócio de Lorice, ele se deu muito bem com a Copa de 2014. A expectativa era que ele faturasse cerca de meio bilhão de reais com o torneio. É uma grande fatia do bolo de turismo da Copa – bolo que, de acordo com estimativas talvez um tanto exageradas do Ministério do Esporte, divulgadas em 2010, movimentará R$ 9,4 bilhões durante o Mun‐ dial. Mais de 40% trazidos por turistas estrangeiros.


O amigo de Teixeira, no entanto, não se satisfez. Quatro agências de turismo do Grupo Águia foram indicadas pela CBF para operar o contrato de publicidade da entidade com a TAM: a Pallas Operadora de Turismo Ltda., a Top Service Turismo Ltda., a One Travel Turismo Ltda. e a Iron Tour Operadora Turística Ltda. Lembra dessa última? É a mesma agência que foi sócia de Lorice na RM Freire Viagens e Turismo Ltda. De acordo com o contrato assinado por Teixeira antes de deixar a CBF, a TAM pagava US$ 7 milhões por ano para patrocinar a seleção brasileira, uma bolada que era depositada mensalmente na conta de uma das quatro agências. (Em 2013, o sucessor de Ricardo Teixeira na CBF, José Maria Marin, quebrou esse esquema para montar o próprio: assinou com a Gol.)

O sucesso de Abrahão no ramo do turismo é antigo. Nasceu nos anos 70, com a Stella Barros, uma das pioneiras na venda de pacotes de viagens para a Disney. Mas os negócios do grupo ace‐ leraram mesmo foi na relação com o futebol. Paulista, Abrahão, que sempre trabalhou no Rio, firmou‐se no mercado de turismo esportivo na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. A trajetória de suas empresas nesses mais de 30 anos foi marcada por denúncias de fraude e polêmicas.

Em 1994, na Copa dos Estados Unidos, a empresa já era a agência oficial da CBF, contratada sem concorrência para organizar as viagens da seleção brasileira e dos dirigentes, sob o nome SBTR Passagens e Turismo Ltda. Na Copa da França, em 1998, o grupo foi acusado de lesar os torcedores. Apesar de comprarem ingressos com meses de antecedência, os clientes de Abrahão tiveram que assistir à final, entre Brasil e a seleção da casa, do lado de fora do Stade de France. O empresário foi processado e teve de pagar fiança para deixar o país.

Na Copa da Alemanha, oito anos depois, foi acusado de outra ilegalidade: obrigar os turistas a comprar ingressos dos jogos casados com pacotes turísticos. Ele e Ricardo Teixeira foram denunciados pelo Ministério Público e processados por crimes contra a ordem econômica e as relações de consumo, pela venda casada. Para os promotores, Teixeira deu vantagens indevidas à Iron Tour, de Abrahão, a única autorizada pela CBF a vender os ingressos. Em janeiro de 2007, porém, a Justiça absolveu a dupla. Alegou‐se que o Ministério Público não apresentou nenhuma prova de que outra empresa havia se interessado pelos pacotes.

Em 2000 e 2001, uma das agências de Abrahão, a Stella Barros, foi investigada pela CPI da Nike. Em apenas dois anos, entre 1998 e 2000, a SBTR recebeu da CBF R$ 31.104.293,89, quase três vezes mais que as 27 federações ligadas à entidade. Segundo o relatório da comissão, a agência, que operava para a CBF, teria montado esquema de lavagem de dinheiro por meio de superfaturamento de passagens aéreas e diárias de hotéis.

À CPI, Ricardo Teixeira tentou minimizar sua relação com Abrahão. Disse que, ao assumir a CBF, apenas manteve uma empresa que já prestava serviços à entidade e que tinha sido uma decisão “da diretoria”. Na ocasião, o deputado Dr. Rosinha pensou alto: “Há uma suspeita minha, pelo menos, que a Stella Barros está servindo como um dos caminhos de desvio de dinheiro da CBF”. Mas a CPI não foi além das suspeitas. O relacionamento seguiu íntimo e lucrativo. Sobrevive até hoje, com as operações milionárias da Copa no Brasil. Os segredos da Flórida, pelo jeito, ainda movimentam muito dinheiro.

