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1 de out de 2009

FILME: Anticristo

Antichrist

(Anticristo; Alemanha/Dinamarca/França/Itália/Suécia; Drama/Terror; 2009).

Anticristo é um filme impactante. A começar pelo título. Quem passar pelo cartaz, anúncio ou qualquer coisa relacionada ao filme logo fará ligação ao repúdio que a palavra causa na maioria das pessoas, essa designação que denomina aqueles que se opõem a Jesus Cristo. Mesmo sem levar muito em conta essa questão religiosa ou espiritual, foi difícil fechar os olhos para dormir e não ficar repassando determinadas cenas deste filme do diretor dinamarquês Lars Von Trier (Dançando no Escuro, 2000; Dogville, 2003).

Anticristo apresenta basicamente dois personagens (um casal), aos quais não foram atribuídos nomes, um psicanalista e uma escritora interpretados por Willem Dafoe (Homem-Aranha, 2002; O Plano Perfeito, 2006) e Charlotte Gainsboug (21 gramas, 2003; Sonhando Acordado, 2006). As interpretações são naturais e realistas, sobretudo quando se olha para Ela, a Charlotte Gainsboug dando o corpo e a alma para a personagem.

Ao apresentar somente dois corpos contracenando durante 99% do tempo, o diretor deixou tudo mais concentrado, mais forte. O filme é divido em partes. Na primeira, o prólogo, o filho do casal morre por causa da negligência (talvez) dos pais que se encontram fazendo sexo, e a criança acorda no meio da noite, anda pela casa, passa pelo quarto do casal que está com a porta aberta e mesmo assim não percebem a presença do filho. Com cenas em preto e branco, câmera lenta, o fato se dá poeticamente, apesar do impacto negativo que o contexto causa. Depois da morte do filho, a mulher não consegue sair de seu luto, e o homem vê-se obrigado a tentar ajudar através de sua profissão, o que não dá certo.

Anticristo tem poucos diálogos. Muitas sensações. Não há suspense, há o terror explícito, mas não o terror paspalhão que temos em determinados filmes, é um terror que sai dos personagens e se envolve com os acontecimentos, fazendo do drama um subtítulo. Mostra, principalmente quando o casal chega ao Édem, um local isolado no meio da floresta, o que o homem (o ser) pode pensar e fazer sem levar em consideração os fatores sociais e pessoais depois de certas decepções, culpas e movido pelo ódio ou frustração. A natureza humana é algo ainda não controlado, que não apresenta explicações em determinados momentos. As ações “quando o caos reina” podem deixar o espectador perplexo.

Anticristo não é um filme cru. É explícito até certo ponto, talvez somente nos momentos corretos, e pode estar ai o brilhantismo do diretor. Pode-se perceber as diferentes faces da atriz Charlotte, vezes extremamente feia, vezes soturna e sensual. E por falar em Charlotte, abstenho-me dos comentários sobre as “cenas de sexo”, cada um pode tirar sua conclusão sobre essa questão que pode se mostrar totalmente pertinente dentro do contexto do filme ou não. Anticristo é impactante e melhor do que qualquer crítica, comentários ou apresentações podem dizer. Basta assisti-lo sem medo de ter medo e de pensar.

1 Deixe seu comentário:

Muito bom o filme. Bom e enigmático, são várias as simbologias que o diretor trabalha. Também me atrevi a eescrever algo, em breve estará no meu espaço. Poxa o papel da mulher está perfeito, intenso. Ótima dica.