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30 de mar de 2009

Série especial: Filosofia - p.3

III.

Como combinado, conheceremos a partir de agora alguns dos principais filosófos pré socráticos.

Tales de Mileto foi o primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia. Ele é o marco inicial da filosofia ocidental. De ascendência fenícia, nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, atual Turquia, por volta de 624 ou 625 a.C. e faleceu proximadamente em 556 ou 558 a.C.. Era considerado um dos 7 sábios¹ e fundador da Escola Jônica².

Tales considerava a água como sendo a origem de todas as coisas. E seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial. Entre os principais discípulos de Tales de Mileto merecem destaque: Anaxímenes que dizia ser o "ar" a substância primária; e Anaximandro, para quem os mundos eram infinitos em sua perpétua inter-relação.

No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento Teórico Evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", aproximadamente 2.460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado".

Tales foi o primeiro a explicar o eclipse do Sol, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.

Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela.

A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.

Os gregos – através de sua mitologia – consideravam os elementos da Natureza (o Sol, a Terra, o Céu, o Oceano, as Montanhas, etc.) como forças autônomas, honrando-os como deuses, elevados pela fantasia a seres ativos, móveis, conscientes e dotados de sentimentos, vontades e desejos. Estes deuses constituíam-se na fonte e na essência de todas as coisas do universo.

Tales foi um dos primeiros pensadores a discordar dessa religião vigente, cujos princípios eram ditados pela percepção que os homens captavam através de seus sentidos.

O ponto de partida da teoria especulativa de Tales – como também de todos os demais filósofos da escola Jônica – foi a verificação da permanente transformação das coisas umas nas outras e sua intuição básica é de que todas as coisas são uma só coisa fundamental, ou um só princípio (arché).

Dos escritos de Tales, nenhum deles sobreviveu até nossos dias. Suas ideias filosóficas são conhecidas graças aos trabalhos de Diógenes Laércio, Simplício e principalmente Aristóteles.

Em sua obra - Metafísica, Aristóteles nos conta: “Tales diz que o princípio de todas as coisas é a água, sendo talvez levado a formar essa opinião por ter observado que o alimento de todas as coisas é húmido e que o próprio calor é gerado e alimentado pela humidade. Ora, aquilo de que se originam todas as coisas é o princípio delas. Daí lhe veio essa opinião, e também a de que as sementes de todas as coisas são naturalmente húmidas e de ter origem na água a natureza das
coisas húmidas”.

Em seu livro – Da Alma, Aristóteles escreve: “E afirmam alguns que ela (a alma) está misturada com o todo. É por isso que, talvez, Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses. Parece também que Tales, pelo que se conta, supôs que a alma é algo que se move, se é que disse que a pedra (imã) tem alma, porque move o ferro”.

Esse esforço investigativo de Tales no sentido de descobrir uma unidade, que seria a causa de todas as coisas, representa uma mudança de comportamento na atitude do homem perante o cosmos, pois abandona as explicações religiosas até então vigentes e busca, através da razão e da observação, um novo sentido para o universo. Quando Tales disse que todas as coisas estão cheias de deuses, ou que o magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais, ele não estava invocando as palavras Deus e Alma, no sentido religioso como as conhecemos atualmente, mas sim adivinhando intuitivamente a presença de fenômenos naturais inerentes à própria matéria.

Embora suas conclusões cosmológicas estivessem erradas podemos dizer que a Filosofia começou então com Tales, que ao estabelecer a proposição de que a água é o absoluto, provoca como consequência o primeiro distanciamento entre o pensamento racional e as percepções sensíveis.

A vida dos antigos pensadores gregos é frequentemente conhecida apenas de maneira incompleta. Realmente, os primeiros biógrafos não achavam correto divulgar fatos menos importantes concernentes à personalidade dos sábios. Eles julgavam as descobertas destes homens mais que suficientes para que fossem considerados como seres bastante superiores aos comuns mortais. E, como tais, deveriam ter uma imagem semelhante à dos deuses, sendo desprezados os fatos mais corriqueiros de sua vida. Na política constou que Tales de Mileto defendeu a federação das cidades Jônicas da região do egeu. Plutarco disse que Tales certa vez olhando para o céu, tropeçou e caiu, sendo repreendido por alguém como lunático: analisava o tempo para descobrir se haveria uma seca, o que o fez ganhar muito dinheiro.

Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), Tales previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite tiveram que pagar a ele pelo uso das prensas, o que o levou a ganhar uma grande fortuna com esse negócio.

Quando perguntaram a Tales o que era difícil, ele respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, ele respondeu: “Dar conselhos”.

¹A lista dos Sete sábios não foi sempre a mesma, mas a mais difundida, do tempo de Platão, é a seguinte: Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Brias de Priene , Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta.

²A Escola Jónica recebe esse nome da Jónia, colónia grega da costa ocidental da Ásia Menor. Os seus representante mais ilustres são: Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, e Heráclito. Esses quatro pensadores são os fundadores da filosofia no sentido específico, pois lançaram as bases dos problemas filosóficos discutidos até hoje no Ocidente: a verdade, a totalidade, a ética e a política. Os filósofos desta Escola explicavam o mundo como resultante do desenvolvimento cíclico de uma natureza comum a tudo o que existe, sempre em perpétuo movimento. Acreditavam na existência de um princípio que é a origem de tudo o que existe.

Walter Jr.



28 de mar de 2009

ÚLTIMAS:

Japão prepara defesa para lançamento de foguete norte-coreano

O governo japonês enviou neste sábado navios de guerra equipados com dois mísseis balísticos para o Mar do Japão, onde terão a missão de interceptar perigosos fragmentos no caso de um polêmico lançamento de foguete planejado pela Coreia do Norte dar errado, disseram autoridades de defesa.

Pyongyang anunciou que lançará um satélite de comunicações entre 4 e 8 de abril. As potências regionais acreditam que, na verdade, o lançamento será o teste de um míssil de longo alcance, o Taepodong-2, que acredita-se já estar em sua plataforma de lançamento em uma base norte-coreana.

Os Estados Unidos, principal aliado de segurança do Japão, devem destacar dois navios com Aegis e capacidade de defesa de mísseis para o porto sul-coreano de Busan, na segunda-feira, afirmou uma autoridade militar norte-americana neste sábado.

Fonte: Reuters

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Lula diz que crise é causada por 'gente branca de olhos azuis'

Ao lado do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira, os países ricos pela crise. Ele defendeu a reforma de organismos multilaterais e disse que os problemas financeiros mundiais foram causados por "gente branca de olhos azuis". Um jornalista do grupo britânico de mídia BBC perguntou ao presidente se as declarações não continham um viés ideológico.

Mas Lula manteve sua posição, argumentando que não conhecia "nenhum banqueiro negro".

_ A crise foi causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes pareciam saber de tudo, e, agora, demonstram não saber de nada - disse Lula. Após a intervenção do jornalista, Lula respondeu: - Não existe nenhum viés ideológico. Existe a constatação de um fato.

Acompanhando os índices econômicos e de desemprego, o que percebemos é que, mais uma vez, grande parte dos pobres do mundo, que ainda não estavam sequer participando do desenvolvimento causado pela globalização, são as primeiras vítimas. Vejo o preconceito que se estabelece contra imigrantes nos países mais desenvolvidos - continuou Lula.

- Costuma-se dizer que o Estado só atrapalha, e quando aconteceu a crise, aqueles que pareciam deuses da economia procuram o Estado, que não sabia nada, para salvá-los. Se o G-20 for uma reunião apenas para marcar outra reunião, nós seremos desacreditados e a crise pode piorar", disarou Lula.

Gordon Brown concordou com a necessidade da reforma das instituições internacionais e também com as críticas de Lula ao protecionismo. Brown defendeu um sistema financeiro mais aberto e transparente. Os líderes do Brasil e da Grã-Bretanha pediram que os países se apressem em completar as negociações de comércio global e adotem mais estímulo fiscal e monetária para ajudar a combater a crise econômica global.

