Blogroll

4 de fev de 2010

Cotas: O jeitinho brasileiro

Em breve o Supremo Tribunal Federal decidirá acerca de uma ação - ADPF - interposta pelo partido DEMOCRATAS sobre as cotas raciais na Universidade de Brasília. Tal questão sobre a reserva de vagas para afrodescendentes é alvo de inúmeras opiniões, sendo inclusive assunto de um livro escrito por "intelectuais". Entre os autores estão o geneticista Sérgio Pena, o economista Carlos Lessa, a antropóloga Eunice Durham, o poeta Ferreira Gullar, o historiador José Murilo de Carvalho, o sociólogo Simon Schwartzman e o jornalista Luiz Nassif, obra prefaciada pelo cientista político Bolívar Lamounier.

Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo levanta um ponto pouco explorado pelos defensores das cotas, a implantação de tal sistema como legalização do racismo. Os meios de comunicação pouco divulgam sobre esse importante julgamento pela mais alta corte do país, bem como as consequências que uma possível improcedência da ação terá na vida dos brasileiros. Afinal até onde deve-se discriminar para incluir? Quais as reais vantagens da tal "isonomia material"?

Stephen William Hawking é Doutor em cosmologia, físico teórico inglês, talvez o homem mais inteligente vivo na face terrestre. Aos 21 anos descobriu ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais. Infelizmente não existe cura para tal doença. Em 1985 após complicações decorrentes da doença, necessitou de um sintetizador de voz para se comunicar. Perdeu gradualmente o movimento dos braços e pernas, bem como do resto da musculatura voluntária, incluindo a força necessária para conseguir manter a cabeça erguida. Dessa forma, perdeu toda a sua mobilidade. Isso nunca impediu Hawking de continuar seus trabalhos em física teórica.

A política de reservas de vagas seja em universidades (afrodescendentes) ou concursos públicos (deficientes de qualquer espécie) atualmente é usada de maneira a driblar dificuldades intelectuais para alcançar objetivos de maneira mais fácil, bem como por exploradores políticos dessa facilidade. Não é difícil encontrar ações judiciais interpostas por brancos que se dizem negros para conseguirem adentrar nas universidades, ou pessoas com nenhuma dificuldade em viverem normalmente e que utilizam de problemas de saúde para alcançar o tão cobiçado emprego público. Legal? Sim. Moral? Não.

Tendo como plano de fundo uma "inclusão social", políticos angariam instituições de caráter duvidoso e assim tornam-se defensores da prática do jeitinho brasileiro. Na conquista de votos tudo vale, assim segue-se a implantação da desvalorização do mérito. Claro, quem não se comove com a história de exploração dos afrodescendentes ou de pessoas com necessidades especiais? Mas será que é valido atribuir reservas seja lá do que for para essas pessoas? Será que essa é a melhor forma de incluí-las na sociedade? Por que não investir na educação e no melhor trato com o ser humano, para que todos possam ter uma convivência pautada no respeito as diferenças?

Não, isso necessita tempo e a eleição está logo aí, os interesses escusos de particulares não pode ser deixado de lado. Dessa forma o Brasil abre a cova de sua sociedade, uma sociedade materialista e imediatista, que tudo faz na busca do crescimento individual em detrimento do coletivo.

Pessoas como Stephen Hawking são provas vivas da vitória pelo conhecimento, da não necessidade de reserva de vagas, um verdadeiro tapa na cara de políticos e membros de associações que usam questões históricas, sociais e de saúde como bandeiras de luta, quando na verdade estão apenas preocupadas com seus interesses, principalmente os financeiros.

Bruno Monteiro.

17 Deixe seu comentário:

Este comentário foi removido pelo autor.

O seguinte comentário foi postado acima e depois apagado pelo leitor pipoqueiro:

"Você não me engana. Engraçado que você é cotista de faculdade privada de Direito - Faculdade de Alagoas(FAL) pelo PROUNI e perdeu nas cotas raciais da UFAL. Isto você não diz, não diz da benesse da qual você se beneficia (bolsa integral em faculdade privada decorrente de reserva de vagas no vestibular); só não se beneficia por completo porque nem com cotas você passou na UFAL. Seja corajoso e publique este comentário e se não for corajoso o suficiente, aprenda a escrever com coerência e não com falso moralismo. A sua máscara caiu. O seu ingresso no mundo acadêmico se deu em prejuízo de outros que tiveram as vagas reduzidas para que você entrasse na faculadade. Agora, quer ser o moralista? Me poupe."

Disse que não teria coragem de publicar, foi publicado e depois apagado pelo leitor. A pessoa que fez tal comentário, mostra "conhecer" a minha vida. Mas ela desconhece alguns fatos.

