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18 de out de 2009

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enviado por José Lucimar Lourenço da Silva
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Meninos, gosto muito do blog. Mas, há alguns pontos de discordância no artigo escrito por Walter Jr. sobre as cotas. Na verdade, os brancos europeus utilizavam-se das lutas intestinas existentes nas sociedades africanas (como em qualquer outra sociedade da época: europeia, ameríndia, asiática...). Não é que negro prendia negro, não.... Acho diferente. E acho que os africanos no Brasil e em todo o continente americano, sofreram o que povo nenhum, em toda a história da humanidade, sofreu. Nem os judeus no Holocausto sofreram o que sofreu o povo africano no seu forçado êxodo.

Uma vez acabado o sistema escravocrata, a sociedade brasileira não os integrou plenamente. Eram, sempre foram, como um corpo estranho... Como não??? Ainda me lembro da minha infância em Santana do Mundaú e de como éramos levados a olhar os negros.... Oh, sim.....

É justo, justíssimo o sistema de cotas. A Constituição brasileira também diz que todo cidadão tem direito à vida. E quantos jovens palmarinos são mortos hoje em dia? E quantas crianças brasileiras morrem de fome? Vejam o caso de Ana Vitória, criancinha do sertão pernambucano, retratada nestes últimos dias em grande e respeitosa reportagem do Jornal do Commércio do Recife. É, meninos, é a fome....

A fome na sociedade brasileira é endêmica, já sabemos. Ainda mais na sociedade nordestina, onde os níveis de vida, às vezes, desce aos níveis mais desesperadores das nações mais pobres do mundo. E, entre estes, não há dúvida, não resta qualquer dúvida, são os pretos de cor os que mais sofrem. Sim, sem querer alongar-me, defendo plenamente o sistema de cotas. É uma dívida histórica da sociedade brasileira para com esta comunidade que é mãe da nossa nação (mãe rejeitada, demos por suposto).

Obviamente, as mazelas sociais do Brasil não param aí. Há pobres brancos, índios, de toda cor. Não defendo uma homogeneização das políticas sociais com focagem num setor da sociedade, mas uma uniformização das lutas para acabar com toda a injustiça social ainda presente e persistente no Brasil.

O tema das falsas lideranças negras, abordado também por Walter Jr., é um mal comum presente numa sociedade onde o Estado é apático. Chama-se "contra-poder"; existiu sempre no surgimento das lideranças comunitárias populares nas grandes capitais brasileiras a partir dos anos 1970, existiu quando do surgimento dos trabalhadores rurais sem terra e, agora, surgirá (até já conheço alguns) dentro do movimento negro.

Mas, meninos, gosto muito de vocês, admiro-os, até, e por isso digo que é importante dar ao povo afro-brasileiro o direito de decidir sobre o que querem fazer: Querem ir à universidade? Há vagas. Querem trabalhar? Há postos de trabalho.

Estarei em U. dos Palmares de 24 outubro a 21 novembro. Conversamos um dia sobre o tema? Não sou negro nem liderança de coisa nenhuma.... Abraço grande.

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Primeiramente gostaria de expressar o orgulho pelo seu acesso Lucimar. Em segundo, gostaria de aproveitar "a deixa" para suprir uma falha minha que foi não escrever um parágrafo no citado texto, que revelasse mais expressamente minha posição sobre as cotas: não sou contra as cotas em universaidades públicas, e sim CONTRA AS COTAS BASEADAS EM RAÇAS. Se no Brasil a maioria dos estudantes de escolas públicas são afro-descendentes, mestiços de índios, etc. porque então não distribuir as vagas por escola pública? 50% das vagas das Universidades Federais serem de escolas públicas já sanariam boa parte do problema, pois, alem de ajudar negro, índios, etc. ajudaria os necessitados de uma forma geral. Se um garoto branco for pobre, ele não poderá entrar na universidade com o artifício das cotas, isso também é racismo. Grande abraço.

Walter jr.


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