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29 de mar de 2012

Últimas: ROMBO NA PREVIDÊNCIA CRESCE QUASE 50% EM UM ANO

A Previdência Social registrou um déficit de R$ 5,143 bilhões em fevereiro, segundo dados divulgados nessa quinta-feira, 29, pelo Ministério da Previdência Social. O valor é resultado de uma arrecadação líquida de R$ 18,802 bilhões e uma despesa com pagamentos de benefícios previdenciários de R$ 23,945 bilhões, no período. Em fevereiro de 2011, o déficit da Previdência havia sido de R$ 3,497 bilhões (valor corrigido pelo INPC). Ou seja, o saldo negativo da Previdência cresceu 47,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado e 70,5% sobre janeiro.

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, disse que o resultado da Previdência de fevereiro está distorcido. Segundo ele, o repasse das contribuições do Simples Nacional no mês de janeiro foi da ordem de R$ 2,1 bilhões e, no mês passado, de R$ 132 milhões. 'Ou seja, temos uma diferença de R$ 2 bilhões', calculou. Esse episódio foi causado porque houve prorrogação do pagamento de tributos do Simples Nacional e dos Microempreendedores Individuais (MEI). O prazo havia vencimento em janeiro, mas foi prorrogado para 12 de março. 'Com isso, a normalidade das contas da Previdência deve ocorrer em março', previu o ministro.

No acumulado do primeiro bimestre deste ano, o déficit da Previdência foi de R$ 8,160 bilhões ante resultado negativo registrado no mesmo período do ano passado, de R$ 6,701 bilhões - um aumento de 21,8% em relação ao primeiro bimestre de 2011. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, a Previdência arrecadou R$ 38,476 bilhões e teve despesas com benefícios previdenciários de R$ 46,637 bilhões. Os valores acumulados também são corrigidos pelo INPC.

Fonte: Estadão

Enquanto o senhor ministro tenta enrolar a nação com suas desculpas esfarrapadas sobre o gogantesco rombo, é de conhecimento popular que a Previdência Nacional transformou-se a muito tempo em meio de vida para vigaristas de todos os tipo de advogados à peritos médicos que recebem dinheiro para aposentar e/ou adiquirir pensões de forma ilegal. Aqui em nossa cidade, quantos advogados e seus intermediadores vivem de fraudar o INSS? Agora imagine quantos existem em todo o Brasil? Sinceramente, um rombo de 50% em um ano, é pouco pro tamanho da roubalheira. Fala mais ministro, que eu engulo é comida, e não conversa [pra boi dormir].

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM

21 de mar de 2012

Filme: Contra o Tempo

[Source Code], 2011.
Dir.: Duncan Jones
Elenco: Jake Gyllenhaal,Michelle Monaghan, Vera Farmiga, Jeffrey Wright...
Dur.: 93min.

Viagens no tempo, universos paralelos, teorias modernas da Física Quântica, SuperCordas, Multiverso etc. São inúmeros os filmes e séries de ficção científica que tratam desses temas densos que poucos humanos se interessam em entender...

Não me agrada os exageros ficcionais do estilo de Star Wars e Jornada nas Estrelas. Sempre preferi os temas mais palpáveis, que podiam ao menos se transformarem numa hipótese; nesse sentido filmes como 13° Andar [The 13th Floor], a trilogia Matrix [apesar de deturpada por Hollywood nas 2 últimas partes] e a série Fringe [traduzida no Brasil como Fronteiras e exibida irregularmente no SBT] faziam mais sentido para minha ignóbil imaginação uma vez que, filmados como suspense, focavam na relação de nós para com o mundo e de nós para com os nossos semelhantes, estão em primeiro plano ao invés da ação desenfreada e suas enxurradas de efeitos especiais.

