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20 de jun de 2019

A Mídia Contra-Ataca

Exemplarmente conhecida por "quarto poder", a imprensa é um verdadeiro baluarte da democracia. Analisando o nível de liberdade e imparcialidade que os jornalistas/editores detenham é possível chegar a um quantitativo da qualidade, se verdadeiramente democráticos ou totalitários, dos governos mundo afora. A criatividade humana somada a maledicência original fazem aparecer verdadeiras aberrações. Países como China, Cuba, Coreia do Norte e Venezuela além dos governos teocráticos islâmicos, são de fácil enquadramento no hipotético plano cartesiano democracia x totalitarismo: lá a liberdade de imprensa é restrita ao que o governo quer que seja divulgado indo em clara conformidade com as cartilhas políticas totalitárias tradicionais.

Já em países como Brasil, Rússia, Argentina, Ucrânia, Polônia, México, Colômbia, África do Sul entre outros, a liberdade de imprensa fica no meio termo entre ser democrática ou que sirva ao(s) governo(s) quando os conglomerados midiáticos se unem aos governos/políticos. Possuem garantias legais robustas, o Estado garante a liberdade da publicação. Não obstante, jornalistas são frequentemente perseguidos quando não assassinados (diante da relevância deste tema, deixemos para um texto específico em momento vindouro).  As empresas, oligopólios econômicos que controlam os jornais impressos e on line do país são comandadas por poucos. Com o crescimento e democratização da internet livre no Brasil, essa hegemonia sofreu arranhões nos Estados da Federação mais desenvolvidos, porém nos rincões do país ainda prevalece a que os veículos de comunicação ditos "tradicionais" mostra, sejam fatos imparciais ou tendenciosos. Quando não mentirosos. Criar narrativas distantes dos fatos reais, ao que a experiência empírica mostra, virou regra no jornalismo político nacional

Essa agenda faz parte da guerra ideológica. "Não tomemos quartéis, tomemos escolas", convida Antonio Gramsci. Formando uma maioria de jornalistas com viés de esquerda, a opinião pública sempre será guiada para um lado, óbvio. A propagação ideológica virou negócio mercadológico no mundo todo. Investidores bilionários compram e/ou constroem conglomerados de comunicação (rádio, TV, portais de notícias na internet, etc.), e dominam a opinião pública. Para se ter uma opinião imparcial, ou no mínimo contrária ao que se propaga nos meios tradicionais de informação, deve procurar muitas vezes livros que inexistem nas prateleiras das raras bibliotecas do país; garimpar programas de rádios que ainda fazem verdadeiro jornalismo, vídeos no You Tube de gente honesta intelectualmente falando; ver documentários, na maioria das vezes legendados, o que é uma tortura para muitos. Uma vez que a massa não tem tempo nem disposição de percorrer esse dificultoso mas libertário caminho, fica fácil da maioria ainda se guiar pelo Jornal Nacional e pelo Fantástico.

Diante de toda essa descomunal máquina de propaganda que é a mídia tradicional, é muito divertido vislumbrar a constante quebra das narrativas impostas pelos interesses de alguns poucos por ilustres desconhecidos na internet/redes sociais.  Desde do início das campanhas eleitorais 2019, as derrotas dos metacapitalistas* e de seu braço midiático se arrastam até os dias atuais. Desde o dia primeiro de janeiro do corrente ano que 90% dos colunistas, comentaristas/analistas políticos, personalidades culturais, propagam DIA APÓS DIA, textos contra o governo que mal começou. A imprensa nacional, deitada em um berço moldado em pura ignorância somada ao domínio editorial globalista perdeu a maior parte de sua credibilidade ao propagar pesquisas que andavam a quilômetros de distância da realidade, ao dar espaço a acusações infundadas, a distorcer declarações, etc.