Fonte: Reuters


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Podemos nunca esquecermos do Mensalão. Podemos não suportar o apoio incondicional de Lula a pessoas asquerosamente corruptas como o ministro Gilmar Mendes. Mas não podemos jamais abrir a boca para atacar negativamente a política externa de Lula. Ele defende com unhas e dentes os países em desenvolvimento. No dia dessa notícia dos "culpados de olhos azuis" a Globo escalou William Bonner para dar uma "lição de moral" em Lula, ao vivo. Até que soou bonito para os telespectadores que são desacostumados a prestar atenção nesse tipo de notícia. Lula saiu como "o preconceituoso". O jornalista disse que alguns presidentes de bancos mundiais são negros, asiáticos, etc. Tentando mudar o foco para o presente. Mas o que Lula quis dizer foi que as políticas econômicas do passado - onde quem comandava o mundo eram europeus e norte-americanos, todos de olhos azuis - que influenciaram essa virtiginosa queda econômica mundial. Aplausos para Lula. Repugnância para a Globo que já começa a tentar jogar lama na imagem de Lula, para levar alguém do PSDB a cadeira presidencial na próxima eleição.

Walter Jr

27 de mar de 2009

O Estado e a Cultura

Sempre carrego comigo o conceito de que a cultura é em última instância a fronteira derradeira de um povo, de uma nação, em determinadas situações históricas.

É quando caem por terra, uma a uma, todas as defesas de um Estado afrontado por intervenções, por invasões, e restam os valores que consubstanciam a identidade de uma específica comunidade.

São as permanências e as renovações, o jeito de ser, a construção histórica e antropológica que indicam a cara de uma sociedade.

Essas características assumem maior dimensão na medida em que ao lado de tudo isso existe o território que acolhe esse caldo de cultura e reafirma a existência do Estado nacional.

Assim, torna-se essencial zelar pela integridade territorial dessa nação, uma das condições determinantes para a existência do Estado independente, e um dos questionamentos básicos sobre a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, incluindo áreas de fronteira do Brasil.

O que possibilita, em perspectiva, possíveis intervenções de estrangeiros em socorro da “nação indígena”, “agredida” através de ações bélicas ou não pelo Brasil.

Nesse sentido, é lúcido o detalhado voto do ministro Marco Aurélio, contrário à decisão majoritária do Supremo Tribunal Federal favorável a tal demarcação.

Existem outras questões que indicam, também, as condições prioritárias para a defesa de qualquer Estado, inclusive do brasileiro. E aqui falamos de Estado dentro do critério de um mundo globalizado, interconectado economicamente, financeiramente, midiaticamente, fisicamente.

Para grande parte das esquerdas é consensual que os conceitos de internacionalismo e patriotismo coexistam harmonicamente. Não é diferente quando se trata da cultura de um país.

Mas o Brasil é um caso nítido da imperiosa necessidade da inclusão cultural, porque dos 189 milhões de brasileiros, só 26 milhões vão ao cinema, 174 milhões jamais foram a um museu, 176 milhões nunca viram uma exposição de arte, 148 milhões nunca foram a um espetáculo de dança.

Por isso, toda a política de fomento e incentivo à cultura é sempre uma decisão muito bem vinda, além de ser uma obrigação do Estado nacional. Trata-se de construir um mercado para a cultura do País em detrimento da visão, única e exclusiva, de uma cultura de mercado. Qualquer nação que se preza como tal não abre mão dessa premissa fundamental.

Eduardo Bomfim, advogado.
Artigo publicado originariamente no site de notícias gazetaweb.com

24 de mar de 2009

A Luta Continua

Nessa terça-feira, dia 24, no início da manhã os estudantes de União dos Palmares que necessitam do transporte para ir estudar na capital alagoana se reuniram no centro da cidade e logo em seguida saíram em passeata tomando o rumo da Câmara de Vereadores. Lá, os membros do poder legislativo palmarino estavam esperando para escutar as reivindicações dos estudantes e tentar achar um jeito para ajudar a diminuir os problemas que não param de crescer: o pagamento do transporte para ir à capital Maceió, a quantidade insuficiente de ônibus, falta de apoio a Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e o não engajamento para trazer para a cidade um polo ou uma extensão da Universidade Federal de Alagoas, bem como do antigo CEFET-AL, agora chamado de Instituo Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (IF-AL). Os nobres vereadores foram todos receptivos aos que os estudantes estão necessitando.

