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17 de mar de 2019

EDITORIAL: Cinco dias num grupo de debate de whatsapp 'discutindo' com sofomaníacos.




Abaixo um relato breve sobre como anda o debate público no meio popular, informal. Fui colocado por um amigo num grupo de whattsapp cujo o nome era "Politica Pura e Debate". Fui debater.


Primeiro dia: Fiquei apenas observando. Pude perceber que a maioria do grupo era formada por pessoas com um bom nível de formação, incluindo professores, funcionários públicos, etc. Seria um estrato do que se pode chamar de elite intelectual, afinal, influenciam outras pessoas de formação precária, insipiente. Contudo, esse pessoal pouco se manisfestava. Um ou outro preferiam mandar memes inteligentes nas horas certas das "discussões". Coloco entre aspas, pois uma verdadeira discussão, um verdadeiro debate, deve haver sempre um contraponto. Pela própria raiz da palavra que vem do latim debattere (bater, lutar), apesar da nossa vir do francês débat  (controvérsia, querela), o espírito do significado foi mantido. Nesse grupo não existia debate e sim conversa de boteco entre amigos de sempre concordavam entre si. Ademais, pude perceber certa soberba por parte de uma minoria, porém atuante, militância esquerdista. Nada fora do comum, infelizmente. 


Segundo dia: a partir desse dia passei a expressar melhor e mais incisivamente minhas posições políticas e filosóficas. Em outras palavras, comecei a incomodar. Um número pequeno de participantes iniciou um possível debate sobre a conjuntura atual da política nacional, mesmo que superficial, e eu tentando debater com argumentos e hipóteses. Foi quando percebi minha total "burrice" para usar o próprio linguajar de um dos participantes, o mais agressivo. O auto intitulado professor de geografia levou minhas colocações para o lado pessoal e iniciou uma série de provocações, inicialmente ignoradas. Um outro que se dizia professor de matemática, assim, como o primeiro, tentou iniciar alguma controvérsia de cunho pessoal em relação a teoria da terra plana (?) e sobre o filósofo Olavo de Carvalho. Detalhe essencial: nenhum desses temas veio à tona em nenhuma conversa, em nenhum momento. Sigamos.



Terceiro dia: Um notável desocupado sou eu, perdendo meu tempo podem pensar alguns. Como trabalho em períodos de revesamento entre operacionalidade (na rua) com descansos, é um bom passa tempo. Pode-se exercitar a memória, a "oratória digital" e se divertir com os argumentos estapafúrdios. Sem falar no exercício da paciência com as ofensas e indiretas. Foi o que se seguiu. Para esses seres iluminados mais exaltados que apenas repetem como papagaio de pirata chavões e manchetes de jornalecos, Ciro Gomes é o melhor nome para gerir o país, assim como o sócio-construtivismo de Paulo Freire é o único método pedagógico correto; para muitos, é o único existente. Acreditam, mesmo sem prova alguma, que os Bolsonaro são envolvidos com milícias, mas negam a culpa de Lula, condenado com centenas de provas, assim como negam a participação dos partidos de esquerda como PDT e PT na formação do Foro de São Paulo, organização supra-nacional e supra-partidária formada por partidos políticos e organizações criminosas latino-americanas (ferindo a Constituição Federal  em seu art. 17, II); mesmo existindo atas de reuniões assinadas disponíveis na internet.

Quarto dia: por ser burro o suficiente eu não conseguiu vislumbrar motivo algum para idolatrar político qualquer. Escolho lados em época de eleição, afinal é assim que funciona a democracia e muito morreram para que hoje possa-se votar. O professor de geografia era o mais fora de si e o que menos se fazia entender, já que não conseguia articular frases complexas, chegando inclusive a apenas repetir palavras desconexas como "laranja" ou "Queiroz", numa alusão tão rasa quanto sua própria inteligência iluminada. "Lunático", bradou ele em certo momento e a ofensa se juntou as demais. Foi respondido a altura. Visto que perdera a compostura, veio com uma citação de Neil Degrasse Tyson, o astro midiático que diz ser astrofísico acusado de abuso sexual, que na verdade engana milhões de pessoas com teorias absurdas, improváveis no mundo real. Tenho total noção de minha insignificância e indignidade perante ao Senhor, não perante a sofistas que envenenam a alma de seus indefesos alunos. Citei Eric Dollard, como contraponto dentro do mesmo campo, já que o mesmo não está interessado em holofotes e mulheres e sim em ciência de verdade. Foi em vão, sequer procurou nada sobre o brilhante cientista. Quem sabe sua sapiência foi capaz de captar e refutar por telepatia as ideias de Dollard sem que eu percebesse...

Quinto dia: Como definir quem age tão irracionalmente como aquele professor que chegou a afirmar que eu não entendia nada de educação apenas porque eu disse que o sócio-construtivismo alicerçava as bases para o desconstrucionismo da educação? Eu disse que também era professor e mostrei dados do Fórum Econômico Mundial dos anos de 2016 a 2018 que mostram claramente que os ideais de Paulo Freire que permeiam a educação nacional nos levam para os piores lugares na educação do ocidente, e ele disse que eram FALSOS. É válido registrar que, do primeiro a esse derradeiro dia, era período de carnaval; porém nem mesmo a ingestão de centenas de litro de cerveja ou algo que o valha, justificaria tamanha ignorância. Por derradeiro, surgiu uma breve discussão bastante produtiva sobre colégios militares, onde vários membros se manisfestarem cordialmente e exprimiram suas  ideias, incluindo eu. Quando, corriqueiramente o tal professor sabe-tudo sem saber de nada, soltou mais impropérios contra esse  que vos fala. "arrombado" e "burro" entre outros. Ali soube que minha participação tinha que ser encerrada naquele grupo.

A paciência para ogros com diplomas, analfabetos funcionais metidos a machões por trás de telas de celular havia se esgotado. Porém, tinha que sair em grande estilo. Para isso desci ao nível do tal professor, ou até um nível mais baixo. Respondi as ofensas com ofensas ainda piores, confesso. Até o momento que a pessoa que me colocou me removeu do grupo. Missão cumprida. Antes disso foi engraçado ver o professor sem saber o que dizer e depois pedindo minha "expulsão do grupo" enquanto alguns mais demagogos diziam eu ser o intolerante e estressado. Não lembravam das provocações iniciais do imbecil apenas minha resposta final. Só então, depois de 5 dias, me diverti nesse grupo, com as últimas mensagens. Não tive dúvida que ali naquele grupo de debates, onde não se debatia nada, residia vários SOFOMANÍACOS de esquerda. Que se envenenem com suas próprias (torpes) ideias. E me deixem fora dessa ignorância toda.

*Sofomaníaco: Indivíduo estúpido que se acha extremamente inteligente.

Março, 2019.

Walter A.
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