Blogroll

8 de mar de 2013

Triste 2013


O ano ainda corre seus meses iniciais mas já se pode escolher uma palavra para defini-lo: triste. É obvio que inúmeras pessoas morrem todos os dias, porém, não são todas as pessoas que realmente fazem falta para nossa sociedade. Algumas pessoas até já vão tarde, mesmo até sendo jovens. Já outras, por suas virtudes e personalidades únicas, por mais que estejam em idade avançada, deixam sempre o sentimento de que se foram cedo demais...


Silvio Sarmento nos estúdios da Rádio Zumbi 89,7FM
Na madrugada do dia 07 de março, o radialista palmarino Silvio Sarmento Neto não resistiu à um ataque cardíaco e nos deixou. Deixou nossa querida União dos Palmares, Terra da Liberdade. Liberdade essa que ele exercia pontualmente na Rádio Zumbi diariamente. Sua voz grave, barítona, soletrava perfeitamenta cada sílaba que formavam palavras para expor grandes idéias que adentravam em ritmo de veludo em nossos ouvidos atentos àquelas ondas radiofônicas lideradas por ele. 

Ícone do rádio alagoano, começou em rádio em 1965 durante a ditadura até que a rádio clandestina Zumbi dos Palmares foi fechada pelos militares em 1966; levou sua potente voz para animar lojas do comércio da capital Maceió. Logo seu talento foi descoberto e em 1969 já fazia parte do cast da Rádio Progresso, passando pela Gazeta e Difusora até migrar para o Rio de Janeiro em 1971. Lá rodou por várias emissoras angariando experiencia enquanto exercia a função de diretor do Turing Club International do Rio de Janeiro. Ao voltar para Alagoas no ano de 1979, passou novamente pelos estúdios da Rádio Gazeta, Difusora, Progresso até chegar na Rádio Educativa. De lá voltou para União dos Palmares, sua terra natal onde, após ser enganado por um político local, ganhou na Justiça uma indenização com a qual montou sua própria rádio, a Rádio Zumbi FM. 

Querido pelo povo, o último adeus  a Silvio Sarmento na Câmara Municipal teve mais de 1.200 pessoas
O blog TempoModerno sempre foi parceiro da Rádio Zumbi e de Silvio Sarmento. O radialista lia frequentemente textos de nossos colaboradores e sempre fazia propaganda de nosso site. Durante os anos de 2009 a 2011, colaboradores do TM [Wenndell Amaral, Bruno César e Walter A.] participaram do programa Mesa Z da rádio Zumbi. A união da experiencia de Silvio Sarmento com a sagacidade dos jovens blogueiros da cidade, serviu para disseminar um pouco de cultura e atitude nesso mundo tão carente de boas idéias. 

 Clique Aqui e acesse os textos do TM lidos no eterno vozeirão de Silvio Sarmento. 
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 No dia 11 de janeiro foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York o ativista político e programador Aaron Swartz. Ok, eu também - do alto de toda minha ignorância - não sabia quem era esse jovem de 26 anos; uma falah grande, pois Swartz foi o primeiro a enxergar uma forma verdadeiramente democrática da internet funcionar. Para ele, que aos 14 anos participou da criação do RSS - sigla para Rich Site Sumary, ferramenta que serve para acompanhar atualizações de blogs e sites, a internet era o instrumento com o qual poderia-se mudar o mundo. Admiadores seus gostam de chamá-lo de "Guerrilheiro da Internet". 

A alcunha cai bem. Antes disso, aos 13 anos havia sido finalista no ArsDigita Prize, com um projeto de um site que serviria para compilar todo o conhecimento humano dividido em categorias como uma enciclopédia; também poderia ser editado por qualquer pessoa especialista em seu campo. Alguem lembrou aí da Wikipedia? Pois é, alguns meses após Aaron Swartz apresentar seu projeto, a Wikipedia veio à tona. Coincidência? Não. "No mundo nada se cria, tudo se copia". Nesses 2 projetos iniciais, é visível a preocupção do prodígio em armazenar e difundir o conhecimento, sem qualquer restrição. Apesar da pouca idade física, sua compleição mental estava bastante a frente das mentes retrógradas que comandam nossas vida. Aaron sempre foi um ativista que lutava por uma internet LIVRE.


Aaron Swartz então com 14 anos e Lawrence Lessing durante criação do Creative Commons
Em 2002, então com 15 anos, participou da criação do Creative Commons [organização não governamental sem fins lucrativos localizada em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, voltada a expandir a quantidade de obras criativas disponíveis, através de suas licenças que permitem a cópia e compartilhamento com menos restrições]; aos 19 arquitetou o codificou o OpenLibrary.org , site que guarda uma página da web para cada livro do mundo em todas às linguas para que o conhecimento estivesse ao alcance de todos, literalmente, bastando para isso um pc com acesso à internet.

