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30 de dez de 2010

Livro: Curral da Morte

Curral da Morte
Autor: Jorge Oliveira
2010
Editora: Record

"Bandido? Sou sim. Mas você é muito mais do
que eu porque paga para mandar matar!" - Zé Crispim


A historiografia brasileira tende a renegar fatos não gloriosos, são poucos os livros didáticos que contam fatos históricos de maneira não fantasiosa ou deturpada do que cogita-se o mais próximo da realidade. Mas alguns fatos sequer são contados, apesar da importância que tem na construção da sociedade ao qual estão inseridos. Assim, são fadados ao esquecimento com o decorrer do tempo e consequente desconhecimento pelas gerações posteriores.

Curral da Morte resgata um emblemático e importante fato da história do Estado de Alagoas, o tiroteio ocorrido na Assembleia Legislativa de Alagoas no dia 13 de setembro de 1957, durante sessão que votaria o impeachment do Governador Muniz Falcão (Governador de Alagoas no período de 1956-1961), tal embate dizimou famílias e deixou um rastro de sangue, principalmente na cidade sertaneja de Palmeira dos Índios/AL.

As causas do fato, os desdobramentos, as tramas, a vingança, as artimanhas dos pistoleiros, a fama destes, são contadas em ritmo de filme, que envolvem o leitor em cada troca de tiros até o fechar do caixão.

A história remete no decorrer dos acontecimentos a vida de personagens da história política alagoana, tais como Arnon de Mello, Silvestre Péricles de Góes Monteiro, Muniz Falcão, Teotônio Vilela, Geraldo Sampaio; entre outras figuras como Zé Crispim, Zé Gago, Tenório Cavalcanti - conhecido como O Homem da Capa Preta; assim como o funcionamento do Sindicato do Crime, organização do crime organizado alagoano composta por poderosos coronéis, latifundiários e políticos, que durante anos comandou fraudes a eleições e homicídios em todo o estado.

Entender a origem dos estigmas nem sempre é fácil, essa é a proposta de Curral da Morte do autor alagoano Jorge Oliveira, ele que já ganhou dois prêmios Esso de Jornalismo; é diretor do filme "Perdão Mister Fiel", vencedor do prêmio de melhor filme de Brasília no 42º Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro; também é colunista do semanário Extra Alagoas, conseguiu registrar seu nome na historiografia alagoana, com uma obra de valor inestimável não só para os caetés.

Bruno Monteiro
@bcmonteiro

20 de dez de 2010

10 filmes, 10 livros

Fim de ano é assim, quase todo mundo criando suas listas de melhores/piores etc. Entendo que esse é um ótimo exércio de memória e de reflexão sobre com o que andamos perdendo nosso tempo durante o ano que está chegando ao fim.

Asim sendo, segue abaixo duas listas com os 10 melhores (na minha opinião e na opinião de um amigo) de 2010.

A primeira lista trata dos 10 filmes de 2010, mas adianto que, obviamente, não pude assistir todos os lançamentos do ano, muito não chegou ao meu alcance e outro tanto não tive como assistir mesmo, dai fiz a seleção entre os que consegui acompanhar. A outra lista diz respeito aos 10 melhores livros do ano na opinião do jornalista Hugo Oliveira.

FILMES:

A Rede Social (The Social Network, de David Fincher). Narra a fundação do website Facebook. Tem roteiro baseado no livro de não-ficção The Accidental Billionaires, de Ben Mezrich. Filme com uma das melhores recepções do ano, boas atuações, a cereja que faltava no bolo do criador do Facebook.





Tropa de Elite 2 (Tropa de Elite 2: O Inimigo agora É Outro, de José Padilha). O diretor também escreveu o roteiro, juntamente com Braulio Mantovani e é estrelado por Wagner Moura. Acho que em 2010 não teve pra nenhum estrangeiro, Tropa 2 foi o melhor que pude assistir, uma produção histórica, tanto do ponto de vista cinematográfico, quanto social.





Kick-Ass - Quebrando Tudo (Kick-Ass, de Matthew Vaughn). Com roteiro baseado na história em quadrinhos de mesmo nome, conta a história de um adolescente normal que decide tornar-se um super-herói por influência das histórias em quadrinhos. É divertido e extremamente bem realizado. A garotinha Chloe Moretz (Hit Girl) atua muito bem. Creio que Tarantino, depois de ver Kick-Ass, ficou roendo as unhas por não tê-lo dirigido.