Contra o Tempo [Source Code] trata muito bem das relações interpessoais tendo como pano de fundo a história do cap. Colter Stevens [Gyllenhaal], um veterano de guerra que faz parte de um projeto secreto do governo norte-americano chamado do Source Code [um complexo sistema de programação virtual] que é capaz de transportar o cap. Stevens para dentro da consciência de outro homem durante os 8min. finais de sua vida. O objetivo do projeto Source Code é evitar um gigantesco ataque terrorista nos trens de Chicago.

Em meio a esse caos eminente, o cap. Stevens conhece Christina [Monaghan] e começa a questionar as premissas do projeto frente a seus superiores, daí se densrola toda a trama do filme, com um desfecho surpreendente. A afirmativa do cartaz "Faça Valer Cada Segundo" martela algumas vezes na cabeça após o desfecho. Não percam, vale a pena assitir.


Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM no twiiter

20 de mar de 2012

MÚSICA: ALPHA BLONDY

-Alpha Blondy
- The Best Of Alpha Blondy, 2002.

Minha vertente musical preferida sempre foi o bom e velho rock and roll. Tomemos nosso HDModerno como um belo exemplo da dominação do rock e suas vertentes na preferência mundial da boa música... O respeito pelo estilo patenteado e disseminado pelo mundo através do saudoso Bob Marley sempre existiu, mas era raridade eu chegar em casa e ouvir um reggae; apenas em festas eu ouvia apesar de ter alguns amigos que já eram fãs; porém, ao ouvir Masada do Alpha Blondy tocando no celular de uma amigo, resolvi conhecer um pouco mais desse estilo tão controverso e marginalizado em nosso País e a primeira banda a ganhar meu respeito foi Alpha.

Pedi o cartão de memória desse meu amigo e bati em retirada com o sentimento de estar perdido no tempo... "Como é possível eu não ter ouvido ainda isso!" lamentava-me com meus botões. Enquanto as músicas eram transferidas consultei o Grande Olho Que Tudo Vê, leia-se Goggle, e imergi na história da banda; não era só a música em si que chamava a atenção: as letras evocavam temáticas religiosas [ouça Jerusalem, God Is One] e políticas [ouça Politiqui, Guerre Civile]. O vocalista e dono da banda, Seydou Koné, nasceu na Costa do Marfim e, seguindo o caminho inverso dos "reggaeiros" da nossa terrinha não prega o niilismo, o amor de carnaval, o misticismo natureba exarcebado, muito menos a apologia gratuita e sem base à ganja. Engajado politicamente, canta a maioria das músicas em Dioula [dialeto africano], Francês, Inglês [essas duas últimas por culpa da colonização européia], Árabe e Hebraico [já que a África é um grande reduto mulçumano].

Com 20 álbuns lançados desde 1982, Alpha Blondy é, literalmente, uma lenda viva do verdadeiro reggae raiz. Separei um The Best Of... golinha, que abrange todas as fase do banda e inclui por conta própria um maravilhoso cover de Wish You Where Here do Pink Floyd. Clique Aqui e aproveitem a música de Jah direto de nosso HDModerno.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM

18 de mar de 2012

Livro: Elite da Tropa

- Elite da Tropa
- Luiz Eduardo Soares; Andre Batista; Rodrigo Pimentel, 2006.

- Ed. Objetiva

Na primeira parte de nosso especial [A Ética da Malandragem], expomos a decadência moral e ética do topo da Pirâmide do Poder, o Congresso Nacional e todas suas pitorescas "nuances" para usar um eufemismo bem eufemismo mesmo; depois apresentamos aos estimados leitores o segundo livro da trilogia [Gomorra] e agora o desfecho da série "Como Entender o Mundo": Elite da Tropa.