Some-se ao fato a nova repartição de verba publicitária do governo federal. Antes essas grandes empresas ficava com a maior parte do dinheiro mesmo não tendo uma hegemonia na audiência. Agora, a verba é repartida conforme a audiência. Se um canal tem 30% da audiência, ele leva 30% porcento da publicidade. No modelo antigo, o canal que se auto intitula o de maior qualidade no país mesmo tendo 30% de audiência, levaria 80% de toda verba publicitária. Ao se deparar com essas barreiras, inteligentemente criadas para salvaguardar a liberdade e a pluralidade de imprensa e de opinião, pilares essenciais de qualquer democracia, a mídia se uniu para tentar criar narrativas (distorcer os fatos). O último golpe do contra ataque da mídia, foi o hackeamento dos celulares dos heróis nacionais que prenderam mais de uma centena de bandidos corruptos, entre eles dois ex-presidentes.

A rede Globo (através do Jornal Nacional e Fantástico), a página de notícias UOL, blogs militantes como brasil 247, dezenas de youtubers e artistas,  etc. formam a mídia hegemônica e se equivalem em seguir uma narrativa falsa, variando apenas a qualidade do profissionalismo e, claro, de investimento. Eses veículos de comunicação produzem e propagam ideias progressistas, contra a reforma da previdência, a favor de Lula Livre, incitação a greves, desligitimização constante do governo e tentativas frequentes em transformar heróis (Moro, etc.) em bandidos (Lula e etc.) e vice versa. O ataque hacker sofrido tanto pelo então juíz quanto pelos procuradores federais demonstra claramente o nível de sofisticação criminosa acrescida de total ausência de escrúpulos. A articulação para garantir que a narrativa mais propensa a seu favor prevaleça, que a mídia usa principalmente da exaustão: todo dia repórteres, colunistas, apresentadores, comentaristas, etc. trancados em suas redomas luxuosas emitem opiniões que vão de encontro ao que a maioria do povo pensa, acredita e vivencia diariamente.

Esse modo conservador de ser e pensar é o que garantiu a sobrevivência do país até hoje. A mídia está usando de todo seu poder para fazer as novas gerações acreditarem que a ideologia de gênero, o aborto, a fim da família e a promiscuidade (adultério, abuso de drogas, etc.) são caminhos melhores que os atuais baseados na religião, na família e na regras morais cristãs. Enquanto a mídia contra-ataca pesado por todos os ângulos: filmes, séries, novelas, programas de auditórios, jornais, livros, teatro e até propaganda, devemos reforçar a educação de nossos filhos para que eles criem o ambiente cultural combativo a essa hegemonia marxista que vigora atualmente. Educando dentro dos valores cristãos-conservadores e com liberalismo econômico, a longo prazo o país conseguirá equilibrar a guerra ideológica. Uma democracia não pode se curvar a um único pensar. O debate dentro das regras morais e legais é fundamental para o desenvolvimento de qualquer nação. Com educação a Nação se esquivará desse contra-ataque e desferirá o golpe final na ignorância propagada pela esquerda.

*megainvestidores bilionários que usam os governos para lucrar ainda mais, mantendo e influenciando leis e políticas de governo em diversos países ocidentais. Ucrânia, Colômbia, Venezuela, Grécia e agora Brasil, são exemplos de países onde floresceram governos corruptos em conjunto com investidores idem. 

4 de jun de 2019

SÉRIE: CHERNOBYL*


*retirado do Blog do Sadovski




Melhor série em anos, Chernobyl aborda o horror causado pela ignorância...

Lembro quando o desastre da usina nuclear de Chernobyl ganhou as manchetes, mais de três décadas atrás. A verdade sobre os motivos que causaram o maior acidente nuclear da história sempre foi mantida atrás de um véu de mentiras, burocracia, intimidação e o jogo de poder que nem o fim da Guerra Fria encerrou. Chernobyl, série criada por Craig Mazin para a HBO, dramatiza os acontecimentos a partir da noite em que um dos reatores da usina explodiu, envenenando tudo a seu redor com a fúria irrefreável da radiação. É uma reconstrução que, embasada em muita pesquisa, tenta ao máximo iluminar seus personagens e seu cenário, buscando não apontar culpados, mas entender que, naquele contexto, uma tragédia era questão de tempo. Tudo por conta da mão pesada do Estado. 