Depois da seção na Câmara Municipal, uma comissão de estudantes juntamente com os dez vereadores que compõe o Legislativo de União dos Palmares se dirigiram para a prefeitura, aonde o prefeito estava esperando todos para mais uma reunião.

Na prefeitura, as reivindicações de caráter urgente (para que os estudantes parem de perder aulas e provas, pois, praticamente parou de funcionar o transporte desde o protesto da última quinta-feira, 19) não foram atendidas pelo chefe do poder executivo, ele justificou as negativas dizendo que os cofres públicos não comportam dar mais do que já está sendo dado: 1,000 litros de combustível, dois motoristas e um ônibus, além de temer represárias por parte do Ministério Público em relação ao repasse sem previsão orçamentária do citado combustível. Pois bem. Diante desse quadro ruim, os estudantes partiram para uma última tacada quase de desespero, solicitando o apoio e comprometimento pessoal de cada vereador e do próprio prefeito.No fim, ficou acertado em caráter urgente que, até o final desse semestre letivo, os membros da câmara de vereadores irão doar 500 litros de combustível e o prefeito mais seu vice darão mais 100 litros semanais. Isso para tentar fazer com que o preço da passagem não aumente, essa foi a condição imposta para que a ajuda aconteça. Assim, os estudantes de União dos Palmares terão, até o final desse primeiro semestre de 2009, mil e seiscentos litros de combustível mais o ônibus do município para se organizarem e continuarem a estudar, do melhor jeito possível.

Foi disponibilizada para o prefeito e também para os vereadores a cópia de um projeto de lei baseado no de outras ciadades alagoanas com a finalidade de legalizar e regularizar o transporte estudantil inter-municipal. Contudo, o prefeito Areski de Freitas adiantou que se esse projeto for gerar de alguma maneira dispesas para o município, de antemão ele já se colocou na posição de não aceitá-lo, pois alega que os cortes dos repasses federais não possibilitam mais esse gasto por parte do município.

Em relação à UNEAL, o prefeito, Areski de Freitas, afirmou que a prefeitura irá localizar no Cartório de Registros de Imóveis o terreno que dispõe, em seguida irá marcar o ato solene para efetuar a doação do espaço destinado a construção do campus próprio da UNEAL em União dos Palmares. E sobre a extensão ou o polo da UFAL, o prefeito adiantou que ontem, segunda-feira dia 23, teve um encontro com o Senador da República Renan Calheiros, e este se comprometeu diante da reitora da Universidade Federal de Alagoas e do próprio prefeito Areski, a colocar uma emenda no orçamento destinada a implantação de uma extensão da UFAL em União dos Palmares.

É isso, estudantes palmarinos. Agora, mais do que nunca, o que não pode acontecer é a luta parar. Com muito esforço as conquistas virão. Continuem!

Mais: Clique aqui para assistir a reportagem da Tv Gazeta de Alagoas que foi ao ar no programa AL TV 2ª Edição da noite de terça-feira.

Wenndell Amaral

23 de mar de 2009

EDITORIAL: Revoluções Por Minuto


"Revolução é uma ruptura abrupta do sistema jurídico, político, social, econômico ou cultural vigente, com a subsequente formação de um novo sistema. Em geral, uma revolução fica caracterizada quando o espaço de tempo em que as mudanças ocorrem é curto, pois, se longo, as mudanças passam desapercebidas e acabam sendo consideradas apenas um processo evolutivo."¹

Como a maioria da população da cidade de União dos Palmares já sabe, um grupo em torno de 400 estudantes fizeram um manifesto na última quinta feira (19) reivindicando a continuidade do transporte que leva os estudantes à capital do estado para estudarem em faculdades - tanto públicas quanto particulares.