Primeiramente não sou cotista de nada, nem nunca fiz vestibular concorrendo a vaga de cotas. No final de 2005 fiz vestibular para o curso de Jornalismo na UFAL, para as vagas destinadas aos não cotistas, passei na primeira fase e não na segunda. Sim eu poderia ter feito para as cotas, estudei no CEFET-AL e todos sabemos que a UFAL pouco fiscaliza quem é ou não é "afrodescendente". Sim, eu queria cursar Direito, sendo assim me inscrevi no PROUNI e ganhei uma bolsa integral na Faculdade de Alagoas (FAL). O PROUNI não é reserva de vagas, ele é uma seleção que usa como critério a nota do ENEM, são vagas abertas exclusivamente para pessoas desse programa federal. Inclusive no próprio PROUNI existe uma "cota para afrodescendentes", vagas essas que não foram as que concorri. Fiquei em 2º lugar na seleção da Faculdade de Alagoas.

Não sou cotista de nada, e se alguma máscara caiu não foi a minha. Até porque não existe nenhuma aqui, essa opinião expressa no texto é exposta desde o início dessa prática nefasta. O texto é sim coerente, se não acha me dê aulas de como escrever melhor. Moralista? As cotas são imorais, como toda e qualquer forma de "reserva".

Enfim, quem tremeu na base foi você que postou tal comentário, que se escondeu no anonimato e posteriormente apagou o comentário. Então seja lá quem for, tenha coragem de me questionar sem ser de forma anônima, não fujo de nada, nem de críticas. Se quiser falar da minha vida, procure se informar direito antes de escrever mentiras, não preciso de cotas... quem me conhece sabe que não preciso disso.

Uma coisa que esqueci de comentar. No fim do comentário o sr. que usa um perfil entitulado "escritor" (anônimo), manda poupá-lo de um possível "falso moralismo".

Meu caro... não posso poupar alguém que se esconde do anonimato, o blogue está aqui pra qualquer um ler. Acessa quem quer.

Outra, vc deve ser a mesma pessoa que me xinga diariamente no Formspring, cara... não sei quem você é, até imagino. Se têm algum problema comigo, se tem alguma paixão oculta, raiva, ódio, seja lá o quê. APAREÇA. Mostre a cara. RESOLVA COMIGO.

Pare de me xingar anonimamente, isso não leva a nada. Apenas mostra o quanto você é covarde.

Tendo como base algumas críticas ao texto, cabe o esclarecimento sobre alguns pontos.

No último parágrafo as associações a que me refiro, são as que defendem os "interesses" dessas pessoas. A título de exemplo, entidades negras na ação a ser julgada pelo STF, pleiteam o direito de serem ouvidas no processo.

Pergunto a todas as associações de afrodescendentes bem como as de pessoas com deficiência, vocês pleiteam tão ferrenhamente políticas de educação?? Políticas que possam mudar a visão de parte da sociedade sobre vocês? Não... isso vocês não fazem. Justificam a inclusão através do Ensino Superior ou de Cargos Públicos como a alternativa mais viável.

Assim, não vejo uma forma de reeducação da população e sim uma imposição que não gera o objetivo almejado. Continuará existindo esse pensamento e nunca haverá a igualdade tão almejada. Essa profissão ou dinheiro não compra.

Dessa forma, reitero minha posição. Tais associações apenas estão preocupadas com o bolso dos associados. Fruto da necessidade do status e da ganância que impera na sociedade atual.

Hoje foi veiculada matéria no Jornal Nacional sobre as cotas para estudantes de escolas públicas na UFSE.

Essa considero a mais nefasta prática das cotas, o investimento no ensino fundamental e médio é pífio. Com esse tipo de cotas tentam maquiar os resultados de aluno provenientes de escolas públicas de baixa qualidade. É mais fácil criar cotas desse tipo do que investir na melhora do ensino público.

Enfim, a conscientização da sociedade é deixada de lado, com as cotas. Não existe uma real perspectiva de "inclusão" dessas pessoas na sociedade. Respeito não se adquire dessa forma, essa é a minha opinião.

Claro, existem várias. O importante é o debate.

A título de informação acerca da "acusação" feita a minha pessoa sobre ter tentado vestibular na UFAL na vaga dos cotistas e não ter passado, posto o resultado do vestibular que fiz.

PSS 2005
Jornalismo Diurno
Média Final 539,68
42º lugar (24 vagas)

Eram 30 vagas, tirando as 6 destinadas ao cotistas sobraram 24. Segundo o manual do candidato do PSS posterior a pontuação do último candidato classificado foi 562,97. Sendo assim não passei, mas passaria em qualquer curso da área de Humanas - menos Jornalismo - se tivesse tentado nas vagas destinadas aos cotistas. No ano a média do último aprovado cotista em Jornalismo Diurno foi 574,74.

