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28 de fev de 2014

LIVRO: 1822


- 1822, 2010
- Laurentino Gomes
- Ed.: Nova Fronteira



O subtítulo do livro do excelente historiador - como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado - tem função dupla além da própria de subtítulo, a de resumo mais que sucinto. Enquanto as monarquias europeias, cujos tronos eram ocupados por linhagens nobres centenárias enraizadas através de protocolos rígidos de etiqueta e consubstanciadas em genes metodicamente misturados nos casamentos arranjados entre herdeiros reais frequentemente consanguíneos, nossa linhagem real tinha como lastro histórias e mistérios incompatíveis com a virtude e moral elevada que líderes escolhidos por Deus devem empunhar perante seus súditos.


Não obstante esses fatos demeritórios formulados nos bastidores do poder, D. João VI e Dom Pedro II não comandaram suas nações [inclusive alternado-se eles entre nos tronos de Portugal e Brasil] de maneira medíocre. Pelo contrário, esses dois portugueses exibiram, ano após ano, atitudes nobres em relação ao Brasil enquanto os nobres portugueses lutaram até o fim pelo direito imposto de explorar a colônia. Estudar a história de nossa pátria é pressuposto essencial para entendermos onde e como vivemos além de ser fator preponderante para entendermos-nos. É impossível concatenar o atual cenário político e econômico nacional sem compreender como nosso país foi criado e em que circunstâncias. O livro do jornalista paranaense Laurentino Gomes expões ideologias, acordos e arranjos políticos que ribombavam desde a vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 e deram ensejo a independência brasileira.

Cercado de fidedignas fontes bibliográficas, os 24 capítulos de 1822 abarcam fatos históricos consolidados no imaginário popular como o Grito do Ipiranga [e suas circunstâncias diarreicas], discorrendo sobre perfis psicológicos-históricos de Dom Pedro I, Princesa Leopoldina, José Bonifácio de Andrada e Silva, Dom João VI. Abordando análises e críticas que emulam os moldes e indicadores sócio-políticos da sociedade daquela época, Gomes esmiúça de forma bastante dinâmica, porém não menos embasada, fatores que convergiam sempre à presunção de fracasso do suposto novo país: as dificuldades impostas pelas cortes portuguesas que também vivenciavam momentos turbulentos, mas que não impediram o acontecimento da batalha onde mais sangue foi derramado da parte dos patriotas brasileiros, a Batalha do Jenipapo que tem seu capítulo próprio.


A importância estratégica da Bahia e de Pernambuco para sermos a nação que, bem ou mal, somos hoje, assim como a influência da Maçonaria nos rumos do futuro país são expostos de maneira objetiva, resultando numa rápida compreensão extraída graças a fluidez com que Laurentino alinhava cada capítulo subsequente, satisfazendo até o leitor mais ávido por informação [teoricamente, o acadêmico]. 1822 não poderia deixar de cobrir o fatídico romance/concubinato do Imperador D. Pedro I com a Marquesa de Santos, Domitila de Castro; romance este que, de tão intenso influenciou os rumos do futuro Brasil por meio das escolhas feitas pelo Imperador, porém pautadas em pedidos da Marquesa, tendo consequências inclusive na luta de D. Pedro com seu irmão absolutista Miguel que havia saído escorraçado do Brasil para entrar na História portuguesa como herói.

Dom Pedro é a figura central do livro como não poderia ser diferente, contudo a intenção do livro não é montar uma biografia do Imperador do Brasil.  Os temas históricos muitos bem defendidos pelo autor, prendem a atenção do leitor de maneira semelhante a uma âncora que segura o navio. Devida a agradabilidade do assunto somado a ótima escrita de Laurentino Gomes, dentro de poucos dias o leitor culmina rapidamente no último capítulo, onde fica no ar o velho clichê do "gostinho de quero mais". Esse é o segundo livro dessa trilogia que pretende explicar nossas raízes. O primeiro livro detém o título de 1808 [clique aqui e leia uma resenha elaborada por Wenndell Amaral] e será minha próxima aquisição literária.


A História do Brasil nunca despertou grande interesse no estudante primário que um dia fui. A Antiguidade era a época que maior fascínio despertava: Egito, Grécia, Roma... tendo como limite a Idade Média. Agindo em detrimento de mim mesmo auxiliado por minha ignorância, a História parava ali na Idade Medieval e continuava apenas na II Guerra Mundial, meu segundo tema preferido. Em minha incipiente mente juvenil, temas densos e complexos como a Revolução Industrial, o processo de independência dos países americanos, simplesmente não existiam e, a História nacional, ao meu ver turvo, não deveria ter serventia nenhuma uma vez que, ao meu redor, a realidade se mostrava hostil à civilidade e aberta à ignorância e a violência geradas pelos rumos da política brasileira... Finalizei o Ensino Médio em total escuridão em relação à pátria que me pariu. E o pior, como muitos, eu não me envergonhava disso... Apenas tardiamente, no decurso da faculdade de Direito, graças à convergência entre assuntos paralelos necessários ao entendimento das matérias atinentes ao curso [como por exemplo as Constituições outorgadas durante o Império] foi que me atentei tardiamente para a importância de nossa História. 

Ao meu modesto ver, foi facilmente alcançado o intento de despertar o interesse pelo conhecimento dos primórdios de nossas raízes de sangue e assim fertilizar o solo do patriotismo que anda tão improdutivo, infértil e pedregoso na atual República Federativa do Brasil, esta pátria que acha que andar para trás é progredir.