Uma parcela desse dinheiro parece esconder‐se em transações imobiliárias favorecendo Ricardo Teixeira. Apesar de ter acumulado um patrimônio considerável nos 23 anos em que esteve no comando da CBF (1989‐2012), o dirigente também recebe agrados do amigo Abrahão. Em 2011, a apuração da série de reportagens sobre a Máfia do Futebol exibida pela TV Record revelou que, em escritura lavrada no 9Cartório de Registro de Imóveis do Rio de Janeiro, Cláudio Abrahão – irmão e sócio de Wagner Abrahão no Grupo Águia – vendeu para o cartola uma cobertura na Barra da Tijuca, em 2009, por R$ 720 mil. É o mesmo valor que o empresário havia pago pelo imóvel cinco anos antes. Só que, na escritura, Cláudio lançou o valor de R$ 2 milhões para a base de cálculo do imposto. Na época, corretores da região avaliaram o imóvel em pelo menos R$ 4 milhões.

A cobertura mais que subfaturada não é o único rolo imobiliário de Ricardo Teixeira. Situação bem semelhante se repete no contrato do aluguel da mansão do cartola no condomínio Polo Club, em Del‐ ray Beach, ao norte de Miami, como revelaremos adiante. O cartola frequentava o lugar até 2013.
Foi desse condomínio que Adriane, a amiga “muito querida” de Teixeira, teria partido para a morte no BMW preto conversível na noite de 12 de outubro de 1995. Estivemos na mansão, em janeiro de 2014, atrás de documentos e indícios do acidente em torno do qual giram as relações nebulosas entre Teixeira, Lorice e os irmãos Abrahão.

Na mesma viagem, conhecemos a State Road 91, ou Florida Turnpike, local da tragédia. Comparada às estradas brasileiras, a Turnpike é bastante segura. Com quatro pistas, duas de cada lado, possui boa drenagem e amplos acostamentos. Não se nota nenhuma falha ou buraco na pista. Vigilantes atentos fazem rondas em todos os trechos da rodovia. Basta um veículo encostar e em menos de cinco minutos um xerife se aproxima em carro oficial ou camuflado, como aconteceu conosco.

Bandos de corvos se amontoam sobre placas de sinalização. Embora tenham penas negras brilhantes e um grasnido muito semelhante ao das gaivotas, nos Estados Unidos esses pássaros são consi‐ derados um mau presságio. Mais impressionantes que as aves soturnas são os outdoors com fotos de advogados ao longo do trajeto. Sem nenhum constrangimento, eles se oferecem para processar o Estado da Flórida em caso de acidente na pista da morte.

No trecho em que se acidentou, Adriane enfrentou algumas curvas suaves – e só. O lugar de onde ela saiu da pista é no meio de uma longa reta, tornando improvável que tenha perdido o controle por causa da velocidade. Na noite da tragédia, a pista estava seca. De acordo com o laudo assinado pelo cabo Fredrick Brown, da Polícia Rodoviária da Flórida, encarregado da investigação 795.68.23, Adriane seguia na pista interna, rumo a Orlando, quando freou bruscamente e desviou para a direita, por motivo ignorado. O carro atravessou o acostamento e começou a rodopiar num gramado ao lado da rodovia. Capotou uma vez e meia e caiu de cabeça para baixo dentro de um lago, que hoje está seco. Resta uma imensa poça de lama. No acostamento, brotou um jardim natural de flores amarelas e lilases.