Devido a suas idéias progressistas e seus ideais libertários sobre o conhecimento lato senso, Aaron Swartz então com 22 anos, comprou uma briga com a gigante OCLC [empresa "sem fins lucrativos" que monopoliza os dados das principais bibliotecas dos EUA]; um ano depois [2009] Swartz ajudou a criar o pluginRECAP, instrumento que oferece ecesso público gratuito a documentos judiciais do governo norte-americano que estão sob o domínio público. Antes, o governo yankee cobrava ILEGALMENTE $0,10 centavos de dólar por página acessada. Hoje, mais de 20 milhões de documentos estão na rede gratuitamente.


"Informação é poder. E, como todo poder, há quem queira mantê-lo só para seu uso", escreveu Swartz em seu "Guerrilha Manifesto Acsess"
Com suas ações, Aaron Swartz tornou-se um ícone da web, fazendo com que a rede servisse para algo realmente útil, pois, não há nada mais subversivo nesse mundo idiota em que vivemos quanto espalhar conhecimento gratuitamente. Essas atitudes não deixaram os políticos de Washington muito contentes. E Aaron começou a ficar cada vez mais visado. 

Com a visibilidade que ele deu às leis anti-pirataria S.O.P.A e P.I.P.A [Clique Aqui e Aqui para saber mais] que influenciariam negativamente suas ações para democratizar o conhecimento na internet do jeito que estavam formuladas, e que seriam votadas por debaixo dos panos, o gênio passou a ser perseguido. Em janeiro de 2011, então com 24 anos, Aaron resolveu baixar milhões de artigos científicos da biblioteca virtual JSTOR atavés da rede do Massachusetts Institut Of Technology. Ele tinha permissão para baixar os artigos, mas como ele criou um código de programação que baixava os arquivos automaticamente, foi processado acusado de "hackear", ou seja, roubar os arquivos, que eram de domínio público! Curioso não?

A vontade de Aaron era para que o conhecimento fosse livre. E, no país capitalista por essência, conhecimento é dinheiro, tudo é dinheiro. E ele tinha "roubado". À época, a juíza Carmen Ortiz, do distrito de Massachusetts, afirmou: "Roubo é roubo, não interessa se você usa um computador ou um pé-de-cabra, e se você rouba documentos, dados ou dólares". Um detalhe que não deve se passar despercebido é que a juíza, mostrando nada entender de computadores, achava que os arquivos baixados por Swartz foram removidos totalmente de seus locais de origem, ou seja, a magistrada não saca bem o que "arquivo digital", então poderia julgar um caso onde o mundo digital é o mote central?

Bem, o governo federal norte-americano pressionou através da promotoria e mesmo com a JSTOR retirando todas as queixas contra ele, foi instaurado um processo penal kafkaniano numa corte federal no decorrer de 2011.  Perseguido, falido pelos gastos processuais e deprimido, Aaron Swartz foi encontrado morto em seu apartamento no dia 11 de janeiro. A perícia oficial diz que a causa mortis foi sufocamento por enforcamento. Ele aguardava o julgamento que ocorreria em março. Algumas pessoas mais próximas acreditam que apesar de todo o sofrimento pelo qual o jovem talento vinha passando, ele não seria capaz de tirar a própria vida. Clique Aqui e acompanhe uma reportagem que diz que Aaron Swartz pode ter sido alvo da CIA [EUA] ou do MI6[Inglaterra].


Conhecimento é a luz e a luz pertence a todos
Para aquelas pessoas que acessam a internet apenas pra verificar e espalhar emails de sacanagem, facebook, sites de fofocas e coisas inúteis de mesmo naipe, a morte dele não fará muita diferença. Para aqueles que veem a internet como um "oásis" de liberdade dentro do paradoxal mundo democrático e ao mesmo tempo totalitário quando os ideais de gente comum vão ao encontro de interesses de corporações, a morte de Aaron Swartz foi uma perca incalculável. Porém, graças ao bom Deus, ele deixou um grande legado a ser seguido. Pois é, parece que Roda da Vida tem como elemento de combustão a alma dos mártires. Cabe a cada um de nós fazer valer o legado de Aaron. Basta apenas usar as ferramentas que ele nos deixou para mudar para melhor nossa realidade. E lembre-se: 
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I - Os impostos que você paga financiam pesquisas.
II - Os impostos que você paga são utilizados para pagar as taxas de publicação (geralmente na ordem de algumas centenas de reais) para editores acadêmicos com fins lucrativos.
III - Os impostos que você paga são utilizados para comprar de volta a pesquisa que você pagou para ter início, normalmente sob preços e taxas exorbitantes oferecidos pelas editoras.

IV - Os criadores da propriedade intelectual (pesquisa) não são financeiramente compensado em nenhuma maneira. Muito menos os revisores que fazem a maior parte do trabalho de “publicação” desses artigos.
 
Esse sistema onde você paga pela mesmo coisa três vezes parece certo? NÃO! Era contra isso que Aaron Swartz estava lutando: a desigualdade e corrupção no mundo capitalista de hoje e acabou ceifando a própria vida para não ver sua família falida também, custeando um precesso que todos sabiam que ele ia perder mesmo sendo inocente. Ele preferiu morrer a ser o bode expiatório da vez. Clique aqui para ler um artigo científico sobre Aaron Swartz e seu legado.


