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9 de fev de 2011

Sem risco de levar pedrada

por Sérgio Rogério

Entendo a política como algo extremamente necessário para o desenvolvimento de uma cidade, estado ou país, isso, é lógico, se ela for utilizada de forma como preconiza Aristóteles: “a política [...] tem como objetivo a coletividade”. Caso contrário teremos fatores bem fortes para abominar a política, as ações políticas e, principalmente, os políticos.

O Brasil, um país emergente, está carente de políticos honestos, isso não quer dizer que eles não existam. Temos por aí um Sarney que se diz cansado, mas não quer largar o poder de comandar o senado. A cada instante nos deparamos com esquemas envolvendo líderes que têm como função precípua atuar em favor da população. Atualmente estamos sendo testemunhas da prisão de ex-deputados Alagoanos que durante todo o seu mandato foram acusados de cometer crimes e por conta da nossa legislação, tinham foro privilegiado, através de nossa democracia, perderam as eleições e hoje são cidadãos “comuns” e, se a justiça for correta, responderão por seus crimes. Esses são, infelizmente, tipos de alguns dos nossos atuais representantes.

Temos uma bancada de deputados federais que mal sabemos se eles existem, isso pelo silêncio nas eleições agindo através da compra de votos e também pela falta de projetos elaborados durante o mandato. Temos ainda o pior, isso em minha opinião, trio de senadores, isso é reflexo de quê? Para ajudar nesta reflexão: somos o Estado com o pior índice de desenvolvimento juvenil; na educação, somos os piores nas provas do ENEM por anos consecutivos; a violência do nosso Estado é uma das mais perversas; a saúde, o lazer, o esporte e a cultura são lembrados de forma esporádica e em datas comemorativas (Consciência Negra é um bom exemplo disso).

Então, o que esperar de políticos que se aproveitam da ignorância de uma boa parcela da população a saem das eleições como campeões de votos? Ignorância aprofundada por eles com a não implantação das políticas públicas necessárias.

Como disse, entendo a política como algo necessário, não a politicagem que, infelizmente, a maioria dos detentores de poder vem fazendo ao longo de nossa história.

As eleições estão sempre aí beirando a nossa porta, vejo sempre que um processo eleitoral é o ensaio do próximo. Encerro parafraseando o escritor José Saramago quando diz que temos que perceber a quem damos poder, o que fará com o poder e o que fez para conquistá-lo. Temos que votar com esse olhar. Felizmente não estamos no Egito, senão, corria o risco de levar pedradas.

Texto originalmente reproduzido no blog do Paulo Veras (pjveras.blogspot.com)

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Boa observação Sérgio,Concordo no que diz respeito a educação e sobre o descaso consciente dos governantes. Também vejo que todo este abandono com a educação é proporcional.

Porém, como não podia deixar de ser, como "esquerdista" moderado que vc se tornou, defende as eleições como ÚNICA saída da corrupção incrustada em nosso país.

Não sei se entendi certo, mas me corrija se estiver errado, na última linha do texto vc diz: "Ainda bem que não estamos no Egito, senão, corria o risco de levar pedradas." Não compreendi, pois, no Egito só levava pedradas quem não estava ao lado do povo, mas quem defendia Mumbarak ou queria se aproveitar do povo para se emancipar, estes sim mereciam e merecem muitas e muitas pedradas. Creio que, como vc se diz, ao lado das massas não levaria tais pedradas.

Além do mais, de que outra forma arrancariam aquele ditador, ou o "faraó" como diria Minervino, do poder? Se não através da justa rebelião popular com pedras, paus e molotov's? Era isso ou passar mais 30 anos acreditando que as eleições vão iriam mudar alguma coisa.

Jeferson Santos

Jeferson, as pedras iam e voltavam de ambos os lados. Então, tomando qualquer posição lá levasse pedrada.
abçs