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3 de dez de 2008

HQ/Mangá: Lobo Solitário

Lobo Solitário

Autores: Kazuo Koike e Goseki Kojima
Editora: Panini Comics

A cultura japonesa desperta nos ocidentais um misto de admiração e curiosidade devido as suas imensas peculiaridades, demonstrações de subordinação e honradez são interpretadas por alguns como barbaridades. Poucos sabem, mas foi devido a um mangá (quadrinho japonês) que essa cultura passou a ser difundida e transformada em motivo de fascinação por muitas gerações no Ocidente.

O mangá Lobo Solitário (Kozure Ookami, no original) é uma obra única, pela experiência proporcionada ao leitor ao longo dos seus 28 volumes publicados recentemente no Brasil em formato original (sentido invertido de leitura) pela Panini Comics. Às mais de 8400 páginas levam o leitor ao Japão da Era Edo (1600 - 1867), governado pelo xoguns (governante militar), um período marcado pelo poder e força das espadas, e principalmente pelo poder da classe Samurai. Uma classe que seguia o código de conduta Bushidô, uma gama de valores obedecidos até mesmo com a morte.

A história narra o caminho de vingança escolhido por Itto Ogami e seu filho Daigoro, uma criança de aproximadamente 3 anos, contra a família Yagyu. Ogami era executor-oficial do governo, decapitava pessoas importantes como senhores feudais e autoridades, um cargo de prestígio que era cobiçado pela família Yagyu. Vítima de uma encenação dos Yagyu para colocá-lo como traidor do Xogum, têm sua família destruída e sua esposa assasinada, escolhe junto com seu filho não aceitar a morte honrosa imposta a eles e foge, torna-se assasino de aluguel para financiar seu plano de vingança contra o clã dos Yagyu, cobra 500 ryos (moeda da época) por cabeça, mas mesmo como assasino não abandona o código de ética samurai.

Kazuo Koike (roteiro e criação) e Goseki Kojima (arte) criaram uma obra sem precedentes, recriaram perfeitamente o Japão feudal, os costumes, vestimenta, arquitetura, citação de famílias que realmente existiram (Ogami e Yagyu), fatos históricos implícitos ao desenrolar da história dão ao leitor a impressão que realmente aquilo ocorreu, mas para o deleite do admirador de quadrinhos é tudo criação dos dois gênios, responsáveis por popularizar os mangás e a cultura japonesa através do mundo. Foi publicado originalmente de 1970 a 1976, e quando publicado em vários países da Europa e nos Estados Unidos mais de uma década depois impressionou quadrinistas famosos como Frank Miller (300, Sin City) assumidamente fã da série e divulgador da mesma no Ocidente.

Impossível ficar indiferente ou não se emocionar ao chegar no fim da obra, o volume final desperta os mais nobres sentimentos humanos, apenas possível em quem acompanhar o desenrolar da história. Mais que uma história em quadrinhos sobre samurais, Lobo Solitário é uma história de honra, amor, lealdade, determinação. O pequeno Daigoro com suas atitudes ora infantis, ora frias com o mar de sangue deixado por ele e seu pai, e Itto Ogami com a nobreza que se esperava dele como Samurai e a exímia habilidade como espadachim, deixam no leitor um sentimento indescritível e uma vontade imensa de voltar ao Capítulo 1.

Bruno Monteiro

2 Deixe seu comentário:

Sou admirador dessa arte, mesmo não tendo muito contato com os mais variados títulos, porém pude perceber o tamanho da qualidade do trabalho do Lobo Solitário em algumas edições que consegui baixar em pela internet. Qualidade que não vi em outros títulos que li, nada se compara, mesmo cada título tendo seus pontos altos também.

Cara... demais mesmo Bruno. Sou um admirador incondicional, não só da cultura japonesa, mas de toda cultura oriental. Contudo, o Japão é o país oriental - excluindo a Russia - que mais valoriza a cultura da escrita. Combinada com a arte gráfica fez nascer esse gênero literário tão fascinante.
Vou baixar agora!!