A série concentra-se em um trio de protagonistas. Valery Legasov (Jared Harris) era diretor do Instituto Kurchatov, e foi trazido para encabeçar as forças de emergência após o desastre. A seu lado, o burocrata Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård), presidente do Conselho de Ministros do Estado Soviético. Estes são interpretações de pessoas reais que trabalharam em torno do evento, ganhando um terceiro vértice na física nuclear Ulana Khomyuk (Emily Watson), única personagem fictícia da série, uma amálgama de vários cientistas que trabalharam para desvendar os mistérios do acidente. O texto de Mazin ganha fôlego não só com o elenco espetacular, mas também com a magistral reconstrução de Chernobyl e seus arredores, como a cidade de Prypiat, evacuada após a destruição do reator. Além disso, o texto também resvala em coadjuvantes que tiveram sua vida irremediavelmente destruídas pelo desastre, de bombeiros que trabalharam para apagar o fogo imediatamente após a explosão que expôs o núcleo radioativo da usina.



Mas não pense que Chernobyl é uma série semi documental, uma tentativa de "humanizar" os acontecimentos e encontrar algum herói com todas as respostas. Seus cinco episódios, se forem categorizados em um gênero, revelam uma história de terror incômoda em diversos níveis. Terror físico, ao mostrar os efeitos da radiação nos homens que foram expostos de imediato às consequências da explosão – bombeiros e técnicos de Chernobyl, que em questão de dias sentiram uma dor inimaginável enquanto seus órgãos internos, sua pele e sua vida derretiam ante a degeneração celular causada pela contaminação. Terror moral, quando soldados em total ignorância respondiam a ordens para evacuar cidades e vilarejos em um raio de até 200 quilômetros em torno da usina, arrancando a população de seu lar e eliminando à bala toda vida animal – doméstica e selvagem – que ficaria para trás. O pior, contudo, era o terror implícito ia ignorância do Estado Soviético, que demorou a agir, fechou as portas para a colaboração internacional e foi humilhado em todo o mundo quando a verdade aos poucos vazou entre os poros da democracia, tudo em nome de uma "supremacia" ilusória.



Porque o regime comunista termina como o grande vilão de Chernobyl, com seus burocratas despreparados alocados em cargos-chave na máquina estatal, que até o fim se recusaram a enxergar a seriedade do desastre, mandando centenas de jovens para a morte ao tentar conter o derretimento iminente do núcleo radioativo – caso o resultado fosse outro, estaríamos vivendo em um mundo envenenado. A cada nova cena, são as paredes cinzas da burocracia e do fanatismo por um regime falido que ameaçam anabolizar as consequências da catástrofe. Craig Malin amarra os fatos com maestria, criando um drama pesado (o clima é ainda mais denso com a trilha opressora de Hildur Guðnadóttir, violoncelista que conseguiu traduzir em música o sentimento sufocante da Cortina de Ferro) que caminha lentamente para um triunfo no qual ninguém foi realmente o vencedor.

É fato que a própria Rússia jamais seria capaz de produzir algo tão contundente e realista como Chernobyl, visto que sua democracia do novo século nunca deixou de ter um pé no autoritarismo dos camaradas. É preciso desapego e distância para apontar dedos e mostrar que um regime apoiado em intimidação militar, que vivia uma queda de braço com a outra superpotência durante a Guerra Fria, os Estados Unidos, escondia na verdade um grupo de burocratas mentirosos, dispostos a sacrificar centenas de milhares de vidas para não revelar seus próprios fracassos. É com essa visão que a série alterna diálogos técnicos com sequências memoráveis, em que a maestria técnica de seus realizadores cobre com beleza um dos momentos mais sombrios da história da humanidade. O resultado, por fim, é uma das melhores séries já criadas para a TV em todos os tempos, um testemunho e um alerta sobre a fragilidade, o ego e a estupidez daqueles que detém o poder. Um espelho incômodo para todos nós.