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21 de jul de 2011

Livro: Gomorra

Gomorra
Roberto Saviano, 2008.
Ed. Bertrand Brasil


Dando continuidade a `trilogia´ Como Entender o Mundo patenteada por nós do TM, apresento-os a segunda obra: Gomorra, uma história real de um jornalista infiltrado na violenta máfia napolitana, livro premiado e best seller na Europa; aqui no Brasil ficou conhecido através da telona [clique aqui para ler a resenha feita por nós] quando em 2009 estreou o filme homônimo também com grande repercussão. Porém, o livro é muito superior, cheio de detalhes e linhas de roteiro ignoradas pelos produtores da película que, como já é tradição, sempre tentam romantizar e aliviar um pouco as coisas como elas são.

A caveira na capa do livro ilustra e resume bem o teor daquela brochura. A busca de dinheiro e poder por meios legais [ através da política e iniciativa privada] e ilegais [pirataria, tráfico de armas e entorpecentes]. Logicamente que a junção desses fatores resultam num mundo paralelo cruel comparado ao que a massa está acostumada a viver em seu cotidiano. Mundo este, restrito a um pequeno grupo que controla milhões de euros e é dono de trilhões de euros e impulsiona a economia mundial como qualquer multinacional.

Para estruturar e manter um sistema dentro de outro sistema [capitalista] leva-se anos, décadas para que tudo seja consolidado. A máfia vem de muito antes de mim, de você, de nossos pais, de nossos avós... Apesar do tema só vir a tona de 50 anos pra cá, com AL Capone e similares, esse sistema paralelo é muito antigo. O livro foi registrado em 1979. Só em 2008 foi publicada a 1º edição. Logicamente que o autor, mesmo tanto tempo depois dos ocorridos, ainda corre risco de ser morto a qualquer momento. O quem tem escrito nele, parece ter ocorrido ontem e amanhã os fatos estariam narrados nas manchetes dos jornais.

É de se presumir que quem vai de encontro a esse sistema, naturalmente morre. Como então buscar informações verídicas in loco sem levantar suspeitas? O jornalista Roberto Saviano arriscou: deixou a pacata vida que tinha e viajou para o sul da Itália, mas precisamente Nápoles. Era lá o quartel general fragmentado da máfia. Chegando lá o jornalista tratou de arrumar um subemprego num negócio ilegal comandando por uma famíla chefe da área do Porto de Nápoles. É daíque começa a jornada nada agradável do corajoso jornalista-escritor. Ele não deixa claro a data exata dos acontecimentos para evitar ser descoberto, pois para os grandes chefes, ele não passava de peão.

O modus operandi do crime organizado iltaliano foi no passado o espelho para o crime se organizar em outros países, como o Brasil, por exemplo. Países como Romênia, Croácia, Espanha, Inglaterra, França, Alemanha, China, HOng Kong, Filipinas, Índia, Japão, Coréia do Sul, Colômbia, Venezuela, Bolívia, México, EUA, tem máfias bastante atuantes em seus territórios e a economia desses países depende, e muito, desse dinheiro sujo. Contudo, todos têm como base a máfia italiana, respeitadas as peculiaridades do local e cultura onde é inserido e posto em prática; é sistema de fácil aprendizado, com muitos laranjas que contratam mão de obra barata para trabalhar em empresas de fachadas [de lavanderias de roupas, joalherias, boutiques, concessionárias de auto móveis, empresas de importação e exportação, etc.] que funcionam tanto como escoadouro de drogas e produtos piratas como para lavar todo o dinheiro, com o apoio de agentes públicos infiltrados nos 3 poderes e nos 3 âmbitos de governo: é aí que esse livro completa o anterior citado por nós [A Ética da Malandragem]. Se naquele é exposto o modo de agir dos políticos, neste é desvelado o dos caras que fazem o trabalho sujo para os poderosos de colarinho branco, os "homens de bem" da sociedade.

Para que tudo isso aconteça, existem guerras, inimigos e aliados. Para que tudo isso funcione, deve existir um governo que compactue e ofereça condições para que ambos os sistemas trabalhem juntos, esmagando à massa, desrespeitando o cidadão, cooptando garotos para serem soldados do tráfico ao mesmo tempo que novos empresários, juízes, advogados e políticos corruptos proporcionam toda a infraestrutura para que "a roda gire"... Afinal, você já parou para pensar de onde vem a droga que o aviãozinho vende na esquina? Logicamente ele não foi até o Paraguai, Bolívia, para pegá-la... Da fonte até o rafamé noiado, o crack precisa de gente graúda para fazer a ponte. E também é lógico que eles não transportam de quilinho em quilinho... São toneladas de drogas, eletrônicos piratas, eletrônicos furtados, descaminho, contrabando, falsificações... Até empresa de tratamento de lixo atômico a máfia tem... Mas eles não tratam o lixo; eles enterram nos pobres países africanos... Imperdível leitura para quem quer saber o que acontece no `lado negro da lua´, se é que vocês me entendem...

W.A.
@walter_blogTM / wjr_stoner@hotmail.com

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