Antes de mais nada, deixei para explicar no último livro o porque da escolha desses títulos específicos para compor a trilogia; além de serem títulos que expunham as vísceras da degradação social, contendo informações valiosas sobre a violência e corrupção que move a Economia dos países capitalistas, os livros reunidos completam considerável parte do complexo e invisível quebra-cabeça que representa o jogo de Poder domado com maestria pelos homens que nós "democraticamente" colocamos no comando de nossas vidas. Todo Estado Moderno tem seu Congresso que não é menos sujo que o radicado em Brasília, apenas bem menos divulgado afinal, não nos interessamos nem pelo que ocorre na vida pública da cidade em que moramos quiçá no que acontece no Congresso dos outros, e o livro A Ética Da... mostra apenas uma beirinha do manto corrompido sobre o qual o mundo está estruturado; já Gomorra... nos fertiliza a imaginação com narrações precisas da logística e metodologia usados pelos mesmos homens que exercem cargos públicos para angariar mais e mais dinheiro e poder só que através do mercado negro, falsificações, drogas ilícitas, venda de produtos roubados, assaltos etc. etc. afinal, o crime também faz parte do sistema capitalista em que estamos inseridos e quem lucra de forma legal, também lucra de forma ilegal.

Se na Europa existe a Itália como paraíso para esse tipo de comércio, na america do norte existe o México, na América do Sul existe o Brasil... Se lá na terra da massa eles tem mafiosos e na america do norte tem-se guerrilheiros comunistas, aqui pra nós sobraram os traficantes pesados, generais do dinheiro sujo comandados pelos homens que fabricam o dinheiro "limpo". Entre aspas mesmo, porque depois de ler esses livros você se perguntará: existe dinheiro limpo? A diferença entre os dois é larga: o "sujo" dá um lucro muito maior... Entendes my amigo?

Enquanto os homens que ocupam o topo da cadeia do poder ganham dinheiro tanto legalmente quanto ilegalmente e nós, simples e reles cidadães nos encontramos absortos, encantados por nossos próprios umbigos, sem disposição nem incentivo nenhum de melhorar sequer nossa vida, quem diria nosso País, nosso Mundo. Aceitamos leis absurdas impostas sempre visando o bolso dos políticos e seus asseclas, pagamos seus impostos astronômicos, não recebemos Saúde, Educação, Segurança, sem ter que desembolsar pequenas fortunas e seguimos nossas vidas agindo como cachorros de madames, sempre quietos e obedientes, comendo o dormindo, esperando apenas a hora da morte, sem influir nem contribuir em nada para o bem comum.

Só quem nem todo mundo se deixa manipular. Alguns começam a pensar: "preciso mesmo estudar e trabalhar tanto pra ter o que esse playboy tem?" "pra que, se tem-se meios mais fáceis!" Sobra então a Mão Forte do Estado, o Poder de Polícia para "apaziguar os ânimos" dos mais exaltados [leia-se aqueles que assaltam, matam, sequestram, extorquem, corrompem, etc. etc. para satisfazer seus desejos materiais]. Elite da Tropa dá uma pincelada no quadro da segurança pública do Rio de Janeiro da década de 90, mas a paisagem formada pela violência urbana pode ser apreciada nos dias de hoje em qualquer cidade brasileira com mais de 40.000 hab. Se na década de 90 a coisa era daquele jeito, imagine então 15, 20 anos depois?

O livro joga uma tênue luz nos bastidores obscuros do círculo dos policiais de alta patente que comandam a Corporação, mais parecem executivos armados. Sentem-se renegados pelos demais pares políticos e por isso, armam um sistema dentro do sistema, assim, mesmo excluídos da maior parte da diversão [roubalheira], eles conseguem ter dinheiro e poder suficiente para dominar localmente e com isso conseguir alianças políticas de peso objetivando, lógico o dinheiro e o poder. Quem sofre as consequências em primeiro plano é a tropa, soldados que estão dia a dia combatendo o crime nas ruas mal sem remuneração adequada e com pessimas condições de trabalho, sem falar nos descumprimentos de vários preceitos Constitucionais como o não pagamento de abono de periculosidade e insalubridade, adicional noturno e muito menos plano de saúde, enquanto seus superiores estão ocupadíssimos não com soluções práticas para as falhas na segurança pública mas sim em como arrumar mais dinheiro e poder para fazer mais alianças políticas e conseguir mais dinheiro e poder num ciclo vicioso.