Walter A.
tempo_moderno@hotmail.com / facebook.com/Walter_blogTM
    

26 de fev de 2014

ÚLTIMAS: Ator e roteirista de "Os Caça-Fantasmas", Harold Ramis morre aos 69 anos

Harold Ramis, Ernie Hudson, Bill Murray e Dan Aykroyd em "Os Caça-Fantasmas"

O ator, roteirista, diretor e produtor de cinema Harold Allen Ramis morreu aos 69 anos em sua casa, na região de Chicago, nesta segunda-feira (24). A informação foi confirmada pela agência que representava o artista, a United Talent, por meio de comunicado.
Segundo o comunicado, Ramis morreu nesta manhã, cercado da família. A causa da morte foi complicações relacionadas a uma rara doença inflamatória auto-imune, que provoca inchaço dos vasos sanguíneos, contra a qual Ramis lutou nos últimos quatro anos. 
Ramis era conhecido por sua participação em filmes clássicos da década de 1980 e 1990. Em "Os Caça-Fantasmas" --que figura no ranking das comédias de maior bilheteria, com arrecadação de US$ 291,6 milhões de dólares em todo mundo, em valores da época--, ele foi responsável pelo roteiro e interpretou o personagem  Dr. Egon Spengler.
Com "O Feitiço do Tempo", com Bill Murray, sucesso de 1993, Ramis se tornou um nome de prestígio dentro do gênero, após dirigir, escrever e atuar no longa. Por ele, ganhou o Bafta de melhor roteiro original, prêmio partilhado com Danny Rubin. Em "Máfia no Divã", com Robert De Niro, ficou a cargo da direção e do roteiro. Em "A Sangue Frio", com John Cusack, fez piada com o gênero de suspense.
Com faro para comédias, Ramis sempre colaborou de alguma forma em filmes do gênero. Ele atuou em "Melhor é Impossível" e dirigiu "Endiabrado", "Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias" e "Ano Um", se tornando uma referência declarada do ator Adam Sandler e do diretor Judd Apatow.


"Quando eu tinha 15 anos, eu entrevistei Harold para minha estação de rádio na escola. Ele era a pessoa que eu queria ser quando eu crescesse ", disse Apatow , que mais tarde dirigiria Ramis em "Ligeiramente Grávidos".

O diretor e ator Jon Favreau, que trabalhou com Ramis, disse que ele fará falta. "Não, não, não Harold Ramis", ele tuitou. "Ele era genuíno. Ao crescer, seu trabalho mudou minha vida."O ator Billy Crystal, que atuou no filme "A Máfia no Divã", de Ramis, declarou que foi triste ouvir a notícia. "Um ator e diretor brilhante, engraçado. Um pai e marido maravilhoso. Grande perda para todos nós", tuitou.
Ramis lutava contra a doença desde 2010, quando parou de produzir. Seu último trabalho não foi no cinema, mas sim, na televisão, marcando sua volta na plataforma que lançou sua carreira, na década de 70, como roteirista na "Second City Television". Em 2010, ele dirigiu o episódio "The Delivery: Part 2" da série "The Office". Ele também mantinha o desejo de produzir a terceira parte de "Os Caça-Fantasmas".
Ramis deixa a mulher, Erica Mann Ramis, os filhos Julian e Daniel, a filha Violet e dois netos.

25 de fev de 2014

Série Especial: FILOSOFIA - p.11

XI

- Tomás de Aquino [1225 - 1274]


Durante a Idade Medieval, a filosofia ocidental gravitou em torno dos ensinamentos de Santo Agostinho. Enquanto isso, do outro lado do mundo tanto o médio quanto o extremo oriente, floresciam em termos filosóficos [serão objetos de discussão no próximo cap. dessa série]. Ideias complementadoras só vieram aparecer no crepúsculo do Medievalismo tendo como principal pensador o Doutor da Igreja [Doctor Communis], Tomás de Aquino. Padre dominicano, filósofo, teólogo, e proclamado santo. Esse é um resumo do resumo sobre quem foi esse sábio homem. Pessoa excepcional de imensurável valor, legou-nos seus pensamentos/ensinamentos de igual, quem sabe até de valor mais elevado, que sua importante personalidade terrena.

Nascido na região atual do Lácio [Itália] vindo de uma família tradicional do Sacro Império Romano-Germânico [os Hohenstaufen por parte de mãe], diferentemente dos irmãos não seguiu carreira militar; conforme a tradição sulista italiana, o filho mais novo de uma família nobre deve servir a Deus. Assim, aos 5 anos já estudava na abadia de Monte Cassino e aos 13 anos já frequentava a Studium Generale [Universidade] em Nápoles entrando em contato com os pensamentos de Aristóteles, Maimônedis, entre outros. Aos 19 anos, desobedecendo seus ascendentes, entra para a ordem fundada por Domingos de Gusmão passando a viajar de Nápoles à Colônia e à Paris, onde foi apelidado de "boi mudo" por Santo Alberto Magno seu mestre; este, admirado com a inteligência de Tomás, brincava: "quando esse boi mugir, o mundo inteiro ouvirá e seu mugido". Ainda em Paris foi mestre na Universidade de Paris durante o reinado de Luís XIV.

O santo tinha razão. Aquino entra alinha as vertentes dos pensamentos de Aristóteles com o Cristianismo, introduzindo assim o aristotelismo à escolástica medievalista vigente, dando diretrizes filosóficas para a teologia ao passo que confirmava o materialismo de Aristóteles. Escreveu duas obras [Summa theologiae e Summa contra gentiles] que servem para organizar a filosofia e a teologia da época em que estava inserido. A Igreja passava a deter, a partir das idéias de Tomás, uma teologia [fundada na revelação] e uma filosofia [fundada no exercício da razão humana] que se condensam numa síntese basilar de tudo: fé e razão. Estas, detentoras de caminhos comuns em direção ao motor de tudo: Deus.

Para Tomás de Aquino, tanto a filosofia quanto a teologia não podem ser substituídas uma pela outra nem se opõem; seus pensamentos ditavam uma rígida harmonia entre fé e razão, sendo vedado que ambas se contradissessem: toda a criação é boa, tudo que existe é bom por participar de ser de deus. O mal é uma ausência de perfeição devida  a essência do mal é a privação ou ausência do bem. Seu legado transpassa sua filosofia e teologia, com ensinamentos acerca da Antropologia, uma teoria do conhecimento, e conselhos políticos [Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre que se contrapõe eticamente a O Príncipe de Maquiavel].

Usando a razão é possível demonstrar a existência de Deus usando as cinco vias de demonstração apregoadas por Aquino: 

Primeira via, Primeiro Motor Imóvel: tudo que se move é movido por algo ou alguém. É impossível uma cadeia infinita de motores acionando os movidos, pois cada qual precisaria de um anterior que o impulsionasse, numa sequência regressiva sem fim, e nunca se chegaria ao movimento atual. Logo, é preciso que haja um primeiro ser que tenha dado início ao movimento existente e que não tenha sido ele próprio movido por ninguém. Este ser é Deus.

