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27 de out de 2008

Vamos colocar tijolinhos coloridos também

Desde janeiro desse ano a cidade foi presenteada com uma praça nova. Na verdade, o que aconteceu foi a reconstrução da Praça Brasiliano Sarmento. Do que era restou só o nome. Até a finalidade antiga foi reformada, imagino eu. Fizeram dela uma praça para múltiplos eventos. Até aqui o problema é pequeno. O que acho grave é a falta de discernimento, a falta de “saber o que a população realmente precisa”, a falta de planejamento por parte da administração pública.

Pelo que andam falando, o custo da reforma da praça ficou entre 300 e 400 mil reais. Afirmo somente pelos comentários dos populares, pois não notei anúncio formal promovido pela administração pública com informações melhores e específicas. Esse montante de dinheiro talvez tivesse melhor destino empregado na construção de um prédio para uma futura Unidade de Emergência Médica Municipal ou de um novo prédio para a Maternidade que funciona no Hospital São Vicente de Paulo.

Todos estão cansados de saber o caos que se encontra a Saúde em nosso estado. Aqui em nossa cidade não é diferente, dessa forma uma outra idéia para o melhor uso desse dinheiro público seria a realização benfeitorias no único hospital da região (que atende do jeito que pode toda população palmarina e ainda as cidades de Branquinha, Santana do Mundaú e São José da Lage), o Hospital São Vicente de Paulo.

Mas não... em quase 8 anos de gestão a prefeitura não se movimentou, até aonde sei, para melhorar aquilo que é a alternativa de milhares de pessoas em se tratando de atendimento médico gratuito. Caso eu esteja afirmando besteiras, espero resposta explicando se algo foi tentado ou mesmo feito. Percebi que a prefeitura preferiu planejar, organizar as finanças para construir uma praça para eventos e festas, na qual, em sua inauguração em meio aos festejos da padroeira da cidade, foram exibidos vídeos com a trajetória dos últimos anos da gestão municipal, com depoimentos efusivos de populares dando vivas e salvas ao então prefeito e companhia (não sei porque, mas não consigo acreditar na boa-fé daquelas manifestações).

Podemos fazer um breve e simples raciocínio? Bom, então vamos lá. Caso uma dessas pessoas, as quais derramaram elogios às iniciativas da prefeitura, precisar de atendimento médico especializado, atendimento rápido, de exames emergenciais, de um pouco mais do que é oferecido aqui, aquela pessoa irá fazer quê? Viajar para Maceió para procurar um Hospital melhor? Um Hospital particular? E quem vai pagar? Vai procurar um hospital público? Estão todos lotados... O SUS? Demora muito... Não há vagas. O que vai terminar acontecendo? A pessoa vai ficar sem tratamento ou com um tratamento retardado. Pode ficar com seqüelas, pode até morrer. Pode vir a não poder mais trabalhar. Pode vir a não ter condições de ao menos tentar dançar na praça nova da cidade.

A Saúde, assim com a Educação, é direito de todos e dever do Estado. No caso, o município deve pesar o que é mais importante para a população (quando não se pode fazer tudo): se é melhor gastar 400 mil reais na total reconstrução de uma praça para festas e eventos ou se é melhor investir e procurar melhorias para a efetivação de uma assistência médica digna. Quando será que aqueles que estão no cargo de prefeito, secretários, vereadores, etc., irão aprender que o interesse político não é o interesse pessoal deles e de seu pequeno grupo?

Até a próxima festa na praça!

Wenndell Amaral

5 Deixe seu comentário:

Parabéns peo texto, é por isso que tenho orgulho de ser desta terra, é por acreditar que possui pessoas inteligentes e capazes de analisar, criticar e apontar idéias simples para os problemas de nossa terra, que continuarei lendo e comentando.

Essa reforma não passou de movimento populesco pra angariar votos dos pobres incaltos religiosos... E a Igreja tem culpa nisso, pois adorou a idéia por causa de sua festa da padroeira; a igreja poderia ter alertado para as visiveis irregularidades mas se locupletou na corrupção..

Eu não quis entrar no mérito da "igraja" mas está ai mais uma outra boa pauta para se comentar.

O pior de tudo é pensar que essa praça foi reformada com o dinheiro público. Inclusive dos impostos pagos por aqueles sujeitos mais humildes, que diga-se de passagem, não são as pessoas que tem condições de pagar uma mesa pra sua família em tempos de Festa da Padroeira... Ou seja, ao tempo em que a maioria da população não tem seus direitos sociais reconhecidos e efetivados, uma minoria (e aí inclua-se o nosso clero e governantes) se beneficia do negócio, a cada ano mais rentável, de venda de mesas...

O texto é foda!
Só acho que o título ficou meio aguado - mesmo depois que se lê. O texto também é muito longo e nem tão "graciliano".
Valeu, Wenndell.