Assim como o nome do livro foi invertido no filme [Tropa de Elite], a ideia central do mesmo também foi invertida: o objetivo do livro não era narrar as aventuras do herói cap. Nascimento; Elite da Tropa foi escrito pra ajudar a entender a relação polícia-criminoso-sociedade. Se o favelado criminoso é vítima do sistema como prega alguns seguidores de Rousseau [assim como eu], o policial corrupto é vítima do sistema do sistema, ele é vítima duas vezes, uma vez que além de lidar com os bandidos ditos comuns, ainda tem que lidar com os bandidos que os comandam, que dirigem seu meio de vida, onde uma simples reclamação por melhorias no ambiente de trabalho pode virar uma briga de cunho pessoal desbocando em morte, afinal todos tem armas nas cinturas. Extorquir motoristas irregulares, pegar "arrego" do tráfico, vender armas, etc. é a válvula de escape daqueles que se sentem mais roubados pelos políticos do que os cidadães comuns, pois a materialização de Estado de Direito é feita por eles. Por conviver com os 2 tipos de criminosos, o de colarinho/estrela doudara/toga e o de chinelo havaiana, o policial corrupto se sente acima de todos sendo legislador, executor e julgador do cidadão infrator. Para frear essa mórbida interação social foi necessário, naquela época, a criação de uma polícia da polícia; e o que foi solução por algum tempo, transformou-se em apenas mais uma arma do sistema para equilibrar as forças negativas que regem o próprio sistema. O filme baseado no livro foi romanceado em demasia. O cap. Nascimento do livro não tem muito haver com o interpretado pelo Wagner Moura. Ele não é héroi e sabe disso. Ele era apenas mais um homem tentando sobreviver dignamente dentro de um mundo indigno.

Existe um Ética da Malandragem, um Gomorra e um Elite da Tropa deixando o mundo fictício da Literatura e sendo posto em prática no dia a dia, na nosso Estado, no nosso País, no nosso mundo. Ou melhor, deixando não, pois o livro não deu origem as Instituições do Poder e suas falcatruas. Foram as Instituições de Poder que deram origem aos livros.

Aqui a vida não imita arte, a arte imita a vida retratando de forma real, dura e crua as dinâmicas dos Poderes destroem vidas, roubam, manipulam e sempre permanecem intactos, graças em grande parte por culpa de nossa inércia política que já temos entranhada em nossos ossos desde nossos antepassados mais longínquos aliada aos interesses pessoais e egoístas que levam o homem desenvolver uma cobiça, uma ganância por dinheiro e poder sem tamanho, não importando os meios usados para alcançar seus vaidosos objetivos escusos.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM

17 de mar de 2012

Curta-metragem "KM 58" é selecionado para Cine PE


O curta-metragem Km58, um dos vencedores do Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas foi selecionado para disputar o Troféu Calunga, no Cine PE Festival do Audiovisual. Este troféu é a premiação oficial do festival, na Mostra Competitiva de Curtas Metragens.


Para esta seleção foram inscritos 402 curtas-metragens de todo o país, onde 18 foram selecionados para a grade nobre do festival. Entre os filmes, quatro são de Pernambuco; quatro de São Paulo; três do Paraná; e os demais, com um representante, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Distrito Federal, de Mato Grosso, da Bahia, de Alagoas e da Paraíba.

Nesta ficção alagoana, o protagonista dirige visivelmente tenso, numa rodovia semideserta, durante a madrugada. O filme fala pouco sobre ele, além do fato de que está enrascado. O desfecho é impactante e faz alusão a crimes de grande repercussão em Alagoas, absorvendo elementos de casos que até hoje permanecem sem solução. O roteiro tem como objetivo ativar a memória e a imaginação da audiência, a quem caberá escrever a história pregressa dos personagens, segundo suas referências.