Segunda via, Causa Primeira: decorre da relação de causa e efeito que se observa nas coisas criadas. Todo efeito requer uma causa. E é necessário que haja uma causa primeira que não tenha sido provocada por algo anterior. Sem ela não haveria nenhum efeito, pois cada causa pediria outra, numa sequência infinita. Deus é a causa primeira de todas as coisas.

Terceira via, Ser Necessário: há seres que podem ser ou não ser. Os seres que têm possibilidade de existir ou não existir são chamados entes contingentes. Se todos os entes que vemos na natureza têm a possibilidade de não ser, houve tempo em que nenhum deles de fato existiu. Mas se nada existiu, nada poderia existir hoje, pois o que não existe não pode passar a existir por si mesmo. O que é evidentemente falso, visto que as coisas contingentes agora existem. Algum ser primordial deve necessariamente existir para depois dar origem aos entes contingentes. Se a existência dessa entidade dependesse da existência prévia de outra, formar-se-ia uma série infinita de seres ancestrais, o que já vimos que é impossível. Portanto, tudo é contingente. Só Deus é necessário.

Quarta via, Ser Perfeito: verifica-se que há graus de perfeição nos seres — uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros ou mais belos que outros. Qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo. Ora, aquilo que é máximo em qualquer gênero é a causa de tudo o que há nesse gênero. Por exemplo, o fogo que tem o máximo calor traz em si todos os graus de quentura, conforme Aristóteles. Logo, deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que seja a causa da perfeição dos demais seres. Deus é o ser perfeito.

Quinta via — Inteligência Ordenadora: há uma ordem no universo que é facilmente verificada. Ora, toda ordem é fruto de uma inteligência. Não se chega à ordem pelo acaso, nem pelo caos. Por exemplo, uma flecha não pode buscar o alvo por si mesma. Ela tem que ser direcionada pelo arqueiro (ou ainda: a existência do relógio é a prova da existência do relojoeiro). Logo, tem que haver um ser inteligente que ordenou o universo. Deus é a inteligência suprema.

A Verdade

Tomás de Aquino concluiu que a descoberta da verdade ia além do que é visível: a verdade é definida como "a conformidade da coisa com a inteligência". Antigos filósofos acreditavam somente o que poderia ser visto. Tomás já questionava que a verdade era todas as coisas porque todas são reais, visíveis ou invisíveis. Exemplo: uma pedra que está no fundo do oceano não deixa de ser uma pedra real e verdadeira só porque não pode ser vista. Aquino concorda e aprimora Agostinho de Hipona [Santo Agostinho]  quando afirma "a Verdade é o meio pelo qual se manifesta aquilo que é". A Verdade está nas coisas e no intelecto e ambas convergem junto com o ser. O não-ser não pode ser verdade até o intelecto o tornar conhecida, ou seja, através da razão. Tomás chega a conclusão que só se pode conhecer a verdade se você conhece o que é o ser.

A verdade é uma virtude, como afirma Aristóteles, contudo, o bem é posterior a verdade. Isso porque a verdade está próximo do ser, o sujeito ser do bem depende do intelecto, "racionalmente, a verdade é anterior". Exemplificando: o intelecto apreende o ser em si; depois, a definição do ser, por último a apetência [vocação] do ser. Ou seja, primeiramente a noção do ser, depois a construção da verdade e por fim, o bem. No tocante a eternidade da verdade, Agostinho e Tomás de Aquino discordam em partes. Para aquele, a verdade é definitiva, imutável. Já para este, a verdade é consequência de fatos causados no passado. Seguindo a trilha desse raciocínio, suprimindo-se esses fatos passados, a verdade se desfaz da existência. Tomás usa-se do seguinte exemplo para solidificar sua ideia: A frase "Sócrates está sentado" é a verdade. Seja por uma matéria, uma observação ou análise, ele está sentado. Ao se levantar, ficando de pé, ele deixa de estar sentado. Alterando a verdade para a segunda opção, mudando a primeira. Contudo, ambos concordam que na verdade divina a verdade não pode ter sido criada, já que Deus sempre existiu, não pode ser desfeita no passado, portanto é imutável.

Direito e Lei

O Direito para Tomás de Aquino visa estabelecer de maneira plena a justiça, a busca por ela, que em contraponto se interessa em estudar o Direito. Toda via, o que é justo por natureza não pode estar contido plenamente no Direito. Segundo o filósofo, deveríamos nos basear no princípio: dar a cada um o que é seu por direito. Deve ser predominante a vontade perpétua e constante de dar a cada um, o que lhe pertence, pois as pessoas não são materialmente iguais. A igualdade é uma relação entre pessoas e pessoas e não entre pessoas e coisas. A sentença do juiz é como se fosse uma lei particular aplicada a um fato particular, e apenas o juiz tem competência para decidir aplicando a justiça [julgamento], ato por qual se estabelece o que é justo ou direito, na medida e nos limites de seu poder.

O ato de julgar é ilícito para aqueles que não possuem poder para tanto. Esse processo foi denominado Regime de Leis, onde o julgamento deve ser produzido de acordo com a reta razão [prudência]. Esse Regime de Leis julgava entre outras coisas: a propriedade, o matrimônio como direito natural, a legítima defesa como uma força proporcional a ser utilizada para repelir uma injustiça ou agressão, o estado de necessidade como um delito de menor gravidade. A prisão, pena de morte e a amputação, não contrariavam o direito natural mas eram utilizadas na proporção devida, além de propor que o advogado não deveria atuar em causas injustas, pois aquele que comete um delito deve ser punido.

Tipos de lei:

- Lei Eterna: imutável, onde os deuses eram responsáveis por tudo.

- Lei Natural: preenche o divino, existe da natureza e sua força está em si mesma.

- Lei das gentes: lei racional; só os homens tinham direito sobre ela.

- Lei humana: convenção corrente com a lei natural; deve exibir uma justiça legal, usando do bem comum para proteger o bem particular e podendo ser executada por força coercitiva.

