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2 de nov de 2009

Pela consciência e pela paz

Por Olívia de Cássia Correia de Cerqueira, jornalista palmarina.

O mês de novembro é quando se comemora o Dia da Consciência Negra, um mês de reflexões para todos aqueles que têm descendência afro e também para os que lutam por dias melhores e mais justos e sem preconceitos. O Brasil, um país de dimensões continentais, foi um dos últimos a abolir a escravidão, por meio de um decreto da princesa Isabel, que foi levada pelas circunstâncias históricas a abolir a escravidão no País.

A atitude de Isabel se deu não por que ela era boazinha e humana, como fizeram a gente pensar durante muitos anos na escola, mas porque a situação já estava insustentável tendo tomado relevância a partir de 1850 e caráter popular a partir de 1870, culminando com a assinatura da Lei Áurea, de 1888, que extinguiu - no papel - a escravidão negra no Brasil, segundo os historiadores.

No País, a escravidão começou na primeira metade do século XVI, com a produção de açúcar. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizá-los como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste; os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como mercadorias no Brasil. Um comércio desumano com aquelas pessoas, como se fossem animais.

Foram muitoso anos de maus-tratos com o povo negro. Os mais saudáveis, chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos, segundo contam os historiadores em seus relatos. Também era mais valorizado o negro vindo de Angola e Moçambique, para o trabalho na lavoura, e aqueles negros vindos do porto de São Paulo de Mina, na mineração em Minas Gerais.

Inconformados com tanta humilhação e maus-tratos, por volta do ano de 1580, fugitivos dos engenhos de açúcar se aglutinaram na Serra da Barriga, em União dos Palmares, e formaram um grande quilombo. Palmares foi o primeiro e o mais importante refúgio daqueles que sonhavam com a liberdade e o principal símbolo de luta e resistência, tendo durado por mais de um século. Transformou-se em moderno símbolo da resistência do africano à escravatura.

Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares, que comandou um verdadeiro exército na Serra da Barriga e lutou brava e incansavelmente pela libertação e dignidade de seu povo. Uma história de rebeldia, luta pela liberdade e justiça. A história palmarina é uma história rica de memórias e precisamos repassá-la para nossos jovens, para que reverenciem esses nossos heróis na figura do grande guerreiro que foi Zumbi, não só em novembro, quando o mundo todo se volta às comemorações do Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20. Essa consciência tem que existir todos os dias dentro de todos nós.

O preconceito racial tem que ser combatido com conscientização, educação e luta pela paz diária objetivando a convivência pacífica entre os povos. Vamos cultuar a paz dentro de nós, fazer um pacto, aproveitar que este ano o dia estadual pela paz está na ordem de discussão na sociedade alagoana, com manifestações pelas ruas e adicionar esse debate nos encontros que vão acontecer durante o mês da Consciência Negra, para celebrar essa comunhão e intenção pela paz, contra a intolerância religiosa, contra o preconceito e pela libertação dos povos oprimidos. Que venha a paz; salve Zumbi, nosso maior herói.

http://oliviadecassiajornalista.zip.net

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Uma nova pesquisa histórica sobre Zumbi está sendo feita. Os novos estudos sobre a história de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a escravidão, mostram que a história do líder ensinada nos livros didáticos tem muitas distorções. "Os novos concluem que o quilombo não era um paraíso de liberdade, não lutava contra o sistema de escravidão nem era tão isolado da sociedade colonial quanto se pensava.Zumbi teria sido um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séquito de escravos para uso próprio." Não sei até que ponto chega a veracidade desses fatos, mas a pesquisa histórica é real. Os estudos recente mudam completamente a visão que predominou no século XX. Eu tinha ouvido falar dessas pesquisas faz um tempo. Existe muita coisa a respeito da mesma, mas conversando com alguns amigos graduandos e graduados em história que moram em Sergipe, existe uma discordância.
" É evidente que as relações políticas de Palmares eram complexas - conforme o Prof. Manoel Florentino - e envolvia acordos pois não substiria por tanto tempo se fosse em total isolamento o que não lhe retira o heroismo da resistência ao regime. O resto é história, tal como, é a história idealizada do colonizador, e deve sim ser repeitada e até mesmo homenageada naquilo que teve de relevante."
Pra ser bem sincera, não consegui formar uma opinião sobre esse assunto mas para mim,evidente que não quero da enfoque a questão "raça", até porque não creio na divisão social feita por esse aspecto; mas isso trata da história, da nossa história enquanto povo, a história da formação da nação. Tem a ver com a dignidade humana, a valorização dela, essa valorização que o sistema escravista violava continuamente."A escravidão foi um sistema de terror. O resto é história. História que pode ser contada pela visão do opressor e também pela do oprimido."
Não sei..não sei..
Esse assunto em me deixado confusa.

Bom, existe alguns sites e reportagens a respeito do assunto. Inclusive uma da revista VEJA. Eu não conegui o link na internet, mas é revsita VEJa de 19 de novembro de 2008, paginas 108 a 109. Na internet possue diversos sites, falando a respeito do assunto, uns discordando e outros não. Alguns sites que tratam desse assunto, tem uma temática "white pride". UÒ! Cabe a cada um verificar a procedencsia das informações. O principal historiador a reinterpretar o que ocorreu nos quilombos é o carioca Flávio dos Santos Gomes. Ele escreveu o livro Histórias de Quilombolas. Como disse e repito: ainda não consegui formar uma opinião sobre o assunto.Aproveitando..pra fazer uma propaganda, como falei de amigos historiadores ...Esse mês eles estão organizando uma semana da consciência negra bem legal por lá: "Zumbi dos palmares: VIVE".
O site é o seguinte: http://zumbidospalmaresvive.blogspot.com/.

Vale a pena conferir. E se alguem tiver mais informações, seria bem útil.

Sobre o assunto, temos publicado aqui no Tempo Moderno um ótimo artigo escrito pelo estudante do curso de História Monteiro Jr. Segue abaixo o link.

http://www.tempomoderno.net/2009/06/e-mail-artigo-um-breve-ensaio-uma-outra.html

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