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3 de nov de 2009

Livro: Alice no País das Maravilhas

Gênero: Literatura Infantil
Ano: 1865
Autor: Lewis Carrol


Quem, em sua infância não fantasiou histórias mirabolantes em um sábado a tarde ao brincar sozinho no quintal de casa? Possivelmente muitos irão responder que sim a essa pergunta. Eu, quando criança, inúmeras vezes me imaginei sendo o Jaspion ou o Giban quando brincava. Eram recursos que utilizamos para fazer a brincadeira mais divertida ou para me distrair durante as tardes. Pode-se dizer que a história contada por Lewis Carrol em seu livro Alice no País das Maravilhas, segue a mesma proposta.

Alice encontrava-se, em uma bela tarde, com sua irmã. Ela lendo um livro, enquanto Alice encontrava-se entediada por não achar no livro lido pela irmã nenhuma graça. Portanto temos dois elementos que nos dão dicas para o possível mundo ilógico que estamos por ter pela frente: uma criança ávida por brincar e uma situação de completo tédio. São esses os dois fatores que lançam Alice em seu país das maravilhas.

Logo após nos informar que nossa personagem encontra-se entediada, um coelho branco é introduzido na história, ele fala e diz estar ocupado e entra em sua toca. Observando o curioso caso, Alice o segue, caindo no mesmo buraco que o coelho entrou. A queda dura um bom tempo, revelando uma grande profundidade do buraco (uma referência ao sono profundo que Alice cai e que só sabemos nas últimas linhas do livro). A partir daí tanto Alice quanto nós somos arremessados em um mundo desconhecido e ilógico, onde animais conversam, cartas de baralhos se relacionam com humanos e estranhos acontecimentos ocorrem.

A linguagem é um dos fortes recursos utilizados pelo autor. Como tudo não passa de um sonho, os acontecimentos aparentemente sem nexo estão postos coerentemente dentro da história. Trata-se da velha história da forma e do conteúdo, nesse caso usado com muita precisão: o conteúdo da história é reforçado pela forma como ela é contada, cheia de lacunas e falta de lógica.

Uma coisa me chamou a atenção nessa obra voltada para o público infantil: a ausência de uma moral no fim. Estando acostumados a ver em obras literárias infantis (como O Pequeno Príncipe e O Menino do Dedo Verde) uma lição educativa, ficamos meio decepcionados ao não encontrarmos nela, nem esboçada, esse tipo de ocorrência, o que torna a obra maçante e chata de se ler, uma vez que tudo aquilo apenas acontece, sem sentido nenhum. Talvez esse meu posicionamento seja um tanto preconceituoso, Carrol pode ter feito isso de propósito, buscando fugir um pouco do padrão dessas histórias.

Ao terminar de ler o clássico livro escrito por Carrol, me pergunto onde estão as maravilhas apontadas no título da obra. Essa pergunta me ocorreu devido ao constante clima de tensão e de aprovação pelo qual Alice passava em sua aventura e que senti ao longo da história. Mas, como tudo aquilo é uma projeção de Alice para quebra o tédio em que estava podemos inferir que alguns acontecimentos de sua vida real tenham sido refletidos me seu sonho. Viagem a parte, confesso que me decepcionei com a leitura deste clássico, que ao meu ver tem mais potencial para um roteiro de cinema do que para uma obra literária. Talvez seja por isso que Tim Burton esteja fazendo um filme em cima dessa história, é esperar para ver como tudo isso termina.

Texto escrito por Estêvão dos Anjos, que é natural de Palmeira dos Índios - Alagoas, formado em jornalismo e pós-graduando em Língua Portuguesa e Literatura. Estêvão também mantém ativo o blog Sobre Filme e Livros.

1 Deixe seu comentário:

Livro fantastico!

Grato por indicar o Apimentário, de verdade! abs