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11 de nov de 2014

EDITORIAL: "Que país?! O Brasil não é um país, é um time de futebol" "

A frase que dá título ao texto, extraída do filme Redentor [2004] do diretor Cláudio Torres,  expressa com popular sabedoria o status quo, a condição de existência de nosso vilipendiado país. A máxima da "pátria de chuteiras" criada pelo escritor Nelson Rodrigues nunca foi tão atual, intrínseca e motivadora de ser e estar da grande maioria dos brasileiros com a realização da Copa do Mundo 2014. Nossos jovens não possuem princípios políticos, filosóficos ou culturais e toda a energia de efervescente idade se materializa em ídolos banais, sem profundidade intelectual que não passam de atores do show business agindo como marionetes do sistema que ajudam a atrofiar e manter ainda mais presa às jovens mentes das tenras gerações com sua submúsica, subliteratura, subfilmes, subtudo.

Tudo bem, estão havendo manifestações quase que diárias diárias contra tudo de podre que a política nacional sustenta. Contudo, aqueles cidadãos que estão indo às ruas, apesar de exprimirem a vontade de milhões de brasileiros, são minorias; e como toda minoria, sofrem, e muito na mão de ferro do Estado, que, mesmo sendo "democrático" nunca deixará de ser violento pois é formado por homens de mentalidade ainda em desenvolvimento intelectual. Nem os milenares Estados europeus e asiáticos conseguiram ainda tamanha evolução social - também lá as manifestações [quando permitidas] são abafadas com atitudes violentas. E quanto a isso todos já sabem: violência gera mais violência. Não podemos esquecer o fator de influência dos partidos políticos e seus militantes que sempre contribuem para a radicalização dos protestos, fato este que favorece os governos pois retira a legitimidade reivindicatória daquilo que deveria ser um movimento espontâneo da vontade popular. 

Vamos aos números. Fatos baseados em números são impossíveis de refutar. O Rio de Janeiro, cidade que conteve o maior número de manifestantes - cerca de 100 mil segundo a polícia - tem segundo o IBGE 6.323.037 hab. Sendo assim, apenas 1,5% da população participou das manifestações. A Polícia também afirmou que 90% dos manifestantes tinha a faixa etária entre 17 e 27 anos, ou seja, manifestação formada por - infelizmente - uma MINORIA jovem. E essa minoria merece aplausos já que mesmo com os efeitos colaterais [depredações, espancamentos, etc.] não houve mortos. A polícia, formada em sua maioria como toda empresa nacional por brasileiros alienados políticos e filosóficos, agiu como mandou seu regulamento criado e engessado pelos militares da ditadura mas posto em prática pelos governantes democráticos que exercem seus mandatos cercados das mais altas regalias enquanto o povo come, dorme e vive mal sem educação, saúde ou muito menos segurança.

Enquanto esse números pequenos de verdadeiros brasileiros saiam às ruas para reivindicar simplesmente "um país melhor", a maioria da população cega e alheia a seus próprios problemas, se deixa levar pela mídia fascista - organizações Globo e seus concorrentes de mesma índole - e crucificam quem está dando, literalmente, a cara pra bater. É um absurdo andar pelas ruas e ver pais de famílias que vivem para trabalhar e enriquecer burgueses, taxando de "vagabundos, maloqueiros e maconheiros" esses jovens que estão nas ruas do país exteriorizando um sentimento que mesmo que você não reconheça que sente, é sentido por todos nós que assistimos sentados em nossos sofás todos os dias e mal vencer o bem, o honesto ser passado pra trás enquanto o malandro bem vestido usufrui luxo em detrimento do pobre que anda em trapos. Esse sentimento chama-se impunidade. Um pequena, mas barulhenta parte do Brasil mostrou que está farta disso, contudo as próprias manifestações não chegam a nenhum lugar. Começam e terminam fugazmente, como fogo de palha.

Há muito chão para que possamos organizar melhor a sociedade civil para que protestos mais vigorosos porém mais eficazes, sem tanta violência e com mais discursos coerentes seguidos de ações positivas, possam se enraizar pelo restante da nação. Se 10% de cada capital do país sair às ruas para cobrar de forma efusiva como estão fazendo agora sobre questões sociais importantes [reforma política, educação digna, saúde decente, segurança que funcione, punições severas para políticos corruptos, política de drogas, etc.] seríamos um país em desenvolvimento de verdade e não essa farsa subdesenvolvida repleta de falsos ricos sustentados por verdadeiros pobres que somos agora. O Brasil pode ser comparado a uma família que rui silenciosamente em sua casa própria: tem um teto para morar porém, endivida-se para comer ao ponto de alugar os quartos da casa para estranhos [países estrangeiros comunistas e socialistas e suas empresas].

Não será novidade se, dia após dia, esses movimentos tão efervescentes se desmancharem. As raposas engravatadas que possuem o cetro do poder, sabem jogar e estão sempre preparadas para manifestações. Afinal, muitos de nossos governantes - de esquerda ou direita - são crias da ditadura. E assim sendo, cancelaram o aumento das passagens ou até mesmo diminuirão o valor; eles sabem que cedendo a alguns pontos os movimentos perderão força e a opinião alienada do povo, fará cessar o grito dos excluídos. O sucesso dos políticos em contornar momentos de reivindicações legítimas como essas está baseado no poder de alienação que a mídia, mais precisamente a TV e os jornais, amplificados pela massa de ignorantes, possui.

Como disse no começo do texto, a baixa porcentagem dos jovens que estão nas ruas protestando contrasta com a maioria alienada, filhos de burgueses mal criados, que cresceram vendo seus país ganharem a vida envolvidos direta ou indiretamente com o ilícito - nepotismo, clientelismo, coronelismo, uso indevido da máquina pública, corrupção ativa/passiva etc. - Os populares "filhinhos de papai" das mais variadas classes sociais estão alheios quando não contra aos movimentos de mudança, pois é óbvio que a mudar o Brasil vai mexer com a classe burguesa e seus congêneres que mama deitada em finos lençóis nas tetas do governo em suas diversas esferas. Meritocracia neles!

A presidente Dilma afirmou que o governo não iria bancar os gastos bilionários da Copa do Mundo e mostrou um projeto onde a iniciativa privada iria encabeçar os investimentos. Hoje, a menos de um ano para o início dos jogos, o custo oficial para os cofres públicos brasileiros é de 28 bilhões. Isso mesmo. Pra você que é um cidadão de classe média com alta alienação política, os movimentos são apenas por 0,20 centavos. Pra quem usa um pouco mais do cérebro, os movimentos são por causa de 28 BILHÕES DE REAIS dado a burgueses empresários que estão se lixando para o país.

Cadê as escolas, hospitais, segurança, cultura? Bilhões gastos em estádios que só servirão à ratos ligados ao futebol no futuro. Vaias para Dilma e Blatter foram pouco. Eles mereciam ser fuzilados, assim como o Marin, o Lula, FHC e demais demagogos que à cada 4 anos afundam o Brasil na merda, endividando o país, não investindo em educação, em tecnologia e acima de tudo, vendendo à preço de banana nossas riquezas. Enquanto crianças ainda morrem por falta de saneamento, milhares são mortos por conta das drogas, o governo paga diárias de até R$500 para que seus funcionários viagem para assistir os jogos da Copa das Confederações. Esse ó o Brasil.

Maio, 2013.

Walter A.
tempo_moderno@hotmail.com / facebook.com/walterblogTM  

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