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24 de jun de 2009

Livro: Marcello Mastroianni

Eu me Lembro, sim, Eu me Lembro – Marcello Mastroianni

Portugal, setembro de 1996, Marcello Mastroianni grava Viagem ao Início do Mundo de Manoel Oliveira, o que seria seu último filme, entre mais de 170 longas, além de várias peças de teatro, aliás onde, deu início a sua carreira de ator.

Eu me Lembro, sim, Eu me Lembro faz parte do relato do ator italiano, onde, ainda com grande vitalidade, recorda-se dos momentos que marcaram sua vida de artista e sua arte de viver.

O livro é a transcrição de sua voz, do documentário dirigido por sua mulher, Anna Maria Tatò, com fotografia de Giuseppe Rotunno, produção de Roberto Ciccoutto, da Mikado Film e foi gravado nos intervalos de gravação do longa de Manoel Oliveira no norte de Portugal.

“As lembranças são uma espécie de ponto de chegada. Talvez sejam também a única coisa realmente nossa”. Atráves de pontos não cronológicos, sua narração segue, não apenas suas lembranças, como também às vezes, percorrem por sonhos onde ele mesmo, não sabe se os viveu. Mastroianni com sua aguda percepção, discorre da maneira Hollywoodiana de fazer filmes, e o quanto seus diretores americanos se nutriram do cinema italiano, “digo isso por vaidade, sim, porque amo meu cinema”, ele diz.

O projeto de um “retrato” de Marcelo Mastroianni havia sido suspenso desde 1986, quando em Odessa no lançamento de Olhos Negros de Nikita Mikhalkov, houve graves problemas técnicos. Após assistir apenas em 1996 em Paris, junto com Anna Tatò um vídeo biográfico de Orson Welles, reata a idéia.

No livro além de suas memórias, há oito páginas com fotografias do grande ator, uma nota de Anna Tatò sobre o projeto do documentário, o diário de filmagem por Giuseppe Rotunno, os créditos do documentário e os filmes citados por Mastroianni. Seu lançamento no Brasil foi através da editora DBA (Dórea Books and Art) em 1999, com uma ótima tradução de Therezinha Monteiro Deustsch, capa de Victor Burton e um excelente papel de miolo para o texto.

Tanto o livro como o documentário, não pode ser apreciado apenas, como uma curiosidade da vida de uma grande artista. Deve-se levar em conta, o teor histórico do cinema, sua construção, o ínico do Neo-realismo italiano e sua falência. Eu me Lembro, sim, Eu me Lembro deixa de ser um pesadelo do passado em certos pontos, “...em Cinecittà não há mais espaço para mim, ou então o cinema se transformou numa coisa para homens pequeninos, para filmes pequeninos”. Mas, Mastroianni não lamenta, “ O cinema...É, ele vai sobreviver! Eu continuo a fazer cinema, o que já me parece um milagre.” O Latin lover (ele odiava esse rótulo) nos deixa em 19 dezembro do mesmo ano, e por sorte, nos deixa este fragmento singelo e tão romântico.

Traum Bendict

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