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14 de mai de 2009

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Brazilian Pie: O casamento, o trabalho e o suicídio.

Para Bruno Bauer, dezembro/ 08.

O Bruno pediu que escrevesse alguma coisa. Diz está com saudades do meu senso de humor. Só disso? Na ultima conversa que tivemos me achou serio demais. Mal – humorado até. Também acho que estou. Há muito o meu humor não é acariciado. Alguém aí quer acariciá-lo? Nada tem sido fácil ultimamente, cheguei ao ponto de ver minha vida escorrer por minhas mãos. A angustia, que sinto, fez com que me isolasse no quarto escuro, que hoje é minha mente. Fecho as portas e choro. Escondo-me de tal forma que nem me consigo expor para minha esposa. Às vezes me pego pensando que serei um velho chato, gordo, ranzinza e tudo o mais, de ruim, que os velhos têm. Paro, penso e peço que não chegue até lá. Que o meu diabetes tome conta antes.

Amor próprio...

Três coisas, principais, mudaram por completo a minha vida. Meu casamento, meu trabalho e minha vontade lancinante de cometer suicídio. Sem contar os inúmeros erros que cometi. Algo me fez escrever um pouco agora, talvez seja vontade de compartilhar com alguém minhas dores? Para rir de mim mesmo? Ou ser motivo de piada? Escrevo aqui um relato verdadeiro, cru, triste, enfadonho e em primeira pessoa sobre a trilogia que me consome - como fogo a uma folha de papel. Espero que me entenda um pouco, mas não sinta pena.

O casamento mostrou o quanto eu me desconhecia e quanto não estava preparado para administrar uma responsabilidade tão grande. Minhas ações respingariam em outra pessoa. Pensar duas, vinte, trocentas vezes antes de agir, me perturbava e o medo de errar foi tão traiçoeiro que errei sem perceber. E de forma rápida e seca tudo o que mais criticava e repugnava passou a fazer parte de minha vida. E de forma errada e omissiva cruzei os braços e baixei a cabeça. Mandei pra longe meus ideais de vida saudável e feliz a dois. Tenho uma mulher maravilhosa, mas me deixei transformar em escravo pelo amor que sentia, e sinto ainda, pela minha mulher, a coloquei em um pedestal. Foi o maior erro da relação, perdi o amor por mim e acabei me abandonando. Confesso, era mais feliz quando namorava. Hoje vejo que vários fatores contribuíram para o fracasso. Despreparo e orgulho são alguns deles. Foram tantos erros de minha parte que nem consigo ver um acerto.

Para mim o trabalho deve ter um bom motivo para valer a pena. Algo bom de lutar. Um carro? Uma casa com piscina? Uma viagem à lua?... Na verdade sempre sonhei com uma mochila nas costas e os pés no mundo, mas deixei passar. Tanta coisa passou... No momento sei que meus motivos são insuficientes. Até quando? Nem eu sei.

Por ultimo o suicídio. Desde cedo convivo com essa idéia. Foram inúmeras sessões de choro trancado só num quarto vazio e escuro, durante a adolescência. Fase? E por mais que tivesse um sorriso, bobo, no rosto sabia que a possibilidade estava lá. Sempre fui um fraco, um covarde com minhas emoções. No começo do ano cedi à vontade que a tanto me tentava. Estou aqui porque minha prima – sem querer e saber – me atrapalhou. O que ganhei com isso foi uma grave crise de choro e uma possibilidade de internação numa clinica psiquiátrica, para relaxar um pouco. Se tivesse aqueles remédios... Nem isso! Sei que não é o certo. Mas quem sabe o que é? Mas sair de tudo não é má idéia.

Bruno, eu estou sério sim, mas adormecido também. Tornar-se aquilo que se critica não é fácil nem bom para ninguém. Faz de você um saco de lixo. Estou velho e chato, antes do tempo, e como nunca antes: infeliz comigo.

Mas como cantaram os beatles, “eu consigo com uma forcinha dos meus amigos”.

Às vezes penso que tenho que atravessar um beco com uma manada furiosa de encontro a mim. É impossível!

Zema

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Zema, vc sempre foi um dos caras mais sagazes q conheci. Aprendi muito com vc. Se ligue nesse texto de Caio F. Abreu: "Detesto as pessoas que não se buscam. As que se acostumam a viver, da mesma maneira como se acostumam a dormir ou comer. Viver se torna um ato automático, e pouco importa se bom ou mau, se agradável ou desagradável, se vazio ou significativo. Basta viver: é uma obrigação da qual não se pode fugir. Por isso, de um certo ponto de vista, eu admiro os suicidas. São pessoas que conseguiram descobrir-se, apenas não tiveram coragem de enfrentar o próprio caos. E como se ele lhes desse vertigens, deixaram-se depencar no abismo. Mas são mais dignos dos que simplesmente se amoldam, sem exigêncicas, sem perspectivas, mas também sem queixas. Lógico: se não pedem nada, é impossível que existam queixas."

E então, vai ter vertigem e cair do precipício ou jogar agua na cara e despertar de novo, se desconstruir e construir-se melhor?

OLá Zema e pessoal do Blog Tempo Moderno.
Zema é muito fazer reflexões acerda da nossa vida, "revitalisa". REalmente você está muito série, pude perceber isto a poucas vezes que nos encontramos. Mas comecei a acreditar que faz parte do processo natural da vida. Refeltir tomar decisões que antes acghavámos abomináveis etc etc etc. (não coloco neste meio o suicídi , sobre tenho outra discussão que depois conversaremos). Mas amigo, gostaria de lhe lembrar daquele encrontro do MST que partipamos lá em Branquinha. Lembre dos del=talhes do encontro reflita, para dar continuidade à vida, com mudanças sim, pois não somos estanques, mas continuar A VIDA.

ABÇOS

SERGIO ROGÉRIO