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Em seguida, no dia 27 do mesmo mês, veio a terrível tragédia na boate Kiss em Santa Maria que resultou em mais de 240 mortos. Apesar de toda destruição causada pelo fogo, a Polícia Científica conseguiu identificar elementos que indicariam os prováveis culpados. O dono da boate continuava preso até essa semana, contudo, a vida de nenhum dos jovens voltará e nem mesmo essa Operação Nacional que lacrou boates e casas noturnas em todo o país, servirá de alguma coisa. Os empresários sempre tentarão burlar a lei, os jovens serão sempre inconsequentes e o diabo não parará de mexer seu caldeirão. 240 motivos a mais para adjetivar de triste esse ano de 2013. O TM tratou do acontecido na época [clique aqui].

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Chaves Durante desfile em Caracas
O ferrenho crítico do neoliberalismo e do governo dos Estados Unidos, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, morreu aos 58 anos nesta terça-feira (5), vítima de um câncer na região pélvica, com o qual convivia há um ano e meio. Desde que sua enfermidade foi diagnosticada, em junho de 2011, Chávez passava longos períodos em Cuba, onde tratava a doença. Após vários líderes de esquerda da Amércia Latina serem diagnosticados com câncer na mesma época de Chaves, entre eles Lula [ex-presidente brasileiro], Dilma [atual presidente brasileira], Cristina Kirstchner [atual presidente da Argentina], Fernando Lugo [ex-oresidente do Paraguai], Fidel Castro [ex-presidente de Cuba], Chaves chegoua cogitar uma conspiração orquestrada pelos EUA contra os governos populares que não apoiam o modo de governo capitalista baseado na guerra dos norte-americanos. Cá pra nós, isso não é difícil de acontecer [a CIA tem tecnologia, logística e recursos humanos para isso]. Difícil é provar. Entre controvérsias, o fato é que Hugo Chaves, durante seus 14 anos no poder, o militar diminuiu os índices de mortalidade, de anafalbetismo e ampliou escolas e hospitais, no melhor estilo Comunista-Cubano; Subsidiou comida para os pobres e pegou pesado com a oposição - bancado pelos EUA e seus simpatizantes loucos pra colocar a mão no petróleo Venezuelano. Merece reconhecimento pelo governo populsita é verdade, mas que conseguiu fazer um pouco pelos pobre, diferentemente das oligarquias que dominavam a Venezuela eantes da eleição de Chaves. 

Numa ditadura, só quem rouba é o datador e seus amigos. Na democracia todos metem a mão. Ponto pro falecido Chaves.

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O "RockAndRoll LifeStyle" não deu muito certo para o Chorão
Continuando o início de ano mórbido, no último dia 06 de março faleceu o vocalista da banda de punk-ska-rock Charlie Brown Jr, o Chorão, deixando milhares de fãs cabisbaixos. A frente da banda que vendeu mais de 10 milhões de discos, Alexandre Magno Abrão, tinha 42 anos.

De família um tanto quanto desestruturada, Chorão era bom na composição de letras que descreviam a vida na rua, solidão, amor, desavenças e rebeldia que marcam a juventude de grande parte dos adolescentes. Adepto do "rock and roll life-style", Chorão foi encontrado morto em seu apartamento caído, rodeado por garrafas de cerveja, energéticos, refrigerantes e um "pó branco" espalhado em alguns locais de seu apartamento. Sua ex-esposa Graziela, disse "eu lutei até o fim por ele, mas perdi pra droga."

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OEmílio Santiago onde se sentia mais à vontade: o palco
O cantor Emílio Santiago não resistiu a complicações decorrentes de um AVC sofrido no início do mês e faleceu nesta quarta-feira [20]. Emílio Vitalino Santiago nasceu no dia 6 de dezembro de 1946, no Rio de Janeiro. Na década de 1970, o cantor formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, mas desistiu da carreira para viver da música. Ganhador de vários festivais de música popular, gravou 30 álbuns e 4 DVDs ao longo de sua trajetória, sendo o primeiro compacto lançado em 1973. Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Anísio Silva e João Gilberto, Emília emplacou sucessos nacionais como "Saigon", "Verdade Chinesa", "Lembra de Mim", "Vai e Vem", "Tudo Que Se Quer" e "Flor de Lis". 

P.S.: Lembro quando menino de um disco do Emílio Santiago que minha mãe tinha. Sempre empoeirado, raramente foi ouvido. Mpb não é muito minha praia, mas boa música é boa música e tem que ser respeitada. Em tempo tortuosos em que vivemos, onde Restart, NXZero e Fresno são os "expoentes" do rock nacional; onde o funk é idolatrado todos os domingos na tv; onde o sertanejo `cornesitário´ lotam as casa de shows Brasil, perdas de artistas como Emílio Santiago, são incalculáveis.
Descansem em paz todos vocês.

Walter A.
wjr_stoner@hotmail.com / facebook.com/Walter_blogTM

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