Testemunhas que passavam pelo mesmo trecho da rodovia disseram que o BMW dirigido por Adriane viajava a mais de 160 km/h. Uma delas, Michael Lyons, afirmou ter visto uma pequena nuvem de fumaça ou poeira saindo do lado esquerdo do conversível antes do acidente. Outro motorista, Mike Gonzalez, disse que o carro dirigido pela brasileira viajava em alta velocidade, com as luzes desligadas. Segundo a perícia, a primeira marca de freada no asfalto ficou a cerca de 340 metros de onde o automóvel parou, indício de que Adriane estava acima da velocidade recomendada para o local, de 100 km/h. Mike Gonzalez, o motorista que parou para socorrer, disse à polícia que, ao descer da rodovia para o lago, encontrou a passageira Lorice aos gritos, pedindo socorro.

“Eu e meu amigo corremos em direção ao carro, mas não conseguíamos ver nada. Quando enfiei a mão no carro, senti a mão da outra vítima, e comecei a gritar se ela estava OK. Não houve resposta. Dei a volta e comecei a chutar a porta até ela abrir, tirei a vítima e as outras pessoas ajudaram eu e meu amigo a carregá‐la”, contou no testemunho à polícia.

Adriane foi declarada morta à 1h30 da manhã, no Hospital St. Cloud, pelo serviço de emergência médica do condado de Osceola. Exames demonstraram que ela não tinha consumido álcool, nem drogas. “A motorista do veículo 1 se afogou ao ficar presa pelo solo úmido do fundo do canal”, registrou o cabo Brown. Ele culpou Adriane pela própria morte. Seguindo a recomendação do policial, a promotoria da Flórida não abriu inquérito para apurar homicídio. De acordo com o atestado de óbito, Adriane era estudante de secretariado.

Pela primeira vez, a mãe de Adriane falou sobre o assunto fora do círculo familiar. Conversamos com Mariza pouco antes do Natal de 2013, uma época que acentua a saudade da família. “Deixem isso quieto. Minha filha é sagrada.” Em entrevista gravada pelo interfone de sua casa, contou um pouco sobre a vida de Adriane. “Minha filha foi para os Estados Unidos por intermédio da Lorice, amiga da família há anos. Ela (Adriane) estudava e trabalhava. Tudo que minha filha tinha era fruto do trabalho dela.” Mariza relata que Adriane prestava serviços para Lorice, que era agente de turismo da CBF. As duas viajavam sempre juntas.
Viúva há três anos e doente, Mariza conta que a família não se conforma até hoje com a perda da filha Adriane. Aos 73 anos, ela diz que nunca havia falado antes no nome do ex‐presidente da CBF. Qualquer insinuação de que a filha possa ter tido um caso com o Ricardo Teixeira provoca indignação em toda a família. “Não conheço esse moço, não sei quem ele é. Só sei que o carro era aquele, em que minha filha morreu”, disse. “Me esqueça, pelo amor de Deus. Eu nunca vou falar sobre isso. Passou. Já foi.”
Além da dor pela perda da filha, Mariza tem outro motivo para desejar ser esquecida pela imprensa. Segundo o jornalista Juca Kfouri, a CBF pagava, pelo menos até junho de 2011, o plano de saúde da mãe de Adriane, que nunca foi funcionária da confederação, no valor de R$ 612 mensais.
Foi Juca Kfouri quem revelou o acidente que matou a filha de Mariza. Em sua coluna na Folha de S.Paulo de 23 de outubro de 1995, deu a notícia da tragédia e informou que, por causa de Adria‐ ne, o casamento entre Ricardo Teixeira e Lúcia Havelange havia entrado em crise.
“A pivô da possível separação – que traria consequências óbvias para o futuro do futebol brasileiro – morreu num acidente de automóvel no último dia 12 de outubro, na estrada que liga Miami a Or‐ lando. Ela teria dormido ao volante, capotado três vezes e caído num lago à beira da estrada. Atendida, faleceu na ambulância”, escreveu.

A informação estava correta no geral, apesar da imprecisão nos detalhes: segundo a polícia da Flórida, o acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e o número de capotagens noticiado não corres‐ ponde ao que consta na investigação oficial. O parágrafo seguinte deu uma informação nunca confirmada: O presidente da CBF estava com ela, algo que a família da jovem nega, mas que os amigos íntimos confirmam detalhadamente, ressalvando que Teixeira prestou toda a ajuda necessária, embora buscando não se envolver publicamente com o episódio.