Ética

Seguindo o pensamento de Tomás de Aquino, ética consiste em agir com a natureza racional. Todo o homem é dotado de livre-arbítrio, orientado pela consciência e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal [facere bonum opus et vitare malum]. A ética de Aquino tem como base a atuação da razão como proveniente de Deus. O santo afirma que o homem tem uma finalidade e consciência de seu fim. Isso mostra que é dotado do dom da razão e que unida à espiritualidade inata, o coloca no âmbito moral. Tomás afirma que existe no Ser Humano uma tendência racional elevando-o e que a vontade humana tende ao bem universal, ou seja, a Deus. Ao afirmar sua ética, São Tomás diz que a vontade humana é livre e, que pode escolher conforme afirmara o Santo Bispo Agostinho. Porém, para São Tomãs de Aquino, bom era aquilo que não contraria a razão, sendo esta por sua vez, proveniente e Dom de Deus. A virtude, para o filósofo, é aquilo de acordo com a lei, a inclinação para o bem.

Pensamento

Tendo como base um conceito aristotélico [acerca da teoria segundo a qual todos os seres corpóreos são compostos por matéria e forma], Tomás de Aquino desenvolve uma concepção hilemórfica do ser humano, definindo-o como uma unidade formada por dois elementos distintos: a matéria primeira [potencialidade] e a forma substancial [o princípio realizador]. Esses dois princípios unem-se na realidade do corpo e da alma do ser humano, não sendo possível a existência de ninguém sem esses dois elementos. 

A concepção hilemórfica é coerente com a crença segundo a qual Jesus Cristo, como salvador de toda humanidade, é ao mesmo tempo plenamente humano e plenamente divino. Seu poder salvador está diretamente relacionado com a unidade, no homem ou na mulher, do corpo e da alma. Para o filósofo, o conceito hilemórfico do homem implica o hominização posterior, que ele professava firmemente: uma vez que corpo e alma se unem para formar um ser humano, não pode existir alma humana em corpo que ainda não é plenamente humano.

O feto em desenvolvimento não tem a forma substancial da pessoa humana. Tomás de Aquino aceitou a ideia aristotélica de que primeiro o feto é dotado de uma alma vegetativa, depois, de uma alma animal, em seguida, quando o corpo já se desenvolveu, de uma alma racional. Cada uma dessas "almas" é integrada à alma que a sucede até que ocorra, enfim, a união definitiva alma-corpo. Acompanhemos as próprias palavras de Aquino:

"A alma vegetativa, que vem primeiro, quando o embrião vive como uma planta, corrompe-se e é sucedida por uma alma mais perfeita, que é ao mesmo tempo nutritiva e sensitiva, quando o embrião vive uma vida animal; quando ela se corrompe, é sucedida pela alma racional induzida do exterior (…) Já que a alma se une ao corpo como sua forma, ela não se une a um corpo que não seja aquele do qual ela é propriamente o ato. A alma é agora o ato de um corpo orgânico".


Não obstante a sua crença na animação tardia e infusão da alma, Tomás de Aquino também ensinava que a prática do aborto era errada desde o momento da concepção, adicionando-a ao rol dos pecados mortais já que é a manifestação de uma vontade homicida, mesmo que, como ele pensava, o homicídio não fosse cometido nos primeiros estágios da gravidez. A ideia de a infusão da alma ocorrer só depois da concepção é fundamentada na ciência da época, que apregoava a teoria da geração espontânea da vida [a vida brota espontaneamente da matéria não viva]. Aplicada à reprodução humana, esta teoria sugeria que os elementos não-vivos de contribuição de cada genitor - "matéria fetal", no caso da mãe e "fluído seminal" no do pai - eram sucessivamente transformados de matéria não-viva em vida vegetativa, vida animal e finalmente, em vida humana.

Porém, os primeiros cientistas não tinham acesso a microscópios nem nada conheciam de genética e não observavam nada distintamente humano nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário, concluindo então que não havia alma humana presente. A Biologia moderna tem demonstrado que o "concepto" possui traços distintamente humanos: o feto vive e possui um código genético humano para guiar seu crescimento e desenvolvimento. Caso Tomás de Aquino obtivesse acesso a esses dados, seria levado a concluir que a infusão da alma se dava no momento da concepção.

Fonte: Filosofia, Marilena Chaui e Wikipedia

Walter A.
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14 de fev de 2014

FILME: A QUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER

- Der Untergang, 2004 [drama/guerra]
- Dir.: Oliver Hirschbiegel
- Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Corinna Harfouch, Ulrich Matthes
- Dur.: 155min.


Apesar de ultrapassado(!) para alguns, graças em grande parte à enxurrada de filmes hollywoodianos, a Segunda Grande Guerra deixou tamanho legado de inspirações para artistas, estudiosos e etc. tentarem chegar o mais perto possível da verdade daqueles macabros eventos bélicos. A II Grande Guerra foi,tanto para o sociedade ocidental quanto para a oriental, o que um buraco negro é para uma galáxia: uma força desintegradora de tudo daquilo que cair em seus domínios.

Nos últimos anos foram editados alguns livros de onde brotam as teorias de ter Hitler conseguido escapar da Alemanha sitiada pelos comunistas soviéticos com apoio logístico dos serviços de inteligência dos EUA e da Inglaterra, instalando-se na Argentina fascista e vivendo no anonimato, morrendo anos depois. Mesmo com o advento dessas evidências acerca do destino do frio líder nazista, a versão oficial que consta nos livros de História é a de que Adolf Hitler suicidou-se no führerbunker junto com sua mulher Eva Braum em Berlim.

Teorias expostas nos livros acima citados sustentam que quem morreu naquele bunker em 30 de abril de 1945 foi um dos sósias do Führer, milimetricamente treinado para literalmente ser Hitler em suas últimas horas no comando do arruinado III Reich. 

Bruno Ganz interpretando Hitler: enorme semelhança física
São essas últimas horas, na verdade últimos 10 dias oficiais, que o diretor Oliver Hirschbiegel reproduz com maestria em A Queda. Explorando a magistral técnica materializada na pessoa do ator alemão Bruno Ganz na interpretação de Adolf Hitler, o roteiro de Bernd Eichinger revive do modo eloquente aquelas sinistras últimas horas de maneira metódica até, porém esse fato não interfere na captação total da atenção do espectador durante cada minuto de duração, visto que, através das demais interpretações acima da média, principalmente de figuras como Goebbels, Himmler [cujas fisionomias de seus representantes dramáticos, assim como a de Bruno Ganz, são simetricamente parecidas com seus originais] e trupe do alto comando nazista infundem ainda mais valor ao filme.