Entraria inclusive no curso de Direito, se tivesse tentado cotas:
DIURNO - 532,74
NOTURNO - 528,95

Então, quem me acusou procure se informar melhor.

sou totalmente contra o sistema de cotas. é absurdo demais. por conta das falhas governatais com a educação, milhares de alunos sao punidos através desse sistema. que acaba jogando ralo todo esforço (até financeiro) de um ano estudando pro vestibular. o caso dos alunos que tentaram uma vaga na UFSE só prova o quantoa se vem errando. candidatos mais preparados ficam de fora, consequentemente o nivel dos profissionais formados será menor. mais deficiencia nas ruas. o governo deve, sim, priorizar uma educação de base mais forte, dando oportunidade iguais a não-iguais. só assim todos concorreriam igualitariamente no vestibular. eu já vi muito negro e pobre passar no vestibular porque estavam preparados, e não porque se valaeram de um programa que atrapalha quem está, realmente, preparado. valeu bruno, bom artigo.

Cotas são para incompetentes que passam a ser competentes só pq o governo disse q são.

Gostei do texto e parabenizo ao Bruno Monteiro.

Um pequena digressão:
"Não sei por que as pessoas tende a analisar a vida dos outros e não os argumentos apresentados?

Penso que, num debate, a preocupação deveria ser com a verdade e não com a pessoa do orador."

Voltando!
1) Qual a vantagem em entrar numa faculdade com pouco esforço se com pouco esforço não se sai dela com um diploma?
2) Que relação há entre a coloração epitelial com a capacidade intelectual do
indivíduo?

Claudemir Leandro.

O famoso "jeitinho brasileiro" de resolver as questões politicas e sociais do país, parecem mais faceís que investir em uma melhor qualidade do ensino público, dando privilegios a uns e desfavorecendo a outros.É assim que se pretende chegar a uma sociedade com menos desiguadades sociais??

A questão das cotas é inegavalmente um absurdo, só não critica quem tem pelo menos um
olho fechado para as questões sociais. Apesar de promover uma rápida e real inclusão para os
ditos "historicamente" prejudicados, mais que promover essa benfeitoria, esse tipo de ação ameaça o futuro
do país e dos próprios beneficiados, dando educação superior pífia a pessoas sem a formação
adequada. E essas pessoas não tem culpa direta. Os políticos preferem esse tipo de ação pública
por ser mais popular e imediatista que investimento alto, rápido e sem burocracia, com
planos bem traçados, na Educação Pública básica e média.

Vamos aguardar com paciência o julgamento no STF. Talvez, e mais uma vez, o Supremo dê um
norte melhor para a Educação no Brasil, uma vez que o Poder Executivo não o fez nem quer fazer.

Segue adiante o link para acompanhamento da ADPF citada: http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=institui%E7%E3o%20de%20cotas%20raciais%20na%20Universidade%20de%20Bras%EDlia%20%28UnB%29&processo=186

Este comentário foi removido pelo autor.

Prezada A.

Acredito que não se dê para falar de cotas para afrodescendentes e cota para escola pública da mesma forma, pois os argumentos são específicos de cada um.

Não li, nem ouvi, que nestes últimos 10 anos alguem que tenha obtido uma excelente nota no vestibular tenha sido impossibilitado em cursar a universidade devido a sua cor. Se isto que percebo não for fruto da minha ignorância, então a cota racial não se justifica.

Outra coisa, a cota para estudante em escola pública só mostra que a educação do ensino médio é péssima (agora com o consentimento e reconhecimento do governo). Então é este que precisa melhorar e não descer o nível do ensino superior. Devemos nivelar por cima, elevando o que está caindo e não descendo o que se está em uma boa posição. Além disso, se para poder passar no vestibular se faz necessário fazer cursinho então o que justifica a existência do ensino médio?

Por fim, alegar preconceito para criar cotas é no mínimo temerário. Pois há preconceitos com os nordestinos, loiras, gordos, baianos, baixinhos, portugueses, etc. Claro que em níveis distintos. Mas que critérios usaremos para justificar a criação de cotas para uns e não para os outros?

Att,
Claudemir Leandro.

P.S.: Todos as razões apresentadas, a minha pessoa, a favor das cotas são de natureza sentimentais e não racionais. Citação de casos particulares em nada contibuem para o debate, pois os dados não nos dizem sobre as causas. Estes alunos que citastes são dedicados não por causa da cota. A cota não educa alguem a ser virtuoso... a virtude tem outra origem. Mas esta é uma outra discursão.