A coluna, com o título Interesse público, causou um furacão no meio esportivo. Em longa entrevista à revista Playboy, em dezembro de 1999, o presidente da CBF foi questionado pelo repórter Carlos Maranhão se “teria se envolvido em um acidente de carro na Flórida em que morreu uma brasileira que seria sua namorada”. Teixeira respondeu: “Não houve nenhum acidente comigo. Eu não me encontrava na Flórida nem nos Estados Unidos nesse dia. Sabe onde eu estava? Assistindo a um jogo entre Brasil e Uruguai, em Salvador, ao lado de Antônio Carlos Magalhães. Como esse fato podia ser facilmente comprovado, surgiu depois uma nova versão: eu teria ido de Salvador para Miami de jatinho, apanhado um carro e me envolvido no tal acidente. Ora, fui de Salvador para o Rio de Janeiro junto com a delegação, e esse também é um fato público. Trata‐se de uma infâmia. Mas, para alguns, virou verdade”. Nenhum documento oficial sobre o acidente cita a presença de Teixeira no automóvel.

Sobre Adriane, nenhuma palavra. Não negou, nem assumiu que a vítima fosse sua namorada. Kfouri mantém a informação: “Ela era namorada dele. Consta até que ele foi muito correto com os familiares dela e que os atendeu muito bem”, conta o jornalista, que nunca foi desmentido ou processado pela revelação bombástica.

A notícia da morte da “pivô de sua separação” em um jornal de circulação nacional incomodou Teixeira. Pode ter enterrado de vez qualquer chance de reconciliação com Lúcia. Algum rela‐ cionamento existia entre Adriane e Teixeira. Ele mesmo admitiu em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Congresso Nacional em 2000 – cinco anos após o acidente – para investigar contratos da CBF com a Nike, fabricante de material esportivo e patrocinadora da seleção desde junho de 1996. O cartola falou sobre a jovem ao ser questionado pelo deputado Dr. Rosinha (PT‐PR).
– Tem também um BMW do senhor, que não está declarado no Imposto de Renda. O BMW dos Estados Unidos.
– Excelência, o senhor sabe que um carro ou qualquer propriedade que se tenha, e que ele entre e saia no mesmo ano, você não precisa declarar – respondeu Teixeira.
– Esse carro era do senhor, o senhor era proprietário e vendeu no mesmo ano?
– Excelência, acho que o senhor está querendo chegar a uma coisa que para mim é muito triste.
– Eu não vou chegar a lugar nenhum que seja triste para ninguém – retrucou o parlamentar
– Esse carro teve um desastre nos Estados Unidos… e faleceu uma pessoa que era muito querida minha.
Era tão querida que, segundo a investigação da polícia norte‐ame‐ ricana, o endereço que constava da carteira de habilitação de Adriane era no mesmo condomínio da casa de Teixeira. No documento da moça, estava registrado: 16881, Knightsbridge Lane, Delray Beach.

O automóvel do presidente da CBF estava registrado no número 16879 da mesma rua. Fomos investigar.


Delray Beach é fruto da tremenda expansão imobiliária ocorrida na Flórida a partir de Miami, ao sul em direção a Homestead e ao norte em direção a West Palm Beach. Na imensa faixa de areia banhada pelo oceano Atlântico se instalaram aposentados vindos de outras partes dos Estados Unidos para fugir do frio e investidores da América Latina, muitos deles trazendo dinheiro sujo para a “Lavanderia Flórida”. Ao contrário da areia branca e fina da maioria das praias do vizinho Caribe, ali a areia é escura e grossa. A paisagem deve muito em beleza se comparada com os destinos turísticos do Nordeste do Brasil. O grande atrativo fica aquém da areia barrenta: as mansões em condomínios oferecidas a preços relativamente acessíveis para quem quer investir dinheiro de forma segura, longe de casa.

