MÚSICA: SMASHING PUMPKINS


Definhando junto com o final dos anos 80 e enveredando no inicio dos 90, a indústria musical norte-americana encontrou num grupo de garotos desiludidos com a vida uma grande fonte de lucro. O nome que a imprensa à época cunhou para aquelas bandas de rock alternativo, vindo das sombras das garagens empoeiradas de Seatle foi grunge. Um termo que em livre tradução significaria algo com grude, sujo, graças não só ao teor das canções mas também ao estio de vida irresponsável e desregrada de alguns músicos, tendo-se como expoente mais popular Kurt Cobain vocalista do Nirvana - banda de maior sucesso desse estilo - morto em 1994.

Correndo por fora desse circuito incendiário em todos os sentidos, em Chicago capital de estado do Illinois, em 1987 surgia o Smashing Pumpkins que diferentemente do grunge, tinha menos influência punk em sua música.Seu segundo disco intitulado Siamense Dream conseguiram alcançar o sucesso inicial. Fazendo um som variado mesclando linhas de influências gótica, heavy metal, pop, psicodélico progressivo. Dessas variantes musicais surge um grupo que amplifica um som poderoso, pesado, ao mesmo tempo suave, agressivo porém persuasivo.

Liderado pelo guitarrista e vocalista Billy Corgan que assume a maioria das composições, a banda alcançou o sucesso comercial em 1995 com o lançamento desse magnífico colosso sonoro que vos indico, Mellon Collie and the Infinite Sadness. Imprimindo mais sentimento e esmero técnico sem esquecer as doses sinceras de dor e raiva, a banda alcançou a marca de 18,5 milhões de discos oficiais vendidos, sendo grande parte das vendas puxadas por esse disco que estreou em primeiro lugar na lista Billboard.

Letras nostálgicas, angustiantes que exalam um áureo sentimento de decepção com o amor e com certos aspectos da vida. Esse é o mote principal de músicas clássicas com guitarras distorcidas e vocais gritados em suas essências como Bullet with Butterfly Wings, Zero, Here Is No Why, Take Me Down, Tonight Tonight, Jellybelly que habitam o primeiro disco do álbum duplo. Destinado de Dawn To Dusk, o disco oferece também em volto em sua ecleticidade, momentos de percepções mais amenas, amenizando as vibrações para flutuar em melodias mais densas e calmas como na canção título, além de To Forgive, Love, Cupid The Locke [esta com ótimas linhas de piano], Galapogos, etc.

No segundo disco de alcunha Twilight To Starlight, o disco abre com as efervescentes Where Boys Fear To Tread, as clássicas Bodies, Thirty-Three, In The Arms Of Sleep e a épica e premiada 1979. Naturalmente mais  cadenciado que Dawn To Dusk, o disco entrava em ótimas baladas com lampejos de raiva contidos; temas  como Tales Of a Scorched EarthThru The Eyes Of RubyX.Y.U.We Only Come Out At Night, caminhando vagarosamente que maneira não menos vigorosa, as letras estranhamente introspectiva de Billy Corgan e sua trupe em rodízio, encontram naturalmente a frequência do fim com cuidadosas músicas de performance precisa como Beautiful, Lily (My One And Only), By Starlight e Farewell And Goodnight.

Um álbum coeso, que faz jus ao diversas indicações e prêmios recebidos por essa peculiar banda que sobreviveu em meio aos tubarões do mainstream que dominaram o mar do grunge.

Walter A.
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