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18 de dez de 2012

EDITORIAL: a falência das instituições sociais; parte I [Família]


O hiato foi grande, admito. Maior até do que merecíamos. Confesso eu a vocês, estimados leitores(as), que minha vontade de retornar com o TM era, senão nula, ínfima. O que eu vinha escrevendo, pensando e articulando há mais de 10 anos entre jornalecos, zines e blogs no meu ver já não fazia mais sentido. O estimulo havia acabado para expor idéias de vanguarda que visavam nada além do que um aprimoramento cultural social dentro dessa decrépita sociedade (hora feudal, hora anárquica) em que, querendo ou não, estamos todos inseridos. Porém, graças a Deus, serei pai. E isso me fez voltar a ter esperança em o mundo ser um lugar melhor. E mesmo que eu nada mude na realidade empírica, meu filho vai ter a prova que eu morri tentando ser um ser melhor espiritualmente e lerá, a título de herança, minhas melhores idéias, aquelas que merecem um mínimo de atenção. Até janeiro, se o mundo não acabar.

Dezembro, 2012.



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"Quem? Eu?" Você pode se perguntar, se auto-excluindo. "Não! Comigo não!"... Pois é. Você sim. Eu também. Somo nós os culpados por tudo. E isso não é exagero novelesco nem drama filosofico-existencial.Hoje em dia, todos somos responsáveis por tudo. Das coisas boas às ruins. Das guerras norte-americanas ao uso de mão-de-obra infantil por grandes marcas de roupas, tudo é nossa culpa. Afinal, nós tentamos seguir o estilo de vida deles, usando com orgulho suas tecnologias desenvolvidas em guerras, suas universidades que formam cientistas produtores de armas de guerra, suas roupas costuradas por crianças asiáticas pobres, etc. etc. etc. As fronteiras entre países são criadas por leis intangíveis; as divisas entre estados da mesma Federação também; os limites entre cidades; as divisões dos distritos, bairros, quadras... Tudo é feito de forma abstrata excetuando-se as barreiras (cercas, muros, portões) feitas pelo próprio homem para regular suas leis e costumes. Então chegasse à casa, abrigo inviolável como diz nossa Constituição. Mas as paredes de concreto, sejam elas enormes com cercas eletrificadas ou elevadas em agigantados condomínios fechados, não impedem que nem eu nem você sofra as conseqüências do que ocorre a milhares de quilômetros de distância. Não adianta se esconder, a verdade sempre vem bater a nossa porta.

Com nossos carros, nossos empregos, até com nossos gostos musicais e cinematográficos, para dar exemplos, estamos afundando o mundo em que vivemos, minando as instituições sociais que tanto fizeram o homem evoluir desde à Revolução Francesa. O capital das grandes empresas multinacionais se misturaram, assim como as economias de países relevantes se fundem como é o caso da União Européia; essa "cultura de fusão" em busca de dinheiro acabou por transpor os limites dos gabinetes dos homens de paletó e gravatá, abarcando no nosso dia à dia disfarçadamente em meio à cultura (livros, filmes, revistas, musica) de lixo que vende a violência, o sexo e o interesse à vida alheia como bojo principal dos produtos oferecidos pelas "indústrias do entretenimento" dos países "desenvolvidos". É fato.

O que esperar das Instituições Sociais (Família, Escola, Governo, etc.) num mundo descartável, embebido na frugalidade e na insensatez de uma geração de está crescendo assistindo Rebeldes, Malhação, acha o CQC o auge da inteligência, e antes de dormir aceita tudo que globo mostra no Jornal da Globo como sendo "um retrato da realidade"? O que esperar de uma geração de só escuta músicas de temática romântica seja ela em axé, sertanejo, forró, pagode...? O que esperar de uma geração que acha que ter um diploma, passar a existência atrás de uma mesa refrescado pelo ar condicionado e no final do mês receber R$20.000 é o objetivo de vida a ser alcançado à todo custo?

Pois é caro leitor, a questão é muito complexa. Então para começar a tentar mudar algo nesse mundo cão, comece mudando você mesmo. Assim, mudasse a Família e assim se consegue mudar as Instituições Sociais e, quem sabe um mundo menos injusto ressurja. Não caia nessa que a "revolução" se faz por cima. A verdadeira Revolução se faz por baixo e ela não tem haver com Política. Tem haver com PESSOAS. A Revolução tem haver com as necessidades mais humanas como respeito, dignidade, igualdade, fraternidade, etc. É por falta dessas coisas que o mundo está como está, cada dia pior e um dos fatores preponderantes nessa guinada do mal na sociedade é graças ao esfacelamento da primeira Instituição que garantiu a sobrevivência de nossa espécie:



A Família.