Outra vantagem da Flórida é a facilidade de, a partir dali, fazer negócios com os paraísos fiscais, como as ilhas Cayman, no Caribe, e outros. Muita gente tem empresa registrada nas ilhas sem nunca ter estado lá: são meros ancoradouros para dinheiro de origem indefinida. No mundo das transações eletrônicas, o dinheiro gira fisicamente, de fato, nas contas bancárias de Miami. A cidade dispõe de um exército de advogados dispostos a ajudar quem pretende montar empresa ou esconder dinheiro.

Foi nesse cenário que Ricardo Teixeira se instalou. O condomínio Polo Club impressiona. Quem estaciona próximo à portaria assiste a um desfile de carrões: Mercedes, Camaros, Porsches. Um dos segu‐ ranças – de farda cáqui e chapéu, à semelhança dos xerifes do policiamento ostensivo norte‐americano – nos informou que o número 16881 da Knightsbridge Lane, que constava da carteira de motorista de Adriane, não corresponde a um imóvel. Mas o número 16879 é, sim, de uma casa: a de Ricardo Teixeira.

O visitante que percorre as ruas do condomínio encontra jardins bem cuidados, no estilo marcante da região: não há muro entre as casas. É um lugar silencioso, sem a violência e o estresse das me‐ trópoles. A Knightsbridge Lane é uma rua circular. No meio dela há um lago artificial. A casa que Teixeira chegou a ocupar ali, a primeira dele na Flórida, é confortável, com 215 metros quadrados, três quartos e piscina integrada a um lago nos fundos, compartilhado com os vizinhos. O imóvel estava em nome de uma empresa, a Globul, com sede no principado de Liechtenstein, micropaís en- cravado nos Alpes, localizado entre a Áustria e a Suíça. O local é um refúgio fiscal europeu conhecido por garantir sigilo absoluto a quem usa seu sistema bancário.

Mas, no dia 13 de dezembro de 2000, foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Ricardo Teixeira no Brasil pela CPI da Nike, criada para investigar os negócios da CBF. Na declaração do Imposto de Renda do dirigente em 1997, apareceu um depósito de R$ 12.185,55 à Globul. Segundo Teixeira, tratava‐se do pagamento do aluguel da casa de Miami, referente a todo o ano anterior. Perto de R$ 1.000 por mês (R$ 5 mil em valores atuais). Os parlamentares desconfiaram da versão de Teixeira. Cobraram provas. O presidente da CBF enviou um contrato de aluguel, assinado em 15 de março de 1995 – sete meses antes do acidente de Adriane. O custo mensal: US$ 1.500. Mas os membros da CPI foram além: telefonaram para uma corretora de imóveis em Miami, que garantiu que o aluguel de uma casa como essa, naquela região, não sairia por menos de US$ 5 mil por mês.

Em 1996, poucos meses depois do acidente em que morreu Adriane, a casa foi vendida para um casal norte‐americano. Quem intermediou? A Solimare International Inc., empresa de um amigo de Ricardo Teixeira, o empresário paulista Waldemar Verdi Junior. Mas o dirigente não ficaria muito tempo sem ter um teto na região. Logo depois, em abril de 1997, a mesma Solimare intermediou a compra de uma casa no mesmo condomínio. Dessa vez, porém, o tamanho era três vezes maior. Adivinhe para quem! Para a mesma Globul.

Agora, chute quem foi morar lá! Não é preciso ser muito esperto: Ricardo Teixeira. Segundo consulta feita pela CPI junto ao registro de imóveis da Flórida, o valor da transação foi de US$ 924.400. Mais uma vez, Teixeira disse que não era o dono da casa, e que pagava aluguel à Globul pelo imóvel de 600 metros quadrados, no número 5896 da Vintage Oaks. Em 2001, o grand finale: a Globul vendeu a casa a Ricardo Teixeira, por US$ 800 mil. Ou seja, a empresa topou repassar ao cartola a propriedade com uma desvalorização de quase US$ 125 mil! É como se você vendesse sua casa por um valor 14% menor ao que você desem‐ bolsou quatro anos antes.