Robin Hood (Robin Hood, de Ridley Scott). Aborda mais uma vez a lenda do herói inglês, dessa vez com um tratamento mais humano. O diretor remonta os fatos históricos encaixando a figura de Hood nos acontecimentos. O filme sofreu muitas críticas, mas gostei muito da narrativa imposta, do retrato histórico bem produzido.





Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil : Afterlife, de Paul W.S. Anderson). Quarto filme baseado na série de jogos da Capcom, Resident Evil, mais um estrelado por Milla Javovich. Resident Evil é um dos meus games prediletos. Apesar de nenhum dos filmes baseados na série alcançar a qualidade dos jogos, esse foi o que mais me agradou. Tem poucas e boas sequências de ação e consegue remeter um pouco mais aos roteiros dos games.



Um Lugar Qualquer (Somewhere, de Sofia Coppola). Até onde sei este novo longa de Sofia Coppola não estreou no Brasil, a não ser pela exibição no Festival de Cinema do Rio deste ano. Ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, contudo deixou impressões extremamente divididas entre os críticos e expectadores. Talvez Sofia Coppola deva sofrer com essa inconstância pelo resto da carreira, mas esse filme tem qualidade. Não é o melhor dela, mas justamente por ser dela, merece constar aqui.



O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, de Roman Polanski). Suspense baseado no livro de mesmo nome de Robert Harris. Ewan McGregor interpreta esse personagem, sem assinatura, que assume uma tarefa interrompida por seu antecessor: escrever as memórias de um poderoso político britânico. Por se tratar de um filme de Polanski, o clima de tensão é total. Ewan McGregor e Pierce Brosnan com ótimas atuações.




Scott Pilgrim vs. the World (Scott Pilgrim vs. the World, de Edgar Wright). Baseado na história em quadrinhos Scott Pilgrim, criada por Bryan Lee O'Malley, narra a história do próprio Scott Pilgrim, baixista da banda "Sex Bob-omb", jovem que começa a desvendar o amor e a lidar com as relações humanas, tudo de um jeito bem "pop" e muito divertido, com uma estética de videogame que garantiu um visual original e empolgante. A horoína Ramona Flowers me lembrou de Clementine de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, com seus cabelos que mudam de cor.


A Origem (Inception, de Christopher Nolan). Ficção científica com grande e famoso elenco, com muito tempo de desenvolvimento, somente sendo acabado em 2010. O diretor montou um universa complicado mas fez questão de detalhar seu funcionamento no decorrer do filme e, ao meu ver, essa escolha não tira a qualidade da ideia. Bem filmado, com cenas surreais.




Ilha do Medo (Shutter Island, de Martin Scorsese). O título nacional sugere um suspense sobrenatural e talvez já deixe o expectador entrar involuntariamente no jogo de espelhos que é o filme. A qualidade está no modo de apresentar a história. Claro que se você descobrir o desfecho antes do final não terá a mínima graça.






LIVROS:

Solar – Ian McEwan.

O ano é 2000. A maré de más notícias sobre o clima e o aquecimento global inunda o noticiário. Michael Beard, cientista consagrado e prêmio Nobel de física, não parece nada preocupado. Seus interesses atuais se limitam a fantasias eróticas - concretizadas ou não -, bebida e mesa farta...



Vício inerente – Thomas Pynchon

Homenagem aos livros de Dashiel Hammet e Raymond Chandler e retrato mordaz da Califórnia no início dos anos 1970, Vício inerente marca a volta de Thomas Pynchon ao cenário de dois de seus romances, Vineland e O leilão do lote 49. Porém, enquanto estes livros registravam o auge do Flower Power, Pynchon agora explora o outro movimento da curva...


2666 – Roberto Bolaño

O livro é composto de cinco romances, interligados por dois dramas centrais: a busca por um autor recluso e uma série de assassinatos na fronteira México-Estados Unidos. A primeira história narra a saga de quatro críticos europeus em busca de um escritor alemão recluso; Na segunda, há a agonia de um professor mexicano às voltas com seus problemas existenciais; O terceiro romance conta a história de um jornalista esportivo que acaba se envolvendo com crimes cometidos contra mulheres; Na quarta e mais extensa das partes do livro, os crimes de Santa Teresa são narrados com a frieza e o distanciamento próprios da linguagem jornalística das páginas policiais; Na quinta história o leitor é conduzido de volta à Segunda Guerra, tornando-se testemunha do passado misterioso de Benno von Archimboldi, o escritor alemão da primeira.