Uma instituição social, nesse caso, a família,  é um mecanismo de proteção da sociedade, que contém um conjunto de regras e certos procedimentos de conduta para a convivência padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo consangüíneo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam. Sem essa importante instituição não estaríamos vivos hoje, isso é indiscutível. 

As bases das primeiras cidade ocidentais como Atenas e Esparta foram os "genos", tipo de organização social da Grécia Antiga, durante o período homérico formados por clãs de grandes famílias onde quem comandava era o pai, sucedido pelo primogênito. Esse modelo de sociedade foi o mais justo de toda a história. A propriedade nos gene era comunal, ou seja, coletiva: plantavam e colhiam em conjunto. No entanto, passados três séculos, os genos entraram em colapso, pois a população cresceu e não havia terras cultiváveis para todos. Assim, com a explosão demográfica, pensou-se em explorar mais regiões (2ª Diáspora Grega), sem sucesso. Como solução, determinou-se que as terras passariam a ter posse privada (pelos descendentes diretos dos chefes dos antigos genos). A coletividade consequentemente acabou e os níveis de desigualdade social apareceram.Como forma mais eficiente para organizar a sociedade grega, surgiram as cidades-Estados, estas, deram alicerce às cidades que hoje habitamos. Enquanto éramos organizados em prol da família, deu tudo certo. Quando deixamos essa instituição em planos inferiores a coisa começou a desandar.

A Grécia foi absorvida pelo Império Romano, onde só quem tinha direito de ter uma verdadeira família eram os patrícios. Com a queda do Império e ascensão dos feudos e consequentemento dos Estados Modernos, a questão consanguínea se fortaleceu ainda mais com vista em preservar terras e poder, inclusive com a prática do casamento entre irmãos. Até o início da II Guerra Mundial, a família ainda detinha o poder no núcleo social. Após a II Guerra, a instituição familiar entrou em declíno; Os séculos de puritanismo no seio familiar, a resistência em existir um diálogfo franco que visasse o bem da coletividade, baseado na razão e não no senso comum enraizou de tal forma um tipo peculiarmente nocivo de hipocrisia: a partir dos anos 60, passa a existir um padrão mundial de ser e existir a ser seguido, o padrão norte-americano que até os dias atuais ditam a política e a cultura de quase todos os países do mundo direta, como no caso dos países do Oriente invadidos, ou indiretamente com a Colômbia, Chile, Grécia, Egito, Hong Kong, Brasil...

O puritanismo norte-americano implode, aparecem os movimentos de libertação social, de esquerda, o comunismo ganha força, e toda a hipocrisia e demagogia vem à baixo com os hippies que faziam amor ao ar livre em contraste com os bons moços que moravam no suburbio em grandes casas, iam pra faculdade, à igreja mas que são contra o diálogo com as diferenças... O capitalismo vence o comunismo com base na premissa que o comunismo é contra à familia; da geração hippie o que sobra é uma industria cultural vendida que vende sexo, violência e afins. A geração liberdade, que aqui no Brasil durou até início dos anos 80, pra quem tinha dinheiro óbvio (porque os pobres - gente como eu e você - nessa época se fodiam nas mãos da Ditadura) a vem a gereção baby-boom que são os filhos dos hippies; esses agora tem que ir à faculdade e ser "alguém" na vida ou seja, gerar dinheiro e poder para quem nem ao menos se sabe que existe numa cadeia tortuosa de produção, propaganda, vendas, ações, ações judiciais, congêneres e etc. etc.


Enquanto essa geração trabalha e enriquece, as desigualdades só aumentam e os mais ricos ficam mais e ricos e os mais pobres, naturalmente mais pobres. É notório a evolução industrial nos setores médicos, de segurança, comunicação, transportes; nesse período até os dias de hoje ganhou-se em setores específicos porém diminutos da vida, comparados àqueles fatores que fazem tudo funcionar: o ser humano em si, per si. Nós conseguimos a proeza de sermos tão egocentristas que, na prática, esqueemos de nós mesmos. Somos o centro do mundo, ditadores das leis e regras sociais, dominamos os mares, terras e um pedacinho do espaço; subjulgamos todas as outras espécies e criamos tudo que nos rodeia modificando a natureza, a realidade.