Mesmo com a guerra como pano de fundo, os combates bélicos são deixados em segundo plano já que tata-se de um filme dramático, onde a enfase é dada ao viés psicológico das principais figuras que controlavam a máquina de guerra alemã, tendo como expoente mor, Hitler. Baseado em depoimentos de quem sobreviveu aos últimos dias, como a secretária pessoal de Hitler à época Traudl Junge, nos livros escritos pelo historiador Joachim Fest e pelo médico-oficial da SS Ernst Günther Schenck, entre outros, é possível aproximar-se minimamente da ideologia genocida sedenta de poder que guiava os representantes do povo alemão.

É possível acompanhar a contraposição de sentimentos nos últimos momentos da II Guerra: em determinada tomada, fica evidente o descontrole psicológico no momento em que Hitler, ao ser informado que a artilharia do exército russo já controlava boa parte de Berlim, bradava a todos pulmões que brevemente chegariam reforços que acabariam com a artilharia do Exercito Vermelho; em outro momento de demonstração onírica dos pensamentos de Hitler, o sanguinário ditador afirma categoricamente [mesmo já informado da destruição completa de sua Força Aérea]  que "logo chegarão milhares de caças para aparelhar nossa Luftwaffe e em seguida atacaremos Londres e derrotaremos os russos",  demonstrando claramente que um tipo de megalomania psicótica havia a muito dominado-o. Em contraposição, nenhum de seus asseclas, mesmo os ocupantes de altos cargos no governo Nazi, não tinham em si um mínimo de coragem para brecar os delírios de um homem egocêntrico em franca derrocada, entregando à própria sorte a população alemã já praticamente derrotada e sub-julgada pelos russos. 

Alicerçado em fragmentos documentais em torno da figura histórico-oficial de Hilter, é exposto o evidente ódio que o führer nutria não só aos judeus, gays, negros e etc. nos momentos finais da guerra, o próprio povo alemão transformou-se em malquisto, muitos inocentes julgados e condenados por Hitler como verdadeiros culpados na derrota. Em determinada passagem, é destaque a veemência com que o ditador nazi-socialista [sim, ao contrário do que dizem a maioria dos livros, a Alemanha nazista foi um estado fascista de esquerda e não de extrema direita como tentam inculcar nos incautos] nega a rendição, que caso estivesse vindo evitaria o funesto fim melancólico de guerra, onde os principal vilipendiado foi o povo alemão, com destaque para as mulheres, crianças e idosos, que o elegera como um salvador e acabaram sendo guiados para a ruína: "nada devo ao povo", chega a dizer Hitler em certa hora.

As declarações anti-semitas tornam-se diminutas comparadas com as teorias de superioridade dentro de sua própria raça ariana vindos à tona no momento que Hitler é questionado sobre os civis inocentes perecendo nas últimas combalidas linhas de combate: "(...) deixem que morram! Afinal, os melhores de nossa espécie morreram em batalha. O que temos agora são apenas os fracos, o resto da espécie!" Hitler foi figura paradoxa [detentora de graves patologias mentais, em minha insignificante opinião]. Suas ideias destrutivas que demandavam atos cruéis, se defrontam com atitudes amáveis com as pessoas mais próximas: sua esposa, sua secretária, seus cachorros pastores-alemães. "Para o mundo, todo o ódio. Para os meus, todo o amor...". Talvez essa dicotomia tão bem delimitada seja o motivo de tanta idolatria à sua volta. 

A película consegue mostrar que até aqueles homens de gelo de coração negro, sentiam medo, esse sentimento que eles sabiam infligir tão bem em seus próprios compatriotas e demais nações dominadas. E como todo animal acuado e atemorizado, cometeu atos em defesa da própria espécie: Hitler preferiu usar o suicídio como porta de entrada na História, perpetuando assim sua ideologia [de fato a esquerda só cresceu depois da II Guerra]. Ao contrário, o escárnio posterior à derrota, caso o Alto Comando Alemão fosse capturado vivo, seria uma afronta à sagrada lealdade nazi-socialista, servindo eles mesmo de exemplo negativo de suas ideologias, caindo facilmente no limbo de esquecimento. Destaque para alguns oficiais dissidentes da SS que, não tendo a coragem covarde de tirar a própria vida, caíram na esbórnia enquanto Berlim caia em pedaços.

Dos civis lotados naquele bunker que nada tinham a ver com aquele banho de sangue e que tão bem representavam o restante da população alemã que encontrava-se refém desses lunáticos assassinos, temos como exemplos de funestos destinos os filhos - crianças entre 5 e 13 anos - de Joseph Goebbels [Ministro da Propaganda nazi-socialista que assumiu o cargo de chanceler após o suicídio de Hitler] terrivelmente envenenados com cápsulas de cianureto enquanto dormiam pela própria mãe, Magda. É um filme forte no sentido do choque com aquela amedrontadora realidade daqueles anos tenebrosos. Ao mesmo tempo que a película, como já disseram alguns críticos, humaniza Adolf Hitler, cumpre magistralmente seu papel de reproduzir o regime de destruição e morte que foi o Nazismo [regime de cunho esquerdista, que fique bem claro, tão voraz por poder quanto seus irmãos ideológicos Mao Tse Tung, Polt Pot, Stalin...]. Destruição e morte que de tão diabólicas, não polparam nem seus criadores.

Walter A.
tempo_moderno@hotmail.com / facebook.com/Walter_blogTM

13 de fev de 2014

ÚLTIMAS: Idosa descobre que carrega feto sem vida em seu abdômen há 44 anos

Uma idosa de 84 descobriu que carrega um feto em seu abdômen há 44 anos. A descoberta foi feita em uma Unidade de Saúde da Família de Natividade, no Tocantins, após um raio-x pedido por conta de mal estar. 

De acordo com a ginecologista Gesneria Saraiva Krakta, em entrevista ao portal G1, a mulher sentia fortes náuseas no dia em que descobriu o feto. A explicação é que a idosa, que não se identificou, teve uma gravidez ectópica (fora do útero) e, com o passar do tempo, após a morte do feto, o organismo se adaptou com sua presença.

Ainda de acordo com Gesneria, esse tipo de caso é tão raro que pode ser considerado sobrenatural. Ela afirma já ter visto casos semelhantes, mas nunca com tanto tempo de duração. A idosa passa bem e fará exames complementares que indicarão a possibilidade de ser realizada uma cirurgia de remoção.

