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23 de set de 2016

EDITORIAL: A farsa acadêmica e a falência do ensino Público

Quantos prêmios Nobel nosso moribundo país possui? Nenhum. Qual a probabilidade de ganharmos algum? Quase nula. Quase porquê, como todo cristão, acredito em milagres. O motivo da pergunta que inicia esse texto é óbvia: sem educação - e o exemplo maior de  nossa falta de educação lato sensu é a falta de um único mísero Nobel - nenhum país consegue cumprir com seus objetivos básicos perante a Nação: fornecer segurança, saúde e educação para só assim atingir um patamar civilizado de trabalho/emprego, cultura/entretenimento e desenvolvimento social constante. E porque o governo, seja de qualquer esfera administrativa, inexplicavelmente sucateia invés de melhorar sistematicamente e qualitativamente nossa Educação, a base de qualquer nação que se leve minimamente a sério?

Esse cara deve ser um puxa-saquista de estrangeiros, muitos devem estar pensado. Afinal estou elevando como referência máxima numa suposta educação globalista o Prêmio Nobel, um certificado dado a uma relevante obra de valor científico, humano ou literário. Não é puxa-saquismo uma vez que o conhecimento é universal. As Universidades, seja em que lugar se encontrem, dão aos Centros de Pesquisas laureados com o prêmio o necessário lastro técnico-científico; assim como, em geral, os ganhadores literários também possuem graduação; já o mais famoso dos nobéis, o Nobel da Paz, é entregue a personalidades relevantes em zonas em guerras. Nosso país, até poucos anos atrás, não coincidentemente antes da Era PT, era referência em estudos acadêmicos na América Latina, possuíamos grandes literatos de renome internacional - alguns sendo estudados permanentemente em cátedras acadêmicas europeias, a exemplo do inominável Machado de Assis - e vive desde a reabertura democrática em uma crescente semi-guerra civil: semi-guerra porque o governo e organismos internacionais supostamente de Direitos Humanos negam que essa guerra exista ao passo que as almas dos quase 50 mil mortos de maneira violenta ano após ano no Brasil pairam sobre a cabeça de quem ainda pode ser considerado humano dando voz a esse morticínio patrocinado pela omissão da União, dos Estados e dos Municípios.

Se somos um país escolado, com larga experiência empírica nas principais áreas do prêmio Nobel* como afirmei acima, então como explicar não possuirmos nenhum? Países com índices em IDH inferiores a nós como Venezuela, Colômbia e Peru, isso para mão citar concorrentes diretos como Argentina e Chile, estão bem melhores que nós graças a grande atenção dada a Educação nas últimas décadas. Dos 72 países que já ganharam prêmios Nobel, o Brasil perde também para países atrasados democraticamente e com grandes tensões raciais como Índia e Paquistão, África do Sul, México, Quênia, Libéria e até mesmo Gana e Guiné-Bissau. Não é sem motivo material que muitos pesquisadores norte-americanos, maiores vencedores do prêmio sueco com 338 representantes nas diversas áreas, afirmam que os ´povos latinos pouco contribuem com o desenvolvimento da humanidade. Nosso compatriota mais indicado (quatro vezes) foi Carlos Chagas para o prêmio de medicina - graças a descoberta do protozoário Trypanosoma cruzi que resulta na popular doença de Chagas e por ter identificado o ciclo completo de uma doença, mas como já sabemos, não ganhou. Fato de orgulho para nós alagoanos, Jorge de Lima só não ganhou porquê faleceu antes e o prêmio é entregue a vivos. Segundo o jornalista Rodrigo Resende, 1947 um olheiro do Nobel, Artur Lunkvist, impressionado com a obra do palmarino, convenceu a academia a entrega-lo o Prêmio Nobel de Literatura em 1958, porém o Príncipe dos Poetas faleceu antes em 1953 

O fato de metade de nossos acadêmicos discentes e cerca de 1/4 dos docentes serem analfabetos funcionais - em 2012 a porcentagem era de 38% -, na minha humilde opinião, é o fator primordial que desembocou na falência de nossa Educação em todos os níveis, com exceções pontuais em grandes centros urbanos não contaminados com a política de esquerda de colocar a ideologia política acima do tecnicismo necessário para desenvolver qualquer área estrutural de um país. E não me venham propor soluções palpiteiras, sem bases estudadas, como simplesmente aumentar o salário dos professores já que os professores de nível superior no Brasil ganham o equivalente a países desenvolvidos como Suécia e Noruega enquanto o ensino segue ladeira abaixo em qualidade sendo inferior a países como Uruguai, Bolívia e Paraguai, respectivamente os 60º, 77º, 82º no ranking da Educação Mundial, só pra citar exemplos circunvizinhos. Humilhante para nós, donos da 8ª economia do mundo mas detentores do recalcitrante 130º lugar em Educação entre quase 200 nações. Ao compasso dos fatos, o brasileiros médio só dará o devido valor ao nosso PIB, quando estiver de fato próximo a perdê-lo. 

Se o ensino superior público é efetivado dessa maneira e entregue como um alimento de intelecção enlatado a base de ideologia socialista em detrimento de uma ideologia neutra e meritocrática, não precisa ter Q.I acima de 120 para identificar falhas ainda mais nocivas ao desenvolvimento de qualquer país nos ensinos Fundamental e Médio, como os estudos na área educacional não cansam de exibir nos mais diversos veículos acadêmicos. Não é difícil identificar a razão da decadência: enquanto os professores se deixam envenenar pelas ideologias de esquerda emanadas pelas diretrizes oficiais (vide a exemplo, a retirada de Sócrates dos livros e a inclusão de Gramsci com grande destaque) e fingem que ensinam, os alunos sedentos por algo em acreditar - uma vez que as principais instituições sociais clássicas como a família, Igreja e escolas perdem diariamente autoridade graças a ataques estratégicos dando lugar a cultura da tv, dos coletivos e da futilidade da internet - embebidos numa realidade mascarada por uma mídia e publicidade fora da realidade de pobreza e miséria que a maioria do povo sobrevive na maioria das cidades brasileiras, fingem que estão interessados em aprender. Os infindáveis problemas estruturais de nossa sociedade não são vistos como objetos de estudo e sim como meios de enriquecimento ilícito pela maioria das classes técnica, científica e profissional do Brasil, sendo esse desvio reflexo direto dos governantes corruptos, que através de grandes desvios de verbas públicas (larga escala), solapam a moral, a cultura e a educação do povo (pequena escala). Nosso país está fracassando no principal e único fator social que poderia, nos dias de hoje de decadência intelectual e moral, nos entregar um mero Nobel: a busca pelo fim da guerra que ceifa a vida de dezenas de milhares brasileiros todo ano. Enquanto não deixarmos de ver a morte como algo banal e levantarmos a bandeira da verdadeira paz dando passos firmes para acabar com os milhares de assassinatos anuais, continuaremos sendo inferiores a povos bárbaros pois até estes, a exemplos dos povos germânicos bárbaros aos olhos romanos, deram valor a Educação e se desenvolveram.

*as categorias do Prêmio Nobel são: Literatura, Física, Química, Medicina, Ciências Econômicas e Paz.

Walter A.
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