Infelizmente, não foi uma revolução que os estudantes fizeram. Uma Revolução, com r maiúsculo, seria mais que bem vinda em nosso país. Não existe Revolução em cidades. Ou toma-se todo um país, ou não se toma nada.

Mas voltando o assunto, a intenção dos estudantes não era essa. Não era re-organizar a administração do município. A intenção visava "apenas" garantir que a Carta Magna do nosso país fosse respeitada e o município garantisse o transporte escolar. Sabemos muito bem que retirar verbas federais de seus devidos lugares vai de encontro a lei. Também não era essa a intenção dos estudantes.

Quando se sobe ao cargo mais alto de uma cidade - leia-se prefeito - tende-se naturalmente a se afastar daqueles que o elegeram. As prerrogativas da função exigem que o escolhido se dedique quase que 24h por dia em resolver problemas locais.

Junto com as responsabilidades de um prefeito, acompanham as regalias naturais do cargo: inúmeros "amigos", "assessores", oferecendo-lhe sua fidelidade em troca de algumas migalhas - leia-se salário mantido por dinheiro público. São os popularmente conhecidos CHUMBETAS - pessoas sem preparo intelectual para assumir qualquer cargo público, que simplesmente conseguem cargos como se fosse seus meios de vida e não por mérito, mas por bajulação.

Essas pessoas são de extrema importância para o funcionamento do modo clientelista e populesco com se administra as cidades brasileiras. Os chumbetas fazem de tudo um pouco para se manter perto do "homem da caneta" e assim garantir também ragalias: almoços pagos com dinheiro do povo, carros alugados sem licitação para passearem bêbados, vales-combustível para encher os tanques de seus carros particulares, sem falar na tão cobiçada MORAL NA CIDADE. Apenas o status de caminhar ao lado do prefeito já se abre muitas portas em nossa cidade, mesmo que aquele que caminha seja um mal caráter, corrupto, etc, etc.

Essas pessoas acabam prejudicando muito mais além dos cofres públicos. Eles acabam envenenando a alma do governante, ao passo que massageiam o ego. No fundo o chefe do povo sabe que está cercado de pessoas que só querem mamar nas tetas da prefeitura. Fingem que trabalham, e recebem em dia. Mas o que fazer se a maioria dessas pessoas já estavam na prefeitura antes do candidato eleito? O que fazer se essas pessoas foram postas em seus lugares pelo "saudoso" ex-prefeito, o falecido Zé 14 Pedrosa?

Devemos engolir pessoas como o "exemplar" Secretário de Infra Estrutura do Município, que tentou atropelar os estudantes que faziam o protesto pela volta do transporte estudantil e pela implantação de uma lei municipal que garantisse a gratuidade futura do mesmo.

Prefeito Kil, esse protesto não teve nada haver com politicagem. Eu não conheço, nem faço questão de conhecer Beto Baia e seus correlegionarios que foram os seus adversários no último pleito eleitoral. Votei em você. Acreditei em você. Acreditei que aquilo que ouvia falar da Sec. de Educação era verdade: que você se importava com o conhecimento. Você foi eleito com um grande número de votos desses estudantes que estavam a protestar na última quarta feira. Atente, prefeito, que o senhor se trancou dentro de uma redoma de vidro. Saia pra tomar um ar às vezes. Olhe cara a cara a realidade.

Revolução. Era isso que o senhor deveria fazer, querido prefeito. Sem ironia. Mas quem sou eu pra dizer o que o chefe do Executivo municipal deve fazer? Eu sou um cidadão. Não vou cair no clichê do pagador de impostos. Sou um cidadão no verdadeiro sentido da palavra. Não estudo e não trabalho pra mim, mas para a coletividade. Pois bem, o senhor deveria aproveitar que seus secretários deram motivo e cortar o mal pela raiz. O senhor seria mal visto apenas por eles. O povo, aqueles que pagam seu salário, ficariam imensamente felizes.