Uma mulher – Péter Esterházy

Um retrato original e bem-humorado da relação entre um homem e uma mulher – ou muitos homens e muitas mulheres. Das questões do cotidiano – a casa, o dinheiro, as famílias, filhos, o sexo, o trabalho, a comida –, até questões de história e política, Esterházy compõe um complexo mosaico da figura feminina. O mistério a ser decifrado é a singularidade dessa “uma” mulher que pode ser várias mulheres ou várias facetas de uma mesma (metamorfoseada das formas mais inusitadas).

28 contos de John Cheever – John Cheever

Investiga aspectos à primeira vista específicos da vida americana de meados do século xx: a aridez espiritual dos subúrbios ricos e, concomitantemente, a possibilidade de transcendência do indivíduo numa sociedade cujo fundamento é a alienação. Colados à realidade, seus melhores contos soam como críticas inexoráveis do vazio de seus personagens, das vidas anódinas a que estão condenados.


Só garotos – Patti Smith

O relato inédito e comovente da história de amor e amizade entre a cantora e poeta Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Nestas delicadas memórias afetivas, Patti revive a aventura de dois jovens irreverentes e idealistas em direção ao sucesso mundial.




Um erro emocional – Cristovão Tezza

Apresenta a conflituosa relação entre Paulo e Beatriz, um escritor e sua leitora. O livro começa com uma declaração, uma frase truncada que diz: "Cometi um erro emocional." É o ponto de partida para um mergulho em lembranças nem sempre agradáveis. Logo, Paulo e Beatriz tornam-se cúmplices.



Os anões – Veronica Stigger

Nas narrativas breves de Os anões, seu terceiro livro, a escritora Veronica Stigger coloca em funcionamento um mundo de violência e anestesia, onde tudo se transforma em imagem. O volume traz histórias como a do casal de anões que é linchado por furar uma fila; a de atores que despencam de um teleférico protagonizando um espetáculo absurdo; ou a de um rapaz que é processado por exibir um poema como tatuagem. Menos que contos em miniatura, estas são ficções embrionárias ou potenciais que, por sua própria incompletude, ficam ressoando na memória do leitor.

Passageiro do fim do dia – Rubens Figueiredo

Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora - uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, namorada de Pedro: faz algum tempo que ele passa os fins de semana com ela...


Memória de elefante – Caeto

O livro vasculha a memória do autor.Caeto é um artista plástico sem grana e com propensão ao alcoolismo. Soma-se a isso a dificuldade em se relacionar com os membros de sua família. Caeto é um artista plástico sem grana e com propensão ao alcoolismo. Soma-se a isso a dificuldade em se relacionar com os membros de sua família.



Nota-se a falta de uma lista sobre os melhores da música em 2010. Contudo, neste ano quase acabado não pude dispor de muito tempo para essa inestismável arte, logo recorri a coisas antigas, o de sempre, não acompanhei os milhares e milhares de lançamentos. De qualquer forma, sintam-se à vontade para deixar uma opinião sobre o melhor da música em 2010 aqui ou, se preferir, em nossa página no Twitter ou no Facebook.

5 de dez de 2010

5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Está acontecendo desde o dia 08 de novembro a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em 20 capitais brasileiras: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, São Paulo e Teresina.

Criada em 2006 para celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos a Mostra vem se firmando como um espaço de reflexão, inspiração e promoção do respeito à dignidade intrínseca da pessoa humana. No ano passado, registrou um público superior a 20 mil pessoas, em 16 cidades. A estimativa para este ano é que este número seja duplicado, pelo aumento no número de cidades participantes e pelo reconhecimento que o evento já conquistou.

A 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira, patrocínio da Petrobras e apoio do SESC-SP, da TV Brasil e do Ministério das Relações Exteriores. Com todas as sessões gratuitas, sempre em salas acessíveis para pessoas com deficiência, a Mostra é um convite ao olhar e à sensibilidade cinematográficos, que traduzem temas atuais de Direitos Humanos e despertam a reflexão e a construção de identidades na diversidade.

Em Maceió, por exemplo, a Mostra teve início no último dia 29 de novembro e vai até o próximo dia 09 de dezembro, no Centro Cultural Sesi Alagoas (www.centroculturalsesi.com.br). É o segundo ano consecutivo em que os Saudáveis Subversivos assumem a produção da Mostra em Maceió, neste ano com o apoio do derepente.org.

Para mais informações e ter acesso à programação de todas as capitais, visite o endereço www.cinedireitoshumanos.org.br