Fonte: Yahoo!Noticias


3 de fev de 2014

MÚSICA: THE BLACK KEYS

- The Black Keys
- El Camino
- Nonesuch Records, 2011.


Confesso que ando bastante cético em relação a novos artistas, principalmente no tocante às bandas de rock que vão emergindo agora para as grandes gravadoras - e consequentemente para o grande público - usando como portfólio a internet, que nos últimos anos vem se transformando num enorme lixão cultural.

A primeira vez que ouvi falar do The Black Keys foi durante a realização do festival de música Loolapalooza 2013 ao lado da lendária Black Sabbath: zapeando, parei no HBO, o show do duo originário de Ohio, EUA, caminhava para o fim e a platéia ficava a cada minuto mais extasiada com a potência sonora e carisma emanados do palco. Poucos minutos de audição serviram para perceber que aqueles rockeiros ali não eram novatos na estrada devido a destreza com que tocavam, passeavam no palco e se comunicavam com o público de outra língua.

Mal as luzes se apagaram para anunciar o fim da apresentação eu já me encontrava buscando a discografia completa nas ondas do torrent. Missão primária cumprida, passei a secundária: escolher um disco e ouvir. Escolhi o mais vendido até então - esse que vos indico - não por ser o mais vendido, mas sim por ter figurado em inúmeros rankings de música, desde publicações independentes até revistas de grande circulação como a Time.

Eu estava certo quando pressenti alguns anos de estrada para o The Black Keys. El Camino é o sétimo disco da banda que debutou em 2001 com o álbum The Big Come Up, porém é com El Camino que Patrick Carney [bateria] e Dan Auerbach [guitarra e vocal] alcançam o auge de sua arte mesclando indie rock, blues, hard rock setentista em doses perfeitas derramadas em canções enérgicas calcadas nas melhores influência que uma banda de rock pode ter [Led Zeppelin, Black Sabbath, Nirvana, etc.]

A canção mais tocada do álbum nas rádios [não brasileiras, óbvio] foi Little Black Submarines uma balada que descamba para o hard rock no fim. A que mais me chamou atenção inicialmamente foi a dançante Lonely Boy com os vocais dobrados e um riff grudento de guitarra. Todas músicas do disco tem seu valor, seu brilho próprio em meio à escuridão de bandas sem identidade que emulam umas as outras. Contudo, Hell Of Season, Sister, Dead and Gone e Going On The Ceiling são as que mais chamam atenção formando um quarteto poderoso onde a bateria, guitarra e baixo e teclado se encaixam vigorosamente galopando na garupa do velho o bom cavalo selvagem [que muitos insistem em proclamar morto] chamado rock and roll.

PS: infelizmente, as novas leis de proteção autoral dos norte-americanos me impeliram a deletar o nosso famoso HDModerno - recheado do que havia de melhor na cultura - impossibilitando o compartilhamento de músicas como fazíamos com muito orgulho antes. Mas, quem tiver dificuldades em achar o torrent pra baixar, manda um email que eu desenrolo.


Walter A.

wjr_stoner@hotmail.com / facebook.com/Walter_blogTM

1 de fev de 2014

EDITORIAL: rolêzinho é uma idioticizinha.

Durante algum tempo venho me abstendo de comentar fatos do lúgubre cotidiano nacional. Não por ser um cidadão relaxado, despreocupado com os acontecimentos que guiam o presente rumo a um futuro incerto em termos culturais. Se demoro a escrever sobre essas intercorrências de desejos e vontades fugazes que vem emanando em várias partes do país sem objetividade nenhuma [onde a maioria destas descamba para a mais pura e simples criminalidade como por exemplo as manifestações pelo Passe Livre], é porque meu cérebro ainda não tinha conseguido processar informações tão rudimentares, sem lógica e com tamanho poder de auto-destruição da identidade de um povo. 

Como se não bastasse nossa cultura [ou o que restou dela] ser nivelada por baixo pelos formadores de opinião insípidos que povoam o grosso da mídia prostituída nacional, ainda temos que presenciar à disseminação de atitudes simiescas, porém altamente compatíveis com o bestial estado de derrocada cultural que vivemos. Parece ser pouco para o Brasil comportar a onda funk, os livros de auto-ajuda, os estudos acadêmicos ideológicos não-científicos,  o rap criminal, as novelas anti-cristãs, o gayzismo institucionalizado, o feminismo raivoso e depravado, etc., etc., etc.

Nesta postagem foco nessas ações sedimentadas em nada, visando resultar apenas num caos momentâneo e disseminadas pelas redes sociais através de jovens aparentemente ociosos, ainda em busca de um sentido relevante para a própria vida, como se fossem o décimo primeiro mandamento esquecido, conhecidas coloquialmente como "rolêzinho". Em tempo de exacerbado individualismo egocêntrico sádico em detrimento da moral e bons costumes, é natural, mas não aceitável [como um câncer], que surjam movimentos descerebrados como esse tal de "rolêzinho" que anda tomando um espaço inacreditável na mídia enquanto assuntos de cabal importância para a nação são entregues às moscas do esquecimento.

Em larga exposição da decadência atual, os veículos de informação contrataram senhores(as) com o direito garantido por um pedaço de papel [leia-se diploma] de se auto-intitularem "antropólogos" sem ao menos saberem o que significa o termo, para legitimar perante à mídia e à sociedade esse tipo de atitude irrelevante. Isso mesmo. É esse o estado de enganação permanente em que se encontram as coisas por aqui. E se digo que esses papagaios acadêmicos não sabem nem se identificar dentro da própria profissão que escolheram, é porque se fossem intelectuais confiáveis, teriam extrema vergonha de declarações anencéfalas propagadas a esmo, sempre entoadas como verdades universais e, infelizmente, absorvidas por nossos pares sem qualquer depuração racional.