Aquela manifestação foi um grito de desabafo. Não foi rixa política como muitos tentam colocar na sua cabeça, apesar de algumas pessoas da oposição quererem usar como rixa. Estourou em um momento errado, perto de seu julgamento. Não pensamos nisso no momento. Pensamos apenas nas aulas perdidas, na quantia de R$16, no transporte super-lotado. Pensamos na Educação entregue às moscas. Pensamos no descaso do Executivo que tem o poder de sancionar uma lei que garanta o transporte.

Nós aproveitamos a chance de sermos ouvidos e abraçamos um tipo de "revolução". Conseguimos acordar boa parte da população para o descaso com a Educação.

Uma vez que aproveitamos nossa chance e desmascaramos quem são os chumbetas que prejudicam o senhor, aproveite agora a sua chance de fazer uma revolução branca, cortando o mal pela raiz, descartando quem faz o senhor ficar mal visto perante a população. Nunca é tarde para fazer o certo. Mas primeiro o senhor tem que pôr a cabeça fora da redoma de vidro que o poder, auxiliado pelos chumbetas massageadores de ego, fez ao seu redor.

¹Conceito retirado do site Wikipedia.org

Walter Jr.

Março, 2009.

22 de mar de 2009

MÚSICA: O Teatro Mágico. Segundo Ato

O Teatro Mágico,Segundo Ato, 2008.

A trupe criada por Fernando Anitelli, se propõe nesta segunda etapa a entrar mais a fundo nos debates que cercam a sociedade desigual e desumana que nos rodeia. Esse é um trecho extraído do texto de apresentação do site oficial do projeto O Teatro Mágico, grupo musical formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. E, realmente, Fernando Anitelli, juntamente todo os demais integrantes, fez valer a proposta. Do começo ao fim, esse segundo trabalho do grupo é quase uma obra definitiva, por assim dizer.

Pelo nome nem é necessário citar que O Teatro Mágico trata-se de um grupo que reúne teatro e música. Mas já que fiz a citação, acrescento que além disso há também muita poesia e literatura. Agora, com o Segundo Ato, podemos perceber muita crítica e reflexão social e política.

No último dia 13 de março tive a oportunidade de ir ao tão elogiado show da trupe do Teatro Mágico. Confesso que o primeiro álbum deles não me disse muito, ou melhor, não me fez voltar a atenção de uma maneira mais específica para o grupo, apesar de ser bem interessante. Porém, o Segundo Ato foi o empurrão que faltava. Alguns shows que vou fico circulando, meio de lado, alheio à música e a apresentação, conversando, trocando falas com amigos e conhecidos. Diferentemente, no show do TM (não é abreviação de Tempo Moderno, é Teatro Mágico mesmo), quis prestar toda a atenção. Em muitos momentos me arrepiei. Escutar o CD nos fones de ouvido de um aparelho tocador de mp3 é algo totalmente diferente de estar no espetáculo. Se fechar os olhos ou até mesmo com eles e a mente aberta, pode-se viajar e parar noutro lugar. As letras tomam um realce modificado, melhor. A energia melhora a compreensão das mensagens. Uma experiência, se possível, única.
Segundo Ato superou em vários sentidos o primeiro álbum, Entrada Para Raros, de 2003. Está ai uma prova que a música brasileira pode prevalecer em meio ao bombardeio estúpido estrangeiro. A música, o sentimento, a idéia sobressai fazendo com que a poesia continue prevalecendo também.

Nas lojas, no site e nos shows pode-se encontrar os CDs do grupo à venda por um preço bem justo, bem como um livro de contos baseado nas músicas do primeiro CD e escrito por Maíra Viana, chamado O Teatro Mágico Em Palavras. Recentemente foi lançado o DVD Entrada Para Raros, com um show gravado em 2007, para quem nunca assistiu eles ao vivo ou quer ter o espetáculo guardado em casa, vale a pena comprar e conferir

Se ligue:
+ http://www.oteatromagico.mus.br
+ O Teatro Mágico no HD Moderno

Wenndell Amaral