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28 de mai de 2014

Lógica e bom senso não tem marca

A lógica aplicada na Administração Pública no Brasil parece ser contrária ao que conheço e ainda vai de encontro ao bom senso. Exemplos não faltam, mas o que vou comentar aqui teve como faísca os gastos com publicidade. A maioria são exorbitantes e desnecessários e apresentam a desculpa de “levar ao conhecimento do povo” ações que não passam de obrigação de qualquer governo.

Um exemplo de falta de critério (ou querer enganar o povo) com publicidade e outras coisas mais é o que vem fazendo a empresa pública brasileira “Correios”. 

No início do mês de maio deste ano de 2014 a empresa anunciou a mudança de sua marca e demais adornos, tudo ao custo total de (talvez aproximadamente) R$ 42 milhões. 

Como não poderia deixar de ser num país livre (ou quase livre) como o nosso, o anúncio acarretou diversas críticas nos mais variados meios jornalísticos, assim como entre nós cidadãos.

Além da vultuosa quantia para atualizar sua marca, o que quero frisar aqui é mais um exemplo de lógica invertida. Enquanto os Correios gastam esses milhões de reais para “oxigenar” sua identidade, milhares de agências e outros milhares de funcionários da empresa atualmente se encontram desamparados e  trabalhando com medo tendo em vista a falta de segurança enfrentada pelos funcionários em diversas agências.

Sabe-se que a empresa tem como cerne o envio e entrega de correspondências e encomendas, entre outros serviços alinhados a esse fim, porém há alguns anos as agências dos Correios passaram a oferecer também serviços bancários (saques, depósitos, pagamentos, empréstimos), o que a empresa chama de “Banco Postal”, e daí que surge o olho grande dos criminosos.

Desde a implantação dos tais serviços bancários poucas agências tiveram sossego em relação a roubos e basta uma rápida pesquisa para achar uma notícia recente com referência a um roubo a alguma agência dos Correios ou aos veículos que transportam as encomendas colocadas sob a responsabilidade de entrega da empresa. 

O fato mais recente aconteceu na cidade de Maceió em 27/05/2014, onde numa tentativa de roubo um vigilante e um carteiro ficaram feridos devido aos disparos de arma de fogo efetuados por um dos criminosos. Ainda assim os Correios divulgaram em seu blog oficial que “iniciam ainda neste mês os testes para oferta de novos serviços financeiros no Banco Postal” (http://blog.correios.com.br/correios/?p=9352#sthash.qFq6lGLN.dpuf). 

Não critico o investimento em atualização da marca da empresa pública, mas sim o volume de dinheiro para tanto e falta de lógica e critério na gestão da empresa com relação àqueles que a fazem funcionar (basicamente os atendentes e os carteiros).

Enquanto a empresa dá publicidade a suas tentativas de inovações e tentam passar aos cidadãos um ar de modernidade e avanço, nada, absolutamente nada perto de nada é feito para frear roubos a agências e usuários dos Correios. Prova disso são os números de tais fatos criminosos que não param de crescer em todos os estados.

Se os Correios não planejaram antecipadamente a implantação desses serviços financeiros, equipando suas agências com o aparato necessário a segurança dos usuários e funcionários, não deve oferecer, expandir e muito menos fazer propaganda desses serviços.

Os Correios não cercam suas agências de condições de segurança para explorar o serviço de Banco Postal. Enquanto a mudança da marca e a publicidade veiculada na mídia objetiva passar uma ideia de inovação e prosperidade, os funcionários e usuários dos Correios sofrem diariamente lidando com um verdadeiro terrorismo, esperando o próximo roubo.

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