E para não ficar apenas na exposição das intenções por trás das palavras jogadas ao vento por esses seres iluminados, segue uma entrevista  grotesca publicada pelo parcial UOL com a `antropóloga´ Rosana Pinheiro-Machado, um desses personagens endeusados pelos redatores de jornais igualmente vazios de razão de ser, quanto mais de existir que se auto-exalta por lecionar(?) na Inglaterra [sem sombras de dúvidas Oxford já foi melhor frequentada]*:   

*comentários em negrito elaborados pelo TM:


Para a antropóloga e professora da Universidade de Oxford, na Inglaterra, Rosana Pinheiro-Machado, fechar os shoppings para os "rolezinhos" é apartheid - ela faz referência ao regime de segregação racial adotado na África do Sul na segunda metade do século 20. "No fundo, o que se teme é ver o que antes não se via: a periferia negra, a pobreza e a desigualdade", afirma.
*A suposta mestra mostra não saber nada de apartheid [sendo uma antropóloga, caso de ignorância endêmica], pois a principal característica do citado sistema segregatório sul-africano era a separação total dos serviços públicos. Shopping é ambiente privado, usado pelo público é verdade. Ninguém impediu que A ou B entrasse no complexo de compras, muito menos suprimiu deles o direito de usar qualquer serviço público; impediu-se um movimento de cunho anárquico-depredatório sem nexo com a realidade destruíssem um bem privado. Apartheid não cabe nesse contexto. É dessa aberração lógica que parte a frágil retórica da pesquisadora.
UOL - Na sua opinião, por que os shoppings foram escolhidos para os "rolezinhos"?
Rosana Pinheiro-Machado - É a ocupação de um templo do consumo. O objetivo é justamente o consumo. Tudo começou como distração e diversão: se arrumar, sair, se vestir bem. Existe toda uma relação com as marcas e com o consumo, num processo de afirmação social e apropriação de espaços urbanos. Ir ao shopping é se integrar, pertencer à sociedade de consumo.


*Como não tenho nada para fazer no momento, vou tentar descer ao padrão cognitivo de Rosana e tentar vislumbrar sua visão rasa; acompanhar essa comparação escabrosa entre um sistema repressor severo com uma simples manifestação vazia de alguns moleques desocupados será divertido:  o shopping não pode ser acusado de ser sujeito ativo de uma ação segregadora pelo simples fato de qualquer pessoa [consumidor ou não] pode entrar no recinto, usar banheiros, bebedouros, ar-condicionado, ocupar mesas, etc... Além de que, não existe espaços para uso de determinada raça [ex. banheiros só para brancos]. E ninguém em especial foi barrado; apenas baderneiros.

UOL - Como você explicaria o medo entre lojistas, frequentadores e donos de shoppings?
Pinheiro-Machado -  Uma resposta simplista seria dizer que é o medo do assalto, embora não esteja ocorrendo, e a sensação de arrastão. Mas a verdade é que os lojistas e frequentadores se sentem ameaçados. O shopping sempre foi uma redoma, um lugar das elites e das camadas médias. De repente, essa paz e essa fronteira foram abaladas e no fundo se teme ver o que antes não se via: a periferia negra, a pobreza e a desigualdade.



*Aqui o erro parte dum substrato único: como uma pessoa que não estava presente a determinado fato pode explicitar em palavras o medo daqueles que presenciaram o rolêzinho? Tenho certeza que esses seres iluminados não falam sogra hipóteses metafísicas. É puro besteirol redundante sem nexo com a realidade. O pior vem na segunda parte da resposta, onde o desvario alcança picos febris: a anos, a classe média, o negro, enfim o povão consome nos shopping; melhor dizendo, são a classe média-baixa que faz girar a roda da enlameada economia, afinal, os seres pertencentes às classes média-alta e seus superiores endinheirados, simplesmente não gastam seu dinheiro por aqui, apesar de, geralmente, esses mesmos seres lucrarem bastante por essa vilipendiada terra. Sem falar que, quando os abastados querem ir ao shopping, constroem complexos milionários só para ele, parante e os amigos. Nas imagens não vejo nenhum pobre, nenhum miserável, nenhum mendicante. Quanta imaginação dessa moça! Contudo sei que isso não é desvario ou imaginação em excesso. Isso é nada mais nada menos daquilo que está escrito: um discurso pró-socialismo. E cientista com ideologia não é um ser dos mais confiáveis pois, de certo, a verdade deles será sempre condicionada aos princípios de sua ideologia...



UOL - A proibição dos rolêzinhos estaria correta? O que a atitude dos administradores de shoppings representa?
Pinheiro-Machado - Completamente errada. Eles são potenciais consumidores? Como estabelecer critérios que não sejam preconceituosos? Não se pode negar o direito de ir e vir. Eu duvido que, se diversos jovens das elites brancas marcassem encontro, algum shopping ia proibir. Isso é apartheid.



*Essa resposta deixa transparecer a parte dominante da personalidade da socióloga Rosane: o egocentrismo. Exprimir juízo de valor acerca de fatos que já não dizem respeito a sua alçada acadêmica e ainda alegar que a garantia dos direitos dos donos do shopping de preservar seu patrimônio deve ser relegada à segundo plano em favorecimento à uma luta de classes imaginária é no mínimo, loucura. A suposta mestra, afirma que tal direito reconhecido em inúmeras sociedades durante milênios, é mero "preconceito". Isso a citada pesquisadora demostra também desconhecer o significado da palavra dita acima. Inferir numa palavra significados forjados em ideologias socialistas não me parece algo ético de se fazer numa discussão imparcial, acadêmica. Não houve discriminação, uma que, como dito antes, se cada jovem fosse ao shopping sozinho, com alguns amigos, com a namorada, com a família, nada disso teria ocorrido. Mas não eles marcaram e se reuniram para simplesmente "aloprar" e tentar ofender o "sistema" [inclusive através de pequenos delitosque eles mesmos desconhecem. A mestra continua subindo na escala daquilo que chamo de delírio-ideológico [momento em que o ser já em total descompasso entre consciência e realidade] profere palavras repetidas, chavões e slogans de propagando política sem refletir acerca de nada do que diz: "Não se pode negar o direito de ir e vir." Esse direito não foi negado; foi garantido o direito das pessoas normais de frequentar o shopping sem um monte de moleques desocupados ao redor gritando palavras de "ordem". Sobre o questionamento de caso fossem jovens de elite e brancos, não há muito o que dizer: basta olhar as imagens e ver com seus próprios olhos que os negros, no maldito rolêzinho, eram também minoria. Rosana volta a citar o grave apartheid sul-africano, cujas incongruências já mostrei no início da entrevista.