Nas páginas 192 e 193 de seu relatório final, a CPI lançou mais questionamentos sobre as transações de Teixeira: “Em 26 de dezembro de 2000 (a CPI CBF/NIKE acabava de ser instalada), no penúltimo dia útil do ano, numa mesma data, Ricardo Teixeira fez duas remessas de dinheiro para o exterior, transferências internacionais de reais, em seu próprio nome: uma de US$ 602.160,00 e outra de US$ 246.628,44. As duas remessas foram através do Rural International Bank, de Nova York”. São desconhecidos os objetivos dessas remessas.

Era um período em que o cartola estava sob a lupa de investigadores. Se pretendia regularizar a “compra” da casa em Miami, para poder declará‐la ao Imposto de Renda de 2001 no Brasil, li‐ vrando‐se de eventuais problemas, esse seria o caminho. Aliás, no seu depoimento à CPI Teixeira manifestou intenção de incluir a casa na próxima declaração de renda. Ainda assim, sempre negou ser dono ou sócio da Globul. Fez isso em relação a outra empresa muito mencionada mais adiante, neste livro: a Sanud. Porém, neste caso, foi desmentido espetacularmente.


Quando a tragédia da morte de Adriane na Flórida aconteceu, o presidente da CBF tinha 48 anos de idade. Estava casado há 23 com Lúcia, a filha de João Havelange. Ainda saboreava as glórias de uma vitória recente. No ano anterior a seleção brasileira havia conquistado o primeiro título mundial sob o comando de Teixeira – curiosamente, ou não, nos mesmos Estados Unidos. A vitória nos pênaltis contra a Itália veio quando Roberto Baggio, principal craque rival, chutou a bola por cima do travessão defendido pelo goleiro Taffarel. Um chute nas arquibancadas consolidou a imagem do cartola como vencedor!

Enquanto milhões de brasileiros soltavam o grito da vitória entalado na garganta por 24 anos, Teixeira dava o seu grito da independência. Até aquele momento, ele ainda era somente o “genro”. Havia alcançado o cargo mais importante do esporte nacional, em 1989, sem ter dirigido um clube sequer. Fora alçado ao cargo de presidente da confederação de um país apaixonado por futebol pelas mãos de João Havelange. Quando Dunga levantou a taça no estádio Rose Bowl, Teixeira finalmente começou a sair da sombra do sogro. Com uma distinção clara em relação a Havelange: enquanto este sempre se movimentou discretamente nos bastidores, tendo no jogo político sua principal arma, Teixeira era ousado e arrogante. Ao longo da carreira, o homem que nunca jogou bola trombou com alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro, dentre os quais Pelé, Zico, Romário e Ronaldo.

Na embriaguez da vitória na Copa dos Estados Unidos, Teixeira expôs outro traço de sua personalidade: a crença na impunidade. O cartola bancou o que se tornou conhecido na crônica esportiva como a mãe de todos os voos da muamba: 11 toneladas de bagagem extra de jogadores e cartolas entraram no avião que trouxe a delegação campeã de volta ao Brasil. Quando a Receita Federal interveio, Teixeira mexeu os pauzinhos em Brasília. Conseguiu liberar a bagagem da galera. Mais tarde, a CBF assumiu o pagamento de cerca de R$ 50 mil em impostos, por causa de uma ação na Justiça.

O escândalo nem chamuscou Teixeira. Para ele, o único voo que importava era o que o levaria a Zurique, para o lugar de Havelange. Depois de 20 anos, o presidente da Fifa pensava em aposentadoria – e, claro, em sua sucessão. O projeto era entregar o cargo ao genro e deixar tudo em família.
Tudo caminhava bem, até aquela sexta‐feira 13, em outubro de 1995, quando a morte de Adriane na rodovia dos corvos mudou a sorte de Teixeira. E alterou de forma definitiva sua relação com Havelange, iniciada quase 30 anos antes, sob uma chuva de confetes.

Fonte: Blog do Juca