O pequeno e inicial, mas necessário e importante, fomento para o audio-visual (e também literatura, vide o projeto Coco de Roda) através de editais públicos foi uma das melhores atuações do governo alagoano na recente gestão. Aguarda-se a continuidade de tais incentivos, pois, a falta de dinheiro para investir ainda é o impecilho principal para a produção artística no estado, onde sobra talento, criatividade e vontade.

O Cine PE será realizado no período de 26 de abril a 2 de maio, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), em Olinda.

Ficha Téncina:
KM 58
Ficção
15 minutos
Direção: Rafhael Barbosa
Produção: Núcleo Zero

Fontes: Secult-AL e Cine-Pe.com.br, com nosso complemento e adaptação. Imagem do Portfolio NúcleoZero.

11 de mar de 2012

Série: Breaking Bad

E se você estivesse prestes a morrer em decorrência de um câncer de pulmão sem ao menos ter fumado um só cigarro, com um filho adolescente portador de necessidades especiais, uma mulher grávida (quase parindo), um subemprego, hipoteca a pagar e sem plano de saúde?


Resumir Breaking Bad a como se encara a morte é muito simples para o emaranhado de sensações e reflexões que a série criada por Vince Gilligan consegue passar em seus episódios intensos.

A edição de imagens em alguns episódios consegue, por diversas vezes, a proeza de descontruir o que achamos já entender através da linha do tempo normal do desenrolar da história. 

Em Breaking Bad, Walter White (Bryan Cranston) é um professor de química de high school que trabalha meio turno num lava rápido para complementar a renda familiar,  só que não demora muito até percebermos sua paixão pela ciência e grande capacidade para lidar com os elementos químicos. É o tipo que tinha tudo pra ser bem sucedido, mas, por algum capricho da vida, não deu. Essa é a superficial primeira impressão.

Dai, estamos prestes a acompanhar o desenvolvimento de um homem, passando de um pai de família padrão, mas claro, cansado, desmotivado e rancoroso devido a atual situação, até chegar numa persona fria, calculista, objetiva e que não mede esforços para conseguir o que quer.

Walter White é o protagonista ou vilão da série? Pode-se aceitar as duas vertentes num só personagem? Talvez esse seja o caso. Certamente Breaking Bad conseguirá arrancar bons questionamentos logo após algum diálogo desconcertante ou até mesmo após um estranho e cortante momento silencioso marcado por olhares.

A série é exibida originalmente pelo canal pago americano AMC, e no Brasil vai ao ar pelo canal também pago AXN. Está indo para sua 5ª e última temporada, a qual será dividia em duas, com 8 episódios em 2012 e 8 em 2013. 

Até o momento, Breaking Bad é daquelas séries difícieis de esquecer ante sua qualidade e primor de roteiro e reviravoltas. Certamente uma das melhores já criadas.

7 de mar de 2012

Editorial: apatia, preguiça, alienação e outras drogas.

Diz aí: qual foi a última vez que você foi ver um filme ou peça sem ter lido uma crítica ou comprou um livro sem ter visto resenha ou ouvido recomendação de al­guém? Quantas vezes você foi ao restaurante da moda? Sobre quantas pessoas você formou uma opinião sem ser influencia­do pelo que delas disseram seus amigos? Quantas vezes você achou uma resolução política idiota ou um programa de TV es­túpido? Das entrevistas que você ouve ou lê, em quantas você pa­rou pra se perguntar: "Será que esse cara tá certo?". Ou, ainda: "Será que ele tá dizendo a verda­de?". Em suma: qual foi a últi­ma vez em que você pensou? (No sentido amplo da pala­vra, de inquirir, duvidar, fil­trar e chegar às próprias conclusões, sozinho.)