Como tinha dito, cotas para mim é um assunto complicado. Ao longo de anos mudei totalmente minha visão em relação às cotas. Cotas é uma medida “emergencial” sim, mas não creio que totalmente errada. Um investimento na educação básica é extremamente necessário e deve ser cobrado. Mas é um processo lento e demorado, e é necessário que algo seja feito agora, no presente. A reforma educacional deve ser realizada juntamente com medidas paliativas, como as cotas. Todos devem ter direitos iguais, é o que diz a constituição, mas o que vemos é a precariedade dos meios no Brasil, a escassez de possibilidades, de um passado repetitivo, portanto um presente, de um futuro misturado em um espelhamento social indiscernível.
Ao mesmo tempo em que a constituição trata da igualdade, ela também diz que para se chegar a essa igualdade é necessário promover ações que permitam que todos cheguem a essa tal sonhada igualdade. Como as cotas.
Pra mim, as cotas trabalham diretamente na busca desse equilíbrio. E além do mais, as cotas têm que ter um auxílio de outras medidas, ou não funcionam do modo esperado.
Não acredito que com as cotas estamos ferindo "direitos" ou prejudicando quem quer que seja.


P.S: Creio que isso seja um espaço aberto, e as opiniões devem ser esplanadas da forma que cada um achar melhor. Se não acrescentam nada ao debate, como você disse, cabe ao moderador não aceitar o comentário. Acredito que para isso exista a moderação no site. Mas não dá para ficar discutindo com bacaninhas bem informados como você, que se acham o reflexo da verdade, ou pelo menos acreditam nisso. Mas isso já é outra discursão

Andreza Mendonça

Prezada Andreza.

"Não acredito que com as cotas estamos ferindo "direitos" ou prejudicando quem quer que seja."

Isto é uma constatação evidente. Busca-se beneficiar um grupo, mas quando o faz, prejudica a outra parte. Em geral as ações tem um duplo efeito e este caso não é diferente.

Quando disse: "Citação de casos particulares em nada contribuem para o debate" eu expliquei o motivo "pois os dados não nos dizem sobre as causas". Não se pode afirmar que as cotas foram o fator que despertaram o interesse desses alunos ao estudo.


"Mas não dá para ficar discutindo com bacaninhas bem informados como você, que se acham o reflexo da verdade, ou pelo menos acreditam nisso."

Andreza, por favor, analisemos o teor dos argumentos. Em nenhum momento dirigi a sua pessoa, mas apenas as suas palavras. Espero, da sua parte, um tratamento análogo.

A exclusão das postagens também dificulta o entendimento, pois perde-se a continuidade e, portanto, as respostas ao comentário excluido carece de sentido.

Atenciosamente,
Claudemir Leandro.

O famoso "jeitinho brasileiro" de resolver as questões politicas e sociais do país, parecem mais faceís que investir em uma melhor qualidade do ensino público, dando privilegios a uns e desfavorecendo a outros.É assim que se pretende chegar a uma sociedade com menos desiguadades sociais??

Prezada A.

Acredito que não se dê para falar de cotas para afrodescendentes e cota para escola pública da mesma forma, pois os argumentos são específicos de cada um.

Não li, nem ouvi, que nestes últimos 10 anos alguem que tenha obtido uma excelente nota no vestibular tenha sido impossibilitado em cursar a universidade devido a sua cor. Se isto que percebo não for fruto da minha ignorância, então a cota racial não se justifica.

Outra coisa, a cota para estudante em escola pública só mostra que a educação do ensino médio é péssima (agora com o consentimento e reconhecimento do governo). Então é este que precisa melhorar e não descer o nível do ensino superior. Devemos nivelar por cima, elevando o que está caindo e não descendo o que se está em uma boa posição. Além disso, se para poder passar no vestibular se faz necessário fazer cursinho então o que justifica a existência do ensino médio?

Por fim, alegar preconceito para criar cotas é no mínimo temerário. Pois há preconceitos com os nordestinos, loiras, gordos, baianos, baixinhos, portugueses, etc. Claro que em níveis distintos. Mas que critérios usaremos para justificar a criação de cotas para uns e não para os outros?

Att,
Claudemir Leandro.

P.S.: Todos as razões apresentadas, a minha pessoa, a favor das cotas são de natureza sentimentais e não racionais. Citação de casos particulares em nada contibuem para o debate, pois os dados não nos dizem sobre as causas. Estes alunos que citastes são dedicados não por causa da cota. A cota não educa alguem a ser virtuoso... a virtude tem outra origem. Mas esta é uma outra discursão.