UOL - O que você acha do posicionamento da PM?
Pinheiro-Machado - É um absurdo, como sempre. Não é correta quando usa a força policial e a violência para agir contra os mais fracos. É sempre assim. A única vez que a classe média tomou pau da polícia foi em junho de 2013. Pela primeira vez sentiu na pele o que sempre foi comum na periferia. Não se pode agir com brutalidade. Trata-se de um movimento social que deve ser tratado com cautela. De modo geral, existe um rancor não apenas da policia, mas de grande parte da sociedade brasileira, segundo tenho acompanhado em milhares de comentários, que pedem agressão contra esses jovens considerados vagabundos. É uma apologia à violência.


*Mais uma vez a pesquisadora envereda por terrenos que nunca antes caminhou... Como todo bom brasileiro, gosta de exprimir suas superficiais opiniões obtidas sem conhecimento real daquilo que se fala: o que essa senhora de mente rasa entende de policiamento? Nada, suponho. Então como emitir juízo de valor acerca da atitude da PM no fato? Ela alega que o shopping usou a polícia contra os mais fracos, porém omite o fato de os outros usuários do mesmo shopping terem apoiado a ação da polícia pois coibiu atos de delinquência.  Rosana age como um advogado de algum marginal detido durante o rolêzinho... Tomar parte assim sem ouvir os outros lados [outros usuários e donos do shopping] é, no mínimo, imprudente e amoral. Nos protestos [vazios de significados, recheados de simbolismo vulgar] quem sentiu a força desmedida da PM foram os vândalos depredadores e seus asseclas [infelizmente sobrou um pouco de violência pra imprensa também]. As pessoas de bem que estavam protestando saíram de perto quando a coisa descambou para a anarquia. E outra coisa mestra Rosana, rolêzinho não é movimento social. É difícil a senhora acertar as colocações... Movimento social é denominação técnica que exige para enquadramento uma ação coletiva de setores da sociedade organizados [a mestra pode me mostrar onde estava a organização ali no rolêzinho se nem líder se tinha?]  visando defesa ou promoção de direitos [geralmente trabalhistas ou sociais como exemplo exigência de horas extra a determinado grupo de trabalho ou melhor funcionamento de hospitais e escolar]. Se a ignóbil antropóloga não atenta para esses pré-requisitos, se demonstra a deficiência intelectual que possui para absorver ensinamentos básicos de moral e ética, pois do pressuposto da mesma, qualquer aglomerado de pessoas desocupadas badernado pode receber a denominação política de Movimento Social. Minha senhora, seu caso está se mostrando clínico.

 UOL - Os "rolezinhos" podem acabar em arrastões e violência?
Pinheiro-Machado - Não. Acredito no oposto: que esse rolezinhos estão se politizando por causa da reação e serão cada vez mais políticos como forma de protesto e ocupação de espaço.  E não assalto. Esses jovens da periferia sempre foram a shoppings e nunca assaltaram. Não tem por que fantasiar, isso é medo fantasioso. Os assaltos ocorrem noutros lugares.

*Aqui a premissa falsa parte do lado do jornalista: os primeiros detidos no primeiro rolêzinho noticiado, foram presos justamente por agirem em concorrência para roubar e assaltar. Se daí viria a violência parece-me apenas questão de tempo. Ou seja, o jornalista se mostra despreparado pois fatos criminosos já haviam acontecido. E a mestra Rosana insiste no erro ao proferir, sem a mínima reflexão, que "rolezinhos estão se politizando como forma de protesto e ocupação de espaço". Senhora de neurônios dicotômicos, aqueles jovens desocupados estavam protestando contra que? Contra quem? Suponho, que se protestavam por algo, o que duvido muito, era contra os preços altos dos tênis, roupas e gadgets eletrônicos que não podem comprar... E sobre a ocupação de espaço, teriam eles direitos em ocupar um espaço já ocupado por outros cidadãos? Para Rosana, sim, eles tem esse direito, porque eles acham que sim. Essa comunidade acadêmica moderna me dá nos nervos... Segui-mo-nos para a última pergunta da entrevista desconstrucionista:

UOL - Grupos de calouros e veteranos da FEA-USP fazem um ato no shopping Eldorado todos os anos como parte da recepção aos calouros. A senhora vê alguma semelhança entre os "rolezinhos" e esses trotes universitários? E quais são as principais diferenças?
Pinheiro-Machado - Acho que, de um lado, você tem as camadas médias que ninguém teme. E ninguém pensa em assalto e nem tanto na tal desordem. O rolezinho é outra coisa, é uma continuidade dos passeios de grupos juvenis da periferia que vão cantar e namorar no shopping. Coisa de meninada. Mas tomou uma grande dimensão. E, por isso, acaba se tornando outra coisa, um movimento mais politizado, um protesto contra a exclusão e o preconceito. São movimentos parecidos no sentido de que se trata de um agrupamento jovem e ritualístico -- de um lado, é admirado, e, no outro, temido.

*Aqui a antropóloga destila toda sua ignorância diplomada para resumir o rolêzinho, ato sem fundamento lógico ou prático, em "passeio". Rosana vai além: compara o rolêzinho a outro ato de jovens, uma trote de calouros [ato com significado comparado ao vazio do rolêzinho]. Tudo bem que a pesquisadora deve residir em alguma cidade da Inglaterra à milhares de quilômetros daqui, contudo, não se informar antes sobre aquilo se fala em público é um ato de canalhice intelectual.  E para finalizar essa teoria esdrúxula exposta, a mestra afirma que o povo tem medo dos rolezinhos porque é feito por pobres e negros, enquanto os trotes acadêmicos são feitos por gente rica e branca enquanto volta ao argumento de "movimento social politizado"... Pois é amigos, não é só por aqui que a cultura superior virou inferior. A ignorância, estupidez e intolerância à inteligência é disseminada ad infinitum no mundo não só pela mídia prostituída, mas também pelos próprios pensadores que, apesar do dever supremo de iluminar, trabalham incessantemente nas universidades para jogar às sombras a Verdade, a tantos milênios buscada pelos verdadeiros amantes do saber. Não era necessário tanta cobertura inundando nossos subconscientes com essas inversões de valores subliminares [quebra da ordem e consequente esfacelamento da sociedade Ocidental] para uma ação tão tresloucada em comparação com as necessidades básicas da nação que andam sem publicidade.

PS: Uma pessoa que usa hífen no sobrenome para afirmar o já óbvio [o acréscimo da alcunha do marido ao nome da esposa], não é digna de confiança.


Janeiro, 2014

Walter A.
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