Se você é como a maioria, deve fazer algum tempo. E não se está aqui ofendendo ninguém nem lhe puxando a orelha: vivemos em uma sociedade em que pensar não é só desnecessário, como perigoso.

Há uma seleta minoria que é paga pra pensar pelos outros. Gente que lhe diz o que vestir, o que comer, aonde ir, o que fazer com seu tempo livre, de quem gostar etc. A palavra dessas pes­soas é canônica e, em vez de ser­vir como mero auxílio no exercí­cio fundamental do ser humano raciocinar -,o oráculo dos pen­santes acaba substituindo a capacidade de discernimento individual. Era pra ser bengala pra casos raros, virou cadeiras de rodas constante. Pra ser cartesiano, "Cogito, ergo sum", disse Descartes:"Penso, logo existo", Não penso, logo não existo. Ou, pelo menos, "no mucho".

Há então que se per­guntar como é que che­gamos ao ponto de ser uma sociedade em que não se pensa, vivemos um esti­lo de vida conducente à irreflexão. O homem moderno foi amesquinhado; trabalha feito um doido atrás de uma ascensão social que raramente vem; seu tempo é gasto em salas, reuniões, despachos, uma corre­ria sem fim. Seus dias se repetem, sua vida não se altera: é uma su­cessão infinita de tarefas, sem nunca formar uma obra. E, como dizia Paulo Freire, "esmagado pelo tempo": não se situa, não se encontra; é objeto, e não su­jeito de sua vida, Desse homem amesquinhado, que ganha pouco, so­fre muito, passa horas sacolejando em ônibus e ainda tem de cuidar do sarampo do fi­lho quando chega em casa, não se pode esperar energia ou disposi­ção para o exercício do pensa­mento. Perde-se, então, no lazer fácil, nas diversões inebriantes, mas que não constroem coisa ne­nhuma: novelas de TV, filmes de ação etc.

Como a sociedade lhe exige a felicidade, ele se contenta com o que vem à mão. Já que o cenário que o oprime lhe parece compli­cado e alheio demais pra ser mu­dado por meio de sua ação indivi­dual, ele recolhe-se ao papel in­significante que lhe foi prescrito e segue o barco pegando o repuxo das idéias dos que se salvaram do naufrágio.

Não fizesse assim, aliás, estaria em perigo. Primeiro, pela parte logística: uma hora a mais de re­flexão significa uma hora a me­nos para cuidar do concreto (em­prego, família, amigos etc.), o que pode acabar em demissão, divór­cio ou outro bicho desses, cruz credo, virge santíssima. Segundo, por ir contra o socialmente dese­jável: pensar requer introspecção, solidão, reclusão. Comportamentos associados com a triste­za, a depressão, a incapacidade, social — faltas intoleráveis em um ambiente onde refugiar-se é inadmissível (e, de mais a mais, inútil, já que o próprio homem não pode contar com sua melhor companhia que é uma cabeça ativa).

Por último, pensar é perigoso porque incita rebeldia: qualquer um que analisar certas estruturas, posicionamentos e declarações verá que abunda por ai quantidade imensa de estultices, mentiras o safadezas, que, quando descobertas,"são intragá­veis, Melhor é nunca morder a maçã da sabedoria, pois nos tem­pos que correm, desde Eva, o pa­raíso é a inconsequência, o não-se-importar, o não-se-incomodar e o não-agir, o que pressupõe o não-pensar, "y así pasamos los dias". como os patos pra foie gras com a goela aberta recebendo a porcaria que vem de cima até o dia do abate. Ou da explosão do fígado.

Autor Desconhecido

PS.: Escrevi o editorial desse mês que tem a mesma essência desse texto. Como minha autocrítica é aguçada, um momento antes de postar, encontrei esse texto que expressa de forma mais clara e sarcástica o que eu queria dizer.

Março, 2012.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / @walter_blogTM