FILME: Blue Velvet

Blue Velvet (Veludo Azul) – David Lynch

É sempre importante citar, quando se trata de visionários ou diretores com a intenção madura e sincera de fazerem filmes autorais, o quanto sua idéia será, no ponto de vista crítico/público, deturpada e desencorajada até os limites do esquecimento. E que tais, num momento específico do tempo, se transformam no gênio incompreendido e aclamado de uma época.

Hoje, Veludo Azul é cult até a medula e será até os confins. E se deve, por sua direção, pela característica que se manteve intacta (com algumas exceções, mesmo com estranheza em Uma História Real, 1999) de um surrealismo encontrado no cotidiano e optado para demonstrar as inconstâncias de nossa realidade.

O filme foi concebido no período em que Lynch dirigia Duna (1984). Produzido em 1986, Veludo Azul de início, mostra uma pacata cidade chamada Lumberton e sua população. Chega até a ser irônico. E a intenção é desmascarada, quando um senhor tem um ataque cardíaco no momento em que está regando as flores. Ao cair, a câmera lentamente se aprofunda na escuridão e desvenda as criaturas tão próximas daqueles simples cidadãos. E é nessa busca da aproximação do mal, que se entrelaça o enredo.

Jeffrey (Kyle MacLachlan) vai visitar seu pai. No caminho encontra uma orelha. Daí passa a buscar respostas sobre a causa do suposto assassinato, sendo ajudado pela filha do investigador da cidade Sandy (Laura Dern). Nas investigações se deparam com a linda cantora Dorothy (Isabella Rosselini), ao qual Jeffrey, entra em seu apartamento escondendo-se e conhecendo o nefasto Frank (Dennis Hopper).

Sem amenizações, Veludo Azul estende na tela, sadomasoquismo, violência, moralismo, inocência (de uma forma até sonhadora), amor... O amor incapaz da mãe pela distância do filho e o início do amor de um jovem, que até ali, desconhecia e se pergunta como pode existir um mundo dessa maneira, com esses seres capazes de tanta maldade.

Vale ressaltar a minúcia da música criada por Angelo Badalamenti e o quanto influência na trama. Blue Velvet é originalmente o título de uma canção interpretada por Bobby Vinton e que está presente no filme, e que serviu de inspiração para o título. David Lynch no caso, continuou com sua mente deturpada e nos revelando cada vez mais, a verdadeira faceta de nossos sentimentos. Para finalizar, uma frase do medonho Frank: "Vou transar com qualquer coisa que se mexer!"

Traum Bendict

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