Criamos muitas coisas incríveis, e outras tantas banais. Mas não conseguimos manter a mesma "produção" em relação à nós mesmos e a harmonia que supostamente deveria existir na vida em sociedade. Na escada da Evolução, desde à decadência Idade Média e explosão do Renascimento, as faculdades/universidades entram em cena e começam os eternos estudos de teses, projetos acadêmicos; em sua grande parte, o conhecimento exaurido das universidades não dis respeito ao ser humano em si, mas à fatores práticos da vida que gerem renda, dinheiro. Lógico. Capitalismo. A sociedade não conseguiu balancear a falta de liberdade até então vindoura com a onda liberal que nasceu nos anos 60, 70 e culminou na balbúrdia que vivemos hoje. 

A principal instituição que sofreu com essas mudanças radicais, mas não menos naturais, foi a família. A hipocrisia, demagogia do núcleo familiar vigente rui totalmente ao se defrontar com jovens que fazem tudo aquilo que eles foram doutrinados pela mídia, pelo sistema e pela sua própria ignorância a não fazer. Ambas atitudes são extremas e errôneas, tanta a atitude castradora dos pais como a liberalidade excessiva que beira à anarquia dos jovens. A falência da família capitalista é reflexo de como construimos mal nossa sociedade. Deixou-se que o modo de vida vazio do americano que trabalha 12 horas por dia, 7 dias por semana e não se preocupa com o que se passa em casa com seus entes queridos tomasse conta do modo das nossas famílias.

Prefere-se hoje passar mais horas remuneradas no emprego do que em casa, com os filhos; existe casos de ser a carga horária tamanha, que os funcionários só tem tempo mesmo pra descansar quando chegam em casa e anulam suas vidas sociais e familiares. Seguindo essa linha hipotética, a mulher hoje em dia também busca trabalhar, o que distancia mais ainda o que era pra ser o núcleo garantidor de amor, segurança e educação para os filhos em casa. Relaga-se então às creches, escolas, cursos complementares (balé, judô, natação, inglês) a educação dos filhos pois os pais, em suas buscas de mais bens materiais (pois apenas o sustento não basta) não tem tempo para sentar, fazer a tarefa, conversar, explicar o mundo de forma clara, baseado na bondade e não no egoismo aos seus filhos. 

E no meio da correria de hoje, da "falta de tempo", e principalmente da facilidade que se tem hoje de preferir desistir das pessoas do que tentar realmente ser felizes como fomos criados por Deus para sermos, grande parte dos pais se separam. Estudos atuais mostram que depois do liberalimos o numero de divórcio e gravidez indesejadas/inesperadas de jovens dobram a cada ano; o IBGE anunciou o aumento de 47,98% no números de divórcios de 2011 comparado com 2010;  a família vem se esfacelando em frangalhos. E são os filhos dessa família em frangalhos que crescem sem pais presentes, mas quando presentes mesmo assim conseguem ser ausentes, que hoje ajudam a destruir as demais instituições sociais. Essas crianças mal criadas pelas escolhas dos pais, já crescem desacreditadas no amor, na fraternidade, na igualdade. É quase impossível formar uma família integra se você não teve uma. Essas coisas não se ensinam na faculdade.


Se a violência tomou conta as ruas, se é cada vez maior o numeros de pessoas nas esquinas ociosas, se cada vez mais os políticos desviam verbas preciosas da educação, da saúde, da segurança, é porque a familia está definhando, pois se não nos esforçamos para ter um convívio harmonioso, saudável com respeito e sinceridade dentro do círculo daqueles do próprio sangue, como viveremos em harmonia com o restante da sociedade? Se os pais não passarem ensinamentos nobres como a retidão de caráter, a procura da sabedoria, a adoção de conversas sadias que provoquem discussões que iluminem as ideias das crianças, como então podermos esperar um mundo melhor? Se não mostrarmos a nossas crianças que o mundo em que vivemos, do jeito que está, não pode ficar, não existirá esperança para nossos filhos.

A família é a base de tudo. E dela dependa as demais instituições. Deixa-la entregue a esse modo de vida sedentário (tanto fisica quanto mentalmente) onde não se dá o devido valor ao amor de Deus, ao conhecimento que eleva o espírito, em que estamos inseridos, desembocará na ruína daquilo que tantos derramaram seus sangue para garantir: nossa liberdade. O pensar em si mesmo, o egoismo desenfreado, a falta de amor ao próximo, fracionará tanto nossa sociedade que sucumbiremos fácil à outra ditadura para "sanar" a anarquia que derá nos próximo anos. Cabe somente a cada um de nós, aceitar as coisas como elas estão ou mudar. Revolucionar nós mesmo. Bom fim de ano a todos.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / facebook.com